Com a Comissão Europeia a oferecer garantias aos Estados preocupados com os seus agricultores, os 27 ministros da UE reunir-se-ão na quarta-feira para uma discussão "política" antes da votação do acordo comercial na sexta-feira.
É mais uma semana crucial para o controverso acordo do Mercosul. Os ministros da Agricultura da União Europeia (UE) vão reunir-se na quarta-feira para conversações políticas fundamentais que poderão levar à votação do acordo na sexta-feira.
Um diplomata da UE disse à Euronews que a reunião, que está a ser organizada pela Comissão Europeia, contará com a presença do comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, do comissário da Agricultura, Christophe Hansen, e do comissário da Saúde e Bem-Estar Animal, Olivér Várhelyi.
Juntos, deverão dar "esclarecimentos" sobre a continuação do apoio ao rendimento dos agricultores no próximo orçamento da Política Agrícola Comum.
O acordo, que visa criar uma zona de comércio livre com a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, esteve no centro de acesas discussões na cimeira da UE de dezembro.
Os Estados que apoiam a parceria - liderados pela Alemanha e Espanha - têm insistido numa aprovação rápida para aceder a novos mercados numa altura de tensões geoeconómicas, enquanto Itália e França conseguiram adiar uma votação crucial para proteger os seus agricultores, que receiam não poder competir com as importações provenientes da América Latina.
Dependendo do resultado das conversações desta semana, a reunião dos ministros da agricultura da UE poderá abrir a porta a uma votação do acordo com o Mercosul na sexta-feira. Para ser aplicado, o acordo necessita do apoio de uma maioria qualificada dos Estados-Membros da UE.
Dia da decisão aproxima-se novamente
Entre os pontos da ordem de trabalhos de quarta-feira figuram os limites dos pesticidas que podem ser contidos nos produtos importados para a UE, com a França a exigir que o acordo inclua a reciprocidade das normas de produção.
Há várias semanas que França enfrenta uma crise agrícola, com os agricultores a protestarem contra o acordo com o Mercosul e a forma como o governo tem tratado a doença da pele nodular, um vírus contagioso que afeta o gado.
Numa carta enviada no domingo, o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu pediu à UE que reforçasse os controlos nas fronteiras dos produtos que não respeitam as normas sanitárias e fitossanitárias da UE.
O governo francês anunciou também que iria emitir uma ordem para suspender as importações da América Latina que contenham resíduos de pesticidas proibidos na UE.
Esta medida, no entanto, requer a autorização da Comissão Europeia. A pressão de Paris já levou a Comissão a propor uma salvaguarda para reforçar o controlo do mercado europeu, a fim de evitar perturbações inesperadas.
Essa legislação foi objeto de um acordo entre o Parlamento Europeu e o Conselho da UE e deverá ser aprovada pelos 27 Estados-Membros na sexta-feira, durante uma reunião de embaixadores da UE.