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Ministro da Defesa da Estónia demite-se por escândalo em aquisições de 70 M€ da UE para a Ucrânia

Hanno Pevkur, então ministro da Defesa da Estónia e já demissionário, fala na sede da NATO em Bruxelas, Bélgica, em 12 de fevereiro de 2026.
Já demissionário, o ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, discursa na sede da NATO, em Bruxelas, Bélgica, a 12 de fevereiro de 2026. Direitos de autor  AP
Direitos de autor AP
De Angela Skujins
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Ministro da Defesa demite-se devido a acordo de armas para a Ucrânia financiado com verbas da UE pagas a empresa indiana sem histórico na produção de munições.

O ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, anunciou esta quarta-feira que ia abandonar o cargo político depois de se saber que o governo usou fundos da União Europeia para comprar projéteis de artilharia para a Ucrânia a empresas sem qualquer histórico na produção deste tipo de armamento.

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A rádio e televisão públicas estonianas ERR noticiaram na quarta-feira que o governo celebrou em 2024 um acordo para adquirir projéteis de artilharia para a Ucrânia, pagando 70 milhões de euros adiantados, provenientes do Mecanismo Europeu para a Paz da UE, para financiar a compra.

As empresas envolvidas, contudo, nunca tinham vendido um único projétil de artilharia. A Estónia contesta agora os contratos num processo no Tribunal Europeu de Arbitragem, em Estrasburgo.

Pevkur, ministro da Defesa desde 2022, abordou o escândalo ao anunciar a demissão na estação pública ETV. Disse que, enquanto ministro, tem de assumir a responsabilidade por toda a área sob a sua tutela.

“Embora o ministro não ande a contar meias e munições, nem a negociar contratos, as críticas do Tribunal de Contas da Estónia, dirigidas sobretudo às atividades das Forças Armadas e do Centro de Investimentos em Defesa, levantam a questão da responsabilidade política”, afirmou Pevkur.

O Tribunal de Contas criticou no mês passado as despesas de defesa do país báltico, incluindo investimentos das Forças Armadas. Também manifestou preocupações quanto ao Centro de Investimentos em Defesa da Estónia, o organismo responsável pelas aquisições militares.

Sobre os contratos de artilharia, Pevkur insistiu que não os tinha lido, alegando que o ministro da Defesa, por norma, não se envolve nos detalhes de cada processo de aquisição.

“O ministro da Defesa não negocia contratos. O ministro da Defesa não conta meias e munições”, disse Pevkur, acrescentando: “cabe ao ministro da Defesa tomar a decisão de fundo de apoiar a Ucrânia.”

O Mecanismo Europeu para a Paz é um instrumento de financiamento da UE criado antes da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Visa reforçar a capacidade do bloco para prevenir conflitos, construir e preservar a paz e fortalecer a segurança e a estabilidade internacionais. Tem sido cada vez mais utilizado para apoiar a Ucrânia através de assistência militar e de aquisições.

A demissão de Pevkur ocorre depois da saída, muito mediatizada, do ministro da Defesa da Letónia, Andris Sprūds, em maio.

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