As ações negociavam-se mistas na manhã de quinta-feira, enquanto investidores digeriam as recentes oscilações do petróleo e das obrigações dos EUA
Antes da abertura das bolsas europeias, o índice de referência Nikkei 225 do Japão avançou 1,3% na negociação da manhã, para 65 883,41 pontos, com alguns fabricantes de semicondutores a beneficiarem do recente interesse na inteligência artificial. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,7% para 8 700,50.
Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,5% para 24 715,95, enquanto o índice composto de Xangai desceu 0,8% para 3 902,33. A negociação esteve suspensa na Coreia do Sul devido ao feriado das colheitas de outono de Chuseok.
No mercado energético, o crude de referência dos EUA caiu 0,82%, para 91,40 dólares por barril. O Brent, padrão internacional, recuou 0,83%, para 102,22 dólares o barril.
O preço do Brent continua muito acima dos cerca de 72 dólares que custava antes do início da guerra com o Irão, e os receios são elevados de que o conflito mantenha o petróleo retido no Médio Oriente durante muito tempo. Prosseguem conversações mediadas entre responsáveis dos EUA e do Irão, mas ainda não surgiu nada de concreto.
Estados Unidos: mercado obrigacionista aumenta pressão sobre Wall Street
Durante a noite, Wall Street foi pressionada pelo mercado de dívida dos EUA depois de um relatório surpreendentemente forte sobre a economia ter agravado os receios de inflação.
O índice S&P 500 caiu 0,8% após ter terminado a sessão anterior apenas 0,4% abaixo do recorde registado no mês passado. O Dow Jones Industrial Average perdeu 352 pontos, ou 0,7%, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,1% face ao seu próprio máximo histórico.
A rendibilidade da Obrigação do Tesouro a 10 anos subiu para 5,10%, vinda de 4,96%, um movimento considerável para o mercado obrigacionista. Juros elevados penalizam os preços das ações e de outros investimentos e, ao tornar o crédito mais caro para todos, ajudam a travar a economia.
O salto de quarta-feira levou temporariamente a rendibilidade a 10 anos perto de 5,14%, voltando a níveis de 2007, antes de a crise financeira global ter feito desabar as taxas. As rendibilidades aceleraram nas últimas semanas devido a preocupações com a inflação elevada, o pesado endividamento do governo dos EUA e outros fatores.
Os receios de inflação ganharam novo impulso depois de um relatório preliminar indicar que a atividade das empresas nos EUA disparou para o nível mais forte em mais de cinco anos.
A inflação norte-americana tem-se mantido teimosamente alta, ao ponto de a Reserva Federal ter aumentado na semana passada a sua taxa de juro de curto prazo pela primeira vez em três anos. O governador da Fed Michael Barr afirmou num discurso esta semana que novos aumentos “são provavelmente necessários” para trazer a inflação até à meta de 2% da Fed.
Embora o Banco do Japão tenha recentemente aumentado a taxa de juro de referência para travar a queda do iene, a decisão já vinha a ser antecipada há semanas. Assim, o iene ainda não recuperou de forma significativa. Um iene fraco é uma desvantagem para o Japão, que importa petróleo, numa altura em que os preços do crude estão a disparar.
No mercado cambial, o dólar dos EUA desvalorizou ligeiramente para 157,94 ienes, face a 158,30 ienes. O euro estava a valer 1,1382 dólares, praticamente inalterado em relação aos 1,1388 dólares.
No conjunto, o S&P 500 desceu 58,61 pontos, para 7 706,03. O Dow perdeu 352,10 pontos, terminando em 51 511,59, e o Nasdaq Composite recuou 308,24 pontos, para 26 936,04.