Trump anunciou, em agosto, que tencionava reunir-se com o líder norte-coreano Kim Jong-un ainda este ano, voltando a elogiar a relação entre ambos. Pyongyang quase não reagiu.
Lee Jae Myung, presidente da Coreia do Sul, afirmou esta sexta-feira que o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, “claramente” quer manter o diálogo com Pyongyang e que o está “a incentivar” a fazê-lo.
Lee disse a jornalistas na Casa Azul presidencial que a Coreia do Sul prossegue “esforços de coordenação preliminares” para facilitar conversações entre o Norte e os Estados Unidos, acrescentando que um encontro “continua difícil”, mas “não é impossível”.
“Não posso dizer com certeza qual é a probabilidade, mas também é claro que temos de envidar todos os esforços possíveis para transformar essa possibilidade em realidade”, afirmou.
Trump anunciou em agosto que tencionava reunir-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, mais tarde este ano, voltando a elogiar a relação entre ambos, embora não tenha dado mais detalhes sobre o plano, que seria o primeiro encontro desde o primeiro mandato de Trump na Casa Branca.
“Sabem, o facto de eu me dar bem com ele é uma coisa boa, não má. Ele tem 57 armas nucleares muito poderosas. Nunca devíamos ter permitido que isso acontecesse”, disse Trump na altura.
A Coreia do Norte, que nos últimos anos voltou a estreitar laços com a Rússia, quase não reagiu às declarações de Trump.
Irão
Lee disse ainda aos jornalistas que a Coreia do Sul não irá enviar tropas para o Médio Oriente de forma que possa envolver o país em conflitos.
“Não haverá envolvimento nem intervenção na guerra. Não vamos enviar tropas nem meios militares dessa forma”, afirmou, acrescentando que a Coreia do Sul irá “desenvolver apenas as atividades indispensáveis” para proteger os navios mercantes e as rotas de transporte de petróleo na região.
Segundo a comunicação social, Seul ponderava enviar tropas para o estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica e ponto crucial de passagem de petróleo e gás, que está no centro das tensões entre Washington e Teerão desde o início da guerra no Irão, no final de fevereiro.
A posição surge depois de Trump ter anunciado, em agosto, que ordenou às forças dos EUA a redução dos exercícios militares conjuntos “dispendiosos” com a Coreia do Sul, que, segundo disse, enviavam um sinal “inadequado e hostil” a Pyongyang.
“Embora algo não relacionado (?), perguntei recentemente ao presidente da Coreia do Sul se gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irão e disseram: ‘Não, obrigado!’”, escreveu Trump numa publicação na plataforma Truth Social a justificar a decisão.
Coreia do Norte: irmã de Kim critica exercícios dos EUA
As esperanças de um encontro iminente poderão ter sido ligeiramente arrefecidas depois de a influente irmã de Kim, Kim Yo Jong, ter criticado os Estados Unidos pelos exercícios militares na região, que descreveu como uma “simulação de guerra liderada pelos EUA”.
“A situação atual, em que são batidos novos recordes em ações concretas hostis contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), sublinha a necessidade de bater recordes também na nossa resposta, proporcional ou de natureza ainda mais ofensiva”, afirmou Kim Yo Jong numa declaração divulgada esta sexta-feira pela agência estatal norte-coreana KCNA.
Acrescentou: “A nossa vontade de defender a soberania será expressa em ações ainda mais claras e nunca haverá qualquer mudança na via de reforço da dissuasão de guerra nuclear”.