Loader
Encontra-nos
Publicidade

Morte de Catherine Ringer: mundo da música e políticos reagem à sua morte

Catherine Ringer em palco durante a 35.ª edição das Victoires de la Musique em 2020
Catherine Ringer em palco nas 35.as Victoires de la Musique, em 2020 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Jean-Philippe Liabot
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Catherine Ringer morreu aos 68 anos, vítima de cancro na noite de 14 de setembro. Desde então, artistas, políticos e figuras da cultura elogiam a voz e a liberdade da ícone dos Rita Mitsouko.

Há vozes que se reconhecem num segundo. A de Catherine Ringer era uma delas. Uma voz capaz de rir, de ranger, de gritar, de cantar o amor, o desejo ou a loucura. Uma voz que nunca aceitou deixar‑se encaixar numa gaveta.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A notícia da sua morte provocou uma vaga de reações emocionadas. Entre elas, Emmanuel Macron prestou homenagem a uma figura “inclassificável, irreverente, profundamente francesa”. Na rede X, o presidente juntou ao texto a sequência de 2024 em que a artista cantava “A Marselhesa”, por ocasião da inscrição da IVG na Constituição.

O Eliseu prestou também esta quarta‑feira uma homenagem mais solene através de um comunicado. O texto recorda o percurso desta “artista total”, nascida em 1957 em Suresnes e desde cedo alimentada por um universo familiar artístico. Depois das primeiras experiências em palco no Café de la Gare e depois no Palace, bem como de “experiências mais sombrias e dolorosas” de que conseguiu libertar‑se, 1979 marca uma viragem decisiva com o encontro com Fred Chichin.

Juntos, criam a dupla Les Rita Mitsouko, com uma arte “livre e inclassificável”, que conquista o grande público a partir de 1984 com o estrondoso sucesso de “Marcia Baïla”.

Depois da morte do companheiro, em 2007, Catherine Ringer prossegue a carreira “com uma dignidade comovente”, alternando projetos a solo e regressos ao palco para reavivar os temas de culto da banda. Descrita simultaneamente como “diva, cantora popular e vanguardista”, deixa, segundo a presidência, “um legado artístico singular e fulgurante” que marcou profundamente a vida musical francesa.

Da esquerda à direita, ergueram‑se vozes para lembrar que era também uma militante incansável, mas sem rótulo, feminista pelos atos muito antes de a palavra se tornar um slogan, enfrentando machistas nos estúdios de televisão e discursos moralistas. É o caso, nomeadamente, de Dominique de Villepin na rede X ou da eurodeputada da LFI Manon Aubry.

Pares rendem‑lhe homenagem e agradecem‑lhe

Músicos da cena rock, pop, rappers ou figuras da canção francesa: todos choram o desaparecimento de uma “irmã mais velha” de palco.

Nas redes sociais, o mundo da música parou para saudar quem injetou um grão de loucura punk na música ligeira francesa.

Benjamin Biolay deixou uma homenagem sentida no Instagram, evocando o choque fundador que foi o álbum The No Comprendo, saudando a memória de uma voz fora do comum e a poesia do duo mítico que formava com Fred Chichin.

Étienne Daho, por seu lado, publicou uma fotografia com Catherine Ringer e, como legenda, apenas o seu primeiro nome.

Importa ainda destacar as palavras dos Sparks, com quem os Rita Mitsouko tinham trabalhado. O grupo norte‑americano fala de uma artista “única no seu género”, de uma “verdadeira força da natureza” e de uma amiga com quem sentem ter tido a sorte de se cruzar.

As homenagens vão também para lá do mundo da música. Josiane Balasko, Nikos Aliagas, Michèle Laroque, Julie Gayet, Flavie Flament e Alain Chabat partilharam recordações ou emoção nas redes sociais.

Um belíssimo testemunho de um utilizador, recolhido na rede X, mostra que a artista marcou muitas gerações, mesmo as mais jovens, e provavelmente continuará a fazê‑lo.

Por fim, impossível fechar este artigo de outra forma que não com música. A música de Catherine e Fred, a que acompanhou e embalou grande parte da vida de quem escreve estas linhas. Esta canção, em particular, continua ligada a uma memória intacta: a de um concerto, em outubro de 2000, numa sala de Lyon. Vê‑los tocar nessa noite e ouvir este tema ao vivo ficou gravado para sempre.

“C’est comme ça” – Les Rita Mitsouko – álbum “The No Comprendo” – teledisco realizado por Jean‑Baptiste Mondino em 1986.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Catherine Ringer, a célebre cantora dos Rita Mitsouko, morre aos 68 anos

Morte de Catherine Ringer: mundo da música e políticos reagem à sua morte

Realizador de “Starship Troopers”: fardas espaciais de Trump inspiram-se nos nazis