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Desagrado com Musk entre os fatores que levam à queda dos lucros da Tesla

Elon Musk, diretor executivo da Tesla - foto de arquivo
Elon Musk, diretor executivo da Tesla - foto de arquivo Direitos de autor  AP Photo
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De Tina Teng
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Receitas caíram 20% face ao ano anterior. Entre as causas estão o desagrado com Musk, a reorganização das fábricas e fatores sazonais. A empresa também enfrenta desafios na cadeia de abastecimento e nos custos relacionados com a guerra comercial entre os EUA e a China.

A Tesla registou uma descida acentuada, em termos homólogos, dos lucros do primeiro trimestre, devido a uma queda das entregas, em parte associada ao envolvimento político do presidente executivo Elon Musk. As receitas e os resultados líquidos ficaram muito aquém das expectativas dos analistas, uma vez que a readaptação das fábricas para novos modelos e a incerteza macroeconómica reduziram a procura.

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Apesar dos resultados dececionantes, as ações da Tesla subiram mais de 5% nas negociações após o expediente, no contexto de uma recuperação mais ampla nos mercados de ações desencadeada pelas declrações do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que disse não ter intenção de demitir o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell. No entanto, as ações da Tesla continuam a cair 34% no acumulado do ano, o que a deixa como a empresa com o pior desempenho entre as chamadas "Sete Magníficas" do setor tecnológico no mercado bolsista norte-americano.

Queda a pique

Nos primeiros três meses do ano, a receita da Tesla no setor automóvel caiu 20% na comparação anual para 14 mil milhões de dólares (12,3 mil milhões de euros), enquanto o lucro por ação caiu 40% para 0.27 dólares (0.24 euros). A receita total diminuiu 9% em relação ao ano anterior, para 19,3 mil milhões de dólares (17 mil milhões de euros). Enquanto isso, a receita de produção e armazenamento de energia aumentou 67%.

No seu relatório, a empresa atribuiu o declínio da receita à redução das entregas de veículos, "em parte devido à atualização do Modelo Y em todas as quatro fábricas de veículos, redução do preço médio de venda do veículo devido ao mix e incentivos de vendas" e impactos cambiais negativos. No entanto, o crescimento dos serviços de produção e armazenamento de energia, juntamente com o aumento da receita de crédito regulatório, ajudou a compensar parcialmente a queda.

A Tesla entregou 336.681 veículos no primeiro trimestre, uma queda de 13% em relação ao ano anterior, naquele que é o trimestre mais fraco desde 2022. É importante notar que, na Tesla, o primeiro trimestre é normalmente o mais fraco em termos sazonais.

Enquanto o segmento de energia continuou seu crescimento constante, espera-se que as restrições de fornecimento e as tarifas afetem a produção de baterias. "A Megafactory Shanghai será um ativo importante para atender à procura global de armazenamento de energia durante um período de estrutura de custos incerta nos EUA", referiu a empresa. O diretor financeiro, Vaibhav Taneja, afirmou, em conferência de imprensa, que o impacto das tarifas no negócio da energia é "desproporcionado" porque a China fornece a maioria das células de bateria. As células fabricadas nos EUA representam apenas uma pequena proporção do segmento, enquanto o abastecimento por parte de fornecedores não chineses "levará tempo".

Musk aborda a reação política

A marca Tesla tem estado sob pressão devido à atividade política de Musk, tanto a nível nacional como internacional. Ocorreram protestos à porta dos espalos de exposição da Tesla nos EUA, na Europa e na Austrália. O apoio de Musk ao partido de extrema-direita alemão AfD e o seu envolvimento no aconselhamento de Trump relativamente a grandes cortes nos postos de trabalho do governo federal suscitaram críticas generalizadas.

O diretor financeiro da tesla disse que "o impacto negativo do vandalismo e da hostilidade injustificada" em relação à marca em certos mercados tinha pesado nas entregas. Musk afirmou - sem provas - que os manifestantes estavam a ser pagos com "dinheiro fraudulento" e eram "beneficiários de uma generosidade esbanjadora".

Musk confirmou que o tempo que passa no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) vai diminuir "significativamente" a partir de maio. Musk planeia dedicar "um ou dois dias por semana" à sua função governamental. "Enquanto o Presidente quiser que eu o faça", afirmou. Num evento no Wisconsin, no início deste mês, Musk disse que o seu trabalho no governo federal estava a custar-lhe muito. Reafirmou também o seu apoio a "estruturas tarifárias previsíveis, ao comércio livre e à redução das tarifas" e afirmou ter aconselhado o presidente dos EUA. No entanto, deixou claro: "Eu não sou o presidente".

Robotaxi e Optimus

Elon Musk já tinha adiantado que o Full Self-Driving (FSD) não supervisionado seria lançado na Califórnia e no Texas em junho. O serviço também está programado para estrear em Austin e contará com o Modelo Y equipado com um "conjunto de parâmetros localizados". Musk afirma agora que o serviço Robotaxi da Tesla estará disponível em várias cidades ainda este ano.

Além disso, o empresário referiu que a produção do Optimus, o robô humanóide alimentado por Inteligência Artificial (IA) da Tesla, foi afetada por problemas de fornecimento de ímanes, o que pode levar a atrasos. A China impôs recentemente restrições às exportações de matérias-primas de terras raras em retaliação às tarifas de Trump, à medida que a guerra comercial EUA-China se intensifica. A Tesla tinha anteriormente como objetivo produzir vários milhares de robôs Optimus este ano.

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