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Estados Unidos: Trump critica Teerão por execução sem precedentes de manifestantes

FICHEIRO: Presidente dos EUA Donald Trump fala com jornalistas após aterrar no Air Force One na Joint Base Andrews, Maryland, 11 agosto 2026
Arquivo: presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas após chegar à Joint Base Andrews, em Maryland, a bordo do Air Force One, 11 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Euronews Persian
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Washington diz que Teerão já não paga boa parte do exército e enfrenta uma “crise humanitária sem precedentes”, após 32 países condenarem execuções usadas para silenciar a dissidência.

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, voltou a criticar as execuções de manifestantes pelo Irão, afirmando que Teerão já não consegue financiar as forças armadas e enfrenta uma crise humanitária “de proporções épicas”.

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“A República Islâmica do Irão, em colapso, não está a pagar a grandes segmentos das suas forças armadas e, ao mesmo tempo, está a matar manifestantes, mesmo quando não estão a protestar, em níveis nunca antes vistos”, escreveu Trump na plataforma Truth Social, na terça‑feira.

“É uma crise humanitária de proporções épicas que tem de ser travada já”, acrescentou.

Em janeiro, ao alertar para execuções iminentes, Trump afirmou que os Estados Unidos tomariam “medidas muito severas” caso avançassem.

Dias depois, disse que fontes fidedignas o tinham informado de que as execuções de “mais de 800 manifestantes detidos” tinham sido suspensas, afirmação que as autoridades iranianas não confirmaram.

Em abril, Trump afirmou que oito iranianas que surgiam numa fotografia em circulação online tinham sido condenadas à morte e apelou à sua libertação. No dia seguinte, disse que tinham sido perdoadas.

Uma investigação da Euronews Persian, citando duas organizações independentes de direitos humanos, concluiu que apenas uma das oito mulheres, Beita Hemmati, tinha de facto recebido uma sentença de morte.

No mês passado, Trump voltou a partilhar conteúdos sobre a execução de manifestantes e, ao reagir à morte de Gol‑Mohammad Mohammadi, um manifestante de 23 anos, classificou a República Islâmica como “bárbara”.

Irão aumenta ritmo de execuções

A preocupação internacional com o recurso de Teerão à pena de morte contra manifestantes aumentou de forma significativa.

A 12 de agosto, 32 países, incluindo França, Reino Unido e Canadá, divulgaram uma declaração conjunta em que condenam o uso da pena de morte pela República Islâmica para “silenciar a dissidência” e apelam à suspensão imediata das execuções e à libertação dos detidos de forma arbitrária.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que Teerão está a usar execuções para “criar medo”.

“Desde 19 de março de 2026, pelo menos 56 pessoas foram executadas por acusações relacionadas com a segurança nacional, incluindo 27 em casos ligados aos protestos de janeiro”, afirmou Türk num comunicado divulgado este mês, acrescentando que mais de 100 pessoas correm risco de execução.

O Centro Abdorrahman Boroumand, uma organização iraniana de direitos humanos com sede em Washington, registou pelo menos 901 execuções no Irão nos primeiros sete meses de 2026, 56 delas por acusações políticas ou de segurança nacional. Destas, pelo menos 29 foram executadas em ligação com os protestos de janeiro.

Os protestos de janeiro de 2026 surgiram após o colapso do rial iraniano no mês anterior e espalharam‑se rapidamente a mais de 180 cidades.

As forças de segurança mataram milhares de pessoas durante a repressão desencadeada a 8 e 9 de janeiro.

Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão reconheceu um número de mortos superior a 3 000. O Relator Especial da ONU para o Irão apontou para pelo menos 5 000, enquanto organizações de direitos humanos e fontes internas no país acreditam que o número real de vítimas poderá ter ultrapassado os 32 000.

Pelo menos 1 639 pessoas foram executadas no Irão em 2025, o valor anual mais elevado desde 1989, segundo a organização Iran Human Rights e o movimento Together Against the Death Penalty.

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