Os comentários de Trump surgem poucos dias depois de ter anunciado que ordenou às forças norte-americanas que reduzissem os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, que, segundo ele, enviam um sinal "inadequado e hostil" a Pyongyang.
Presidente norte-americano Donald Trump afirmou esta quarta-feira que se vai reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ainda este ano, poucos dias depois de reduzir os exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul.
Trump avançou ainda com uma avaliação invulgarmente precisa das capacidades nucleares de Pyongyang, afirmando que o país dispõe agora de “57 armas nucleares muito poderosas”.
Trump respondia a perguntas de jornalistas sobre as recentes alusões a contactos com o líder norte-coreano, durante uma visita a um novo heliporto na Casa Branca.
Questionado sobre se os dois trocam cartas, recusou responder, mas afirmou que se dá “muito bem com ele”.
“E sabem que mais, o facto de eu me dar bem com ele é uma coisa boa, não uma coisa má. Ele tem 57 armas nucleares muito poderosas. Nunca se deveria ter permitido que isso acontecesse”, disse, acrescentando: “Se eu fosse presidente, não teria permitido. Mas ele tem-nas”.
“Conheço muito bem Kim Jong-un e ele vai ficar bem”, continuou. “Enquanto tivermos um presidente inteligente, ele vai ficar bem. Se tivermos um presidente estúpido, então provavelmente já não vai ficar tão bem”.
Trump não avançou mais detalhes sobre o encontro previsto com Kim, que será o primeiro desde o primeiro mandato de Trump na Casa Branca.
Declarações do presidente surgem poucos dias depois de ter anunciado que ordenara às forças norte-americanas a redução de “dispendiosos” exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, que considerou enviarem para Pyongyang um sinal “inadequado e hostil”.
Num texto publicado na Truth Social a anunciar a decisão, Trump descreveu a Coreia do Norte como um “país que, enquanto Donald J. Trump tem sido presidente, não tem representado uma ameaça e tem sido respeitoso”.
Coreia do Norte: programa nuclear em rápida expansão
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) afirmou, em abril, que a Coreia do Norte está a revelar um “aumento muito sério” da sua capacidade de produzir armas nucleares.
Falando em Seul, Rafael Grossi, diretor-geral da agência, afirmou que o programa nuclear de Pyongyang é estimado em “algumas dezenas de ogivas”.
“Conseguimos confirmar que há um aumento rápido na operação do reator de 5 megawatts de Yongbyon”, acrescentou Grossi, indicando que a agência observou também um reforço da atividade operacional na unidade de reprocessamento do reator, bem como “a ativação de outras instalações”.
“Todos estes elementos apontam para um aumento muito sério das capacidades da RPDC na área das armas nucleares”, disse.
Em julho, os meios de comunicação estatais norte-coreanos noticiaram que Pyongyang prometera ainda reforçar a força nuclear “em qualidade e quantidade”, enquanto Kim salientava a necessidade de um exército forte para garantir a “verdadeira paz”.
Coreia do Norte realizou seis testes nucleares confirmados desde 2006.