A China registou um crescimento explosivo das energias renováveis, enquanto o peso do carvão na sua matriz energética tem vindo a diminuir nos últimos anos.
A capacidade de energia solar da China ultrapassou pela primeira vez a da eletricidade produzida a partir de centrais a carvão.
“No final de julho deste ano, a capacidade instalada de energia solar da China atingia 1,286 mil milhões de quilowatts”, indicou a Administração Nacional de Energia (NEA).
“Pela primeira vez, a capacidade fotovoltaica instalada ultrapassou a energia produzida a partir do carvão, tornando-se a maior categoria de fonte de eletricidade na China”, acrescentou.
Segundo o organismo, a capacidade instalada de centrais a carvão do país era de 1,285 mil milhões de quilowatts.
A produção de energia solar aumentou 15,5 % nos primeiros sete meses de 2026 face ao mesmo período do ano passado, para 802,4 mil milhões de quilowatt-hora, cerca de um oitavo do total do país, informou a NEA noutra nota.
A China, o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa responsáveis pelas alterações climáticas, comprometeu-se a atingir o pico das emissões de carbono até 2030 e a alcançar a neutralidade carbónica até 2060.
As declarações não especificaram qual foi a produção total de eletricidade a partir do carvão nos primeiros sete meses deste ano.
A NEA afirmou que a capacidade instalada e a produção de energia solar na China “têm mantido uma tendência estável de rápido crescimento”, desempenhando um “papel cada vez mais relevante” na garantia do abastecimento elétrico e na condução da transição energética.
O carvão tem sido, há décadas, a principal fonte de produção elétrica da China e um dos grandes motores das emissões que aquecem o planeta.
No entanto, a produção de eletricidade a partir do carvão no país recuou quase 2 % em 2025, apesar do aumento da procura de energia no maior emissor mundial, segundo dados analisados pela agência noticiosa AFP em fevereiro.
Tratou-se da primeira quebra em seis anos, e alguns analistas referem que foi a primeira vez de que há registo em que a produção de eletricidade a carvão diminuiu ao mesmo tempo que a procura de energia aumentou.
A China tem registado um crescimento explosivo nas instalações de energias renováveis, com a quota do carvão no mix energético a diminuir gradualmente nos últimos anos.
No ano passado, foram instalados no país 315 gigawatts de energia solar e 119 gigawatts de energia eólica, um máximo histórico que representa mais de 80 % da nova capacidade de produção elétrica, de acordo com o Conselho de Eletricidade da China.
Europa e China: como se comparam na produção de energia
Os países da UE seguem atrás da China nas renováveis, em parte porque o país iniciou a transição para a energia limpa muito mais cedo. Em 2023, por exemplo, a China instalou entre 180 e 230 gigawatts de solar, contra 58 gigawatts em todos os países europeus juntos.
O controlo chinês sobre componentes e patentes de tecnologias limpas faz grande diferença na rapidez e no custo das instalações, a par dos menores custos de mão de obra.
A rede elétrica chinesa é também mais eficiente a integrar energia proveniente de múltiplas fontes, enquanto a rede europeia tem sido descrita como “obsoleta”. A hibridização tem sido apontada como solução.