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Controverso porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln chega à Tailândia após meses no mar

Chega ao porto de Laem Chabang o porta-aviões da Marinha dos EUA USS Abraham Lincoln, 2 de setembro de 2026
Porta-aviões americano USS Abraham Lincoln chega ao porto de Laem Chabang, 2 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Deputados democratas exigem uma investigação às condições a bordo do USS Abraham Lincoln, após relatos de falta de comida, canalização avariada e crises de saúde mental.

Um porta-aviões norte-americano, envolvido numa controvérsia sobre as condições a bordo, chegou à Tailândia na quarta-feira para a sua primeira escala em nove meses.

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Os 5 000 marinheiros e fuzileiros navais a bordo do USS Abraham Lincoln, que chegam da guerra no Médio Oriente, dirigem-se para a estância tailandesa de Pattaya, um local de descanso e lazer para as tropas norte-americanas desde a Guerra do Vietname.

Na quarta-feira de manhã, repórteres viram rebocadores a guiar o enorme porta-aviões de propulsão nuclear, com dezenas de aviões de guerra alinhados no seu convés de voo, em direção ao porto de Laem Chabang.

“A nossa chegada a Laem Chabang proporciona uma oportunidade bem merecida para os nossos marinheiros e fuzileiros navais descansarem e recarregarem as energias”, afirmou o contra-almirante Robert Loughran, comandante do 3.º Grupo de Ataque de Porta-aviões dos EUA, num comunicado.

O comandante do Lincoln, o Capitão Dan Keeler, acrescentou que esta primeira escala da “missão histórica” — após 286 dias no mar — permitiria “à nossa tripulação desfrutar deste país belo e histórico”.

Uma autoridade em Pattaya afirmou que o navio deveria atracar pouco antes da hora do almoço.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln, da Marinha dos EUA, chega ao porto de Laem Chabang, 2 de setembro de 2026
O porta-aviões USS Abraham Lincoln, da Marinha dos EUA, chega ao porto de Laem Chabang, 2 de setembro de 2026 AP Photo

O Lincoln partiu da Califórnia em novembro de 2025 para uma missão no mar da China Meridional e foi desviado para o Médio Oriente antes do início, há seis meses, dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Relatos sobre o agravamento das condições de vida e da saúde mental a bordo, incluindo tentativas de suicídio, fizeram manchetes nos Estados Unidos e suscitaram críticas à guerra do presidente Donald Trump contra o Irão.

Pattaya é um destino muito popular entre turistas estrangeiros, conhecido pelas praias e por uma vida noturna que há muito está sob escrutínio devido ao turismo sexual.

O presidente da câmara de Pattaya, Poramase Ngampiches, disse esta semana à agência noticiosa AFP que tinha havido recentemente uma operação de repressão contra trabalhadores do sexo, mas negou qualquer ligação à chegada dos militares norte-americanos.

À porta de um bar da estância, na terça-feira, lia-se um cartaz com a mensagem em inglês: “Sejam bem-vindos, todos os militares dos EUA. Obrigado pelo vosso serviço”.

Segurança e preços justos

O autarca adiantou que foram disponibilizados autocarros para transportar os marinheiros entre o navio e Pattaya até à partida do porta-aviões, no domingo.

“Vêm para relaxar”, afirmou Poramase num vídeo publicado no Facebook.

“Os nossos preparativos vão centrar-se na segurança e em garantir preços justos, para não aproveitarmos a sua presença.”

Disse ainda que os marinheiros ficaram proibidos de praticar desportos náuticos, como motos de água, e de tirar partido da legislação permissiva da Tailândia sobre canábis.

Mas incentivou-os a aproveitar as muitas outras atrações da cidade, dos centros comerciais aos locais religiosos.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala no Salão Oval da Casa Branca, 31 de agosto de 2026
O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala no Salão Oval da Casa Branca, 31 de agosto de 2026 AP Photo

“Estamos satisfeitos por receber negócio de quem quer que seja”, disse esta semana Nicko, proprietário francês de um bar go-go em Pattaya.

“Vamos ter de ter cuidado porque, como sabemos, com álcool pelo meio as coisas podem sair do controlo.”

Eleitos do Partido Democrata pediram uma investigação às condições no USS Abraham Lincoln, após relatos de falta de comida, avarias na canalização e crises de saúde mental.

Mas Trump desvalorizou estas preocupações, bem como a sugestão de que o navio esteve destacado tempo demais.

“Um número reduzido de casos de saúde mental foi tratado sem perda de vidas”, afirmou em meados de agosto o secretário interino da Marinha, Hung Cao, acusando os media de estarem “a tentar retratar os nossos combatentes como vítimas”.

O porta-aviões foi substituído no Médio Oriente pelo USS George Washington, que se encontrava no Japão, numa altura em que a guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão se arrasta.

Esse navio será por sua vez rendido pelo USS Theodore Roosevelt, que deverá zarpar de San Diego nas próximas semanas, segundo o US Naval Institute, uma associação militar privada.

Os Estados Unidos mantêm um porta-aviões no mar Arábico para missões de ataque sobre o Irão desde que Estados Unidos e Israel lançaram a guerra no final de fevereiro e, posteriormente, para fazer cumprir um bloqueio naval aos portos iranianos.

Outras fontes • AFP

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