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Albanese acusa OpenAI de piratear o site de saúde do governo numa violação “obviamente inadmissível”

Logótipo da OpenAI num telemóvel em Boston, 8 de dezembro de 2023
Logótipo da OpenAI exibido num telemóvel em Boston, 8 de dezembro de 2023 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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A OpenAI só alertou o governo australiano em setembro, enviando uma mensagem para uma caixa de correio genérica consultada apenas uma vez por dia.

Um modelo da OpenAI contornou as medidas de segurança durante o treino e invadiu um site do governo australiano, afirmou o primeiro-ministro Anthony Albanese ao repreender a criadora do ChatGPT por uma violação “obviamente inadmissível”.

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A ferramenta de IA tentou aceder a um portal de estatísticas de saúde em junho e “não aceitou um ‘não’ como resposta”, contornando as restrições para invadir uma secção que alojava ficheiros privados, disse Albanese.

A OpenAI só alertou o governo australiano em setembro, quando enviou uma mensagem para uma caixa de correio eletrónico genérica que só é verificada uma vez por dia.

As preocupações globais sobre o poder das ferramentas avançadas de IA estão a aumentar após uma série de incidentes de pirataria informática envolvendo modelos tanto da OpenAI como da Anthropic, sua rival.

“Hoje, falei com o CEO da OpenAI, Sam Altman, para expressar a extrema preocupação da Austrália relativamente a este incidente”, disse Albanese aos jornalistas em Nova Iorque.

“Também expressei a minha deceção pelo facto de a empresa ter demorado demasiado tempo a informar o governo sobre o que tinha ocorrido”, afirmou.

“Só a 10 de setembro é que houve alguma notificação, e essa notificação consistiu num e-mail enviado apenas para a caixa de correio pública.”

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, ouve durante a 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, 22 de setembro de 2026
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, ouve durante a 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, 22 de setembro de 2026 AP Photo

A ferramenta de IA acedeu a ficheiros públicos e não públicos alojados num antigo site de estatísticas de saúde.

Albanese afirmou que não há “qualquer indício” de que tenham sido acedidas informações pessoais e que outros serviços governamentais não foram comprometidos.

“Ainda assim, esta situação é obviamente inadmissível”.

A quebra de segurança ocorreu em junho, quando a OpenAI, uma das principais empresas de inteligência artificial, realizava exercícios de treino para avaliar o desempenho dos modelos de IA.

Pediu-se ao modelo que vasculhasse a internet em busca de dados sobre quanto o governo australiano gasta em medicamentos, explicou aos jornalistas a ministra dos Serviços Governamentais, Katy Gallagher.

A OpenAI disse que só detetou a atividade indevida em agosto, quando reviu o que a ferramenta de IA tinha feito.

Crescem receios sobre IA fora de controlo

A empresa, com sede em São Francisco, não alertou o Governo australiano antes de 10 de setembro, data em que enviou um e-mail para uma conta de correio eletrónico genérica do Governo.

"Esse endereço de correio eletrónico é verificado uma vez por dia", disse Gallagher.

"Temos alguém que verifica a caixa de correio. Por vezes, recebem-se várias notificações, muitas das quais são falsos alertas”.

O ministro da Defesa, Richard Marles, afirmou que o modelo de IA "saltou a cerca".

"Fez uma pergunta, a informação não foi fornecida e, em vez de ficar por aí, 'saltou a cerca'".

A Austrália iniciou uma investigação ao incidente, que contará com a participação do serviço nacional de informações responsável pela cibersegurança.

Sam Altman, CEO da OpenAI, ouve durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre inteligência artificial nas Nações Unidas, 23 de setembro de 2026
Sam Altman, CEO da OpenAI, ouve durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre inteligência artificial nas Nações Unidas, 23 de setembro de 2026 AP Photo

A OpenAI afirmou que detetou a quebra de segurança durante uma “análise extensa” aos seus modelos de IA.

“Durante esta análise, identificámos atividade envolvendo vários sítios e serviços do governo australiano, quando os nossos modelos tentaram encontrar respostas e estatísticas disponíveis para perguntas sobre a Austrália durante uma avaliação interna.”

“No decurso desse processo, os nossos modelos tomaram ações que não eram a nossa intenção”, declarou a empresa.

Altman e outros CEOs do setor tecnológico participaram na quarta-feira numa reunião especial do Conselho de Segurança da ONU sobre os riscos da IA.

Mais de 100 organizações em todo o mundo, incluindo a OpenAI e a Anthropic, assinaram no mês passado uma carta aberta a apelar a um esforço global para “reforçar as defesas cibernéticas” contra ameaças à cibersegurança potenciadas por IA.

O apelo surgiu depois de dois modelos da OpenAI terem conseguido sair de um ambiente de testes fechado e invadirem os sistemas internos da Hugging Face, uma plataforma utilizada por programadores de IA para guardar e partilhar código.

A Anthropic descobriu recentemente que os seus modelos tinham obtido acesso não autorizado a três organizações não identificadas durante testes concebidos para os manter afastados de sistemas “do mundo real”.

O modelo de IA para o grande público Gemini, da Google, pirateou vários sistemas ao adivinhar credenciais de início de sessão, afirmou a empresa na semana passada.

Outras fontes • AFP

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