O prazo para a entrega de propostas para a privatização da TAP terminou às 17:00 desta quinta-feira. Grupo IAG, dono da Iberia e British Airways, ficou de fora.
A TAP está em processo de privatização e as empresas interessadas tinham até às 17:00 desta quinta-feira para a apresentação de propostas não vinculativas para ficar com uma parcela minoritária da empresa.
Sabe-se agora que os únicos grupos que apresentaram propostas foram o Air France-KLM e o grupo Lufthansa. A IAG, dona de companhias aéreas como a Iberia e a British Air-ways, acabou por não apresentar nenhuma proposta, segundo avançou o ECO.
O grupo Air France-KLM foi a primeira empresa a confirmar uma proposta para a aquisição de uma participação minoritária na companhia aérea portuguesa.
A proposta não vinculativa foi entregue esta quinta-feira, 2 de abril, anunciou o grupo franco-neerlandês em comunicado.
Também o grupo Lufthansa já entregou à Parpública a oferta não-vinculativa para a aquisição de uma posição minoritária na privatização da companhia aérea portuguesa, segundo confirmou fonte oficial da empresa ao ECO.
Air France-KLM avança com proposta
Na nota, a companhia destaca que tem uma "vasta experiência a trabalhar com acionistas estatais. Acreditamos que esta experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da aviação para uma nação".
Assegurando que não colocará em risco a manutenção do centro operacional de Lisboa — uma das principais preocupações dos partidos políticos que se opõem à venda —, Benjamin Smith, o presidente executivo da Air France-KLM, refere, citado no comunicado, que a ambição da empresa "é fortalecer as operações em Lisboa" enquanto desenvolve "conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto".
"Graças à sua posição geográfica ideal, Lisboa tornar-se-ia o único hub do Grupo no sul da Europa, oferecendo uma ampla conectividade com as Américas - incluindo o Brasil, um mercado chave para a TAP e a Air France-KLM, bem como para África", lê-se na mesma nota.
A empresa franco-neerlandesa diz que "privilegia a cooperação dentro de um enquadramento claro, concebido para maximizar as sinergias económicas e operacionais". "Este modelo permitiria à TAP beneficiar plenamente de uma integração suave num grupo de maior dimensão, robusto, com economias de escala e um alcance global, reforçando a sua competitividade. Esta cooperação estender-se-ia a todas as áreas de negócio e incluiria um foco na descarbonização — uma prioridade estratégica fundamental para a Air France-KLM".
A Air France-KLM alega ainda ter um "histórico claro na preservação e crescimento de marcas históricas e quer permitir que a TAP se mantenha fiel à sua herança portuguesa, ao mesmo tempo que potencia a sua identidade distintiva no cenário global. Isto reforçaria o crescimento sustentável da TAP e o desenvolvimento regional em Portugal".
Lufthansa também avança
Também a Lufthansa decidiu avançar com "uma oferta não vinculativa pela TAP Air Portugal", segundo informou o jornal ECO.
Esta semana, a empresa já tinha informado que iria permanecer na corrida pelos 44,9% do capital da TAP, defendendo que é o parceiro com maior capacidade para desenvolver a companhia aérea portuguesa.
As duas propostas seguem de acordo com o esperado pelo governo português, que aguardou até ao fim do prazo por uma eventual proposta da IAG, dona da Iberia e British Airways.
As dúvidas sobre o interesse da IAG surgiram após notícias avançadas pela Bloomberg darem conta de que o grupo, um dos maiores do mundo a deter companhias aéreas, poderia não avançar com uma proposta, apesar de ter chegado a manifestar interesse.