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Artista japonesa Yayoi Kusama, famosa pelos padrões de bolinhas, morre aos 97 anos

A artista japonesa de vanguarda Yayoi Kusama trabalha no seu atelier em Tóquio, na quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A artista japonesa de vanguarda Yayoi Kusama trabalha no seu estúdio em Tóquio, quarta-feira, 1 de agosto de 2012. Direitos de autor  (AP Photo/Itsuo Inouye, File)
Direitos de autor (AP Photo/Itsuo Inouye, File)
De Greta Ruffino
Publicado a Últimas notícias
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Nascida numa família de classe média, Kusama sentia‑se incompreendida pelos pais, que preferiam vê‑la casar em vez de seguir a arte, e acabou por partir para os Estados Unidos.

Morreu aos 97 anos a artista japonesa Yayoi Kusama, conhecida pelas esculturas e instalações que espalhou pelo mundo.

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Kusama morreu a 14 de agosto, num hospital em Tóquio, informou esta quinta-feira o seu estúdio. A causa da morte não foi divulgada.

“Continuou a pintar até aos últimos dias, sem nunca pousar o pincel, e a explorar o amor eterno e a alma eterna”, lê-se no comunicado do estúdio. “Vamos honrar os desejos de Kusama e, através da arte, continuar a levar esperança e força para o futuro às pessoas em todo o mundo.”

Kusama tornou-se célebre sobretudo pelas obras coloridas e psicadélicas com padrões repetitivos, em especial as suas emblemáticas pintas. As peças têm sido apresentadas nos principais museus do mundo.

Uma figura de cera da artista japonesa Yayoi Kusama é exibida nas montras da principal loja Louis Vuitton na Quinta Avenida, em Nova Iorque, terça-feira, 10 de julho de 2012.
Uma figura de cera da artista japonesa Yayoi Kusama é exibida nas montras da principal loja Louis Vuitton na Quinta Avenida, em Nova Iorque, terça-feira, 10 de julho de 2012. (AP Photo/Kathy Willens, File)

“As bolinhas são fabulosas”, afirmou Kusama numa entrevista à Associated Press em 2012, surgindo com a sua característica peruca curta laranja e roupa coberta de pintas.

“Quero criar mil pinturas, talvez duas mil, tantas quantas conseguir fazer”, disse, num tom infantil mas direto. “Vou continuar a pintar até morrer.”

Kusama explicou que as suas famosas pintas refletiam alucinações que tinha desde criança. Apesar de anos passados em instituições psiquiátricas, manteve a ambição de uma carreira internacional e mudou-se para Nova Iorque em 1957.

Quando chegou a Nova Iorque, a tendência dominante era a chamada “action painting”, enquanto as suas pintas distintivas ficavam à margem do circuito principal. Enfrentou anos de pobreza e obscuridade, mas continuou a desenvolver o seu estilo.

A artista japonesa Yayoi Kusama posa junto das suas obras na Tate Modern, em Londres, antes da exposição de 2012. Terça-feira, 7 de fevereiro de 2012.
A artista japonesa Yayoi Kusama posa junto das suas obras na Tate Modern, em Londres, antes da exposição de 2012. Terça-feira, 7 de fevereiro de 2012. (AP Photo/Kirsty Wigglesworth)

No final da década de 1960 ganhou visibilidade com performances “happening” contra a guerra e fez amizade com artistas como Andy Warhol, Georgia O’Keeffe e Joseph Cornell.

Entre as obras contam-se “Macaroni Girl”, que explora o medo da comida, as esculturas de tulipas gigantes “The Visionary Flowers” e a instalação espelhada “Mirrored Corridor”.

Instalação da artista japonesa Yayoi Kusama frente à sede da Louis Vuitton, em Paris, terça-feira, 7 de março de 2023.
Instalação da artista japonesa Yayoi Kusama frente à sede da Louis Vuitton, em Paris, terça-feira, 7 de março de 2023. (AP Photo/Christophe Ena)

Já numa fase avançada da carreira, Kusama alcançou fama mundial, colaborando com marcas de moda como a Louis Vuitton e aplicando os seus motivos característicos em produtos como roupa, chávenas e acessórios.

Entre os muitos sucessos, uma obra de Kusama foi vendida por 5,8 milhões de dólares (4,9 milhões de euros) num leilão da Christie’s em 2008. Em 2016 recebeu a prestigiada Ordem da Cultura do Japão, em reconhecimento do contributo para as artes.

Kusama, que também realizou filmes e publicou vários romances, dizia não saber bem de onde vinham as ideias. Pegava simplesmente no pincel e começava a desenhar. O processo era tão misterioso que, por vezes, surpreendia-se a si própria, contou à AP.

“Penso: ‘Ah, fui eu que desenhei isto? Estava a pensar nisso’”, disse.

Conhecida pelo modo discreto e tímido, Kusama manteve-se fiel ao estilo que a distingue ao longo de décadas, levando a sua arte a públicos em todo o mundo.

Uma mulher percorre a obra de Yayoi Kusama ‘A Bouquet of Love I Saw in the Universe’ no museu Martin Gropius Bau, em Berlim. Quinta-feira, 22 de abril de 2021
Uma mulher percorre a obra de Yayoi Kusama ‘A Bouquet of Love I Saw in the Universe’ no museu Martin Gropius Bau, em Berlim. Quinta-feira, 22 de abril de 2021 AP

Kusama acolheu a atenção e os elogios à sua obra, mantendo-se ao mesmo tempo entre a vulnerabilidade e a postura desafiante. Descrevia-se como “uma revolucionária artística”, mas também admitia: “Tenho tanto medo, o tempo todo, de tudo”.

“Sinto que me resta pouco tempo de vida, mas continuo a lutar até ao fim pela minha arte”, dizia. “Estou a dar tudo o que tenho para que muitas pessoas continuem interessadas na minha arte, mesmo depois de eu morrer.”

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