Trabalhar em vários países melhora adaptação, confiança e inteligência cultural. No Mercado Único Europeu, 17% dos candidatos têm experiência internacional e experimentam a vida longe de casa.
A oportunidade de trabalhar no estrangeiro molda fortemente as carreiras, com os trabalhadores a desenvolverem competências que talvez não aprofundassem em casa. Graças ao estatuto da Europa enquanto mercado único, o número de pessoas que trabalharam no estrangeiro é relativamente elevado, mas onde na Europa é que os trabalhadores têm mais experiência internacional?
A plataforma de emprego Indeed define “trabalhadores com mobilidade internacional” como aqueles que têm pelo menos uma experiência de trabalho num país diferente do seu atual país de residência.
No final de 2025, 16,7% dos candidatos a emprego no mercado único tinham experiência internacional no currículo, segundo a plataforma de emprego Indeed. Em comparação, apenas cerca de 5,1% dos trabalhadores nos Estados Unidos tinham mobilidade internacional.
“A elevada proporção de trabalhadores com mobilidade internacional na Europa reflete tanto as políticas que apoiam a mobilidade como o valor atribuído à experiência profissional transfronteiriça”, disse Sneha Puri, analista de políticas migratórias na Indeed.
Os dados da Indeed abrangem oito países europeus, um dos quais já não integra o mercado único, e a proporção de experiência internacional varia bastante entre eles.
Suíça e Irlanda: economias relativamente pequenas
A Suíça regista a maior proporção de experiência profissional no estrangeiro, com mais de metade dos candidatos a emprego (51%) a referirem ter trabalhado fora. Na Irlanda, o valor é superior a dois em cada cinco (42%). Ambos são casos atípicos.
“Economias relativamente pequenas (em número de pessoas na força de trabalho), como a Suíça e a Irlanda, podem parecer ter parcelas desproporcionadamente elevadas de trabalhadores com mobilidade internacional, porque até entradas modestas representam uma percentagem maior da sua força de trabalho total”, afirmou Puri à Euronews Business.
A Alemanha surge em terceiro, com um quarto dos candidatos a emprego com experiência profissional no estrangeiro. Em Espanha e no Reino Unido, a proporção supera igualmente um em cada cinco candidatos.
A experiência profissional no estrangeiro fica acima da média do mercado único nos Países Baixos e em França.
Proximidade geográfica e dimensão das economias
Sneha Puri salientou que há vários fatores que explicam as variações no nível de mobilidade internacional dos trabalhadores na Europa.
“A proximidade geográfica desempenha um papel importante nos movimentos dentro do mercado único. Os países próximos de vários grandes mercados de trabalho tendem a registar mais mobilidade transfronteiriça e a facilitar a mobilidade dentro do mercado único”, disse.
Por exemplo, os trabalhadores com mobilidade internacional na Suíça podem muito facilmente ser oriundos de um dos muitos países vizinhos, como Áustria, França, Alemanha, Itália e Liechtenstein.
Puri explicou que alguns países europeus também atraem mais migrantes intercontinentais do que outros, seja por terem mais multinacionais, seja por receberem mais estudantes internacionais.
Sobre a Suíça e a Irlanda, acrescentou: “Por fim, e talvez um dos fatores mais relevantes, está o número efetivo de trabalhadores na economia.”
Candidatos europeus olham para lá das fronteiras
Os dados da Indeed mostram que os candidatos a emprego no mercado único europeu procuram cada vez mais oportunidades fora dos seus países de origem, tanto dentro do bloco como além dele. Esse interesse divide-se em duas categorias.
O interesse dentro do mercado único refere-se a pesquisas de emprego feitas por trabalhadores de um país-membro para funções noutro país-membro.
O interesse para fora capta pesquisas feitas por candidatos nos países-membros por empregos em países terceiros.
As duas percentagens foram aproximadamente iguais até meados de 2024, situando-se sobretudo entre 2% e 4%. Desde dezembro de 2024, contudo, o interesse para fora começou a aumentar, atingindo um pico de 7,2% em outubro de 2025. O interesse dentro do mercado único mantém-se nos 5,4%.
Os Estados Unidos e o Reino Unido são os principais destinos fora do mercado único europeu para pesquisas de emprego para fora. Em 2025, concentraram 40,5% e 30,4% dessas pesquisas, respetivamente, sendo a Alemanha o principal país de origem para ambos os destinos.
O Reino Unido saiu do mercado único após o Brexit no final de 2020.