Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft superam previsões de lucros, mas Alphabet destaca-se: ações sobem 7% após o fecho graças ao forte crescimento na cloud
Quatro das maiores empresas tecnológicas do mundo, a Alphabet Inc., a Amazon.com Inc., a Meta Platforms Inc. e a Microsoft Corporation, divulgaram na quarta-feira resultados trimestrais sólidos, impulsionados pelo rápido crescimento da inteligência artificial e da computação na cloud.
O crescimento da IA e dos serviços digitais está a tornar-se um motor central da economia mundial, numa altura em que aumentam os receios de que a expansão global possa abrandar, em parte devido à subida dos custos de energia ligada à guerra no Irão.
A economia digital, que inclui publicidade, computação na cloud e comércio eletrónico, já representa cerca de 15% do PIB mundial, ou aproximadamente 16 biliões de dólares (14,7 biliões de euros), segundo o Banco Mundial.
Os resultados do primeiro trimestre das quatro empresas superaram todas as expectativas, dando aos investidores uma visão mais clara do ritmo da despesa em IA e do crescimento da cloud no setor.
O lucro da Alphabet aumentou 81%, com os investimentos em IA da Google a impulsionarem as receitas e a empurrarem o valor de mercado da empresa para perto dos 4,5 biliões de dólares (4,14 biliões de euros). A Amazon registou uma forte procura pelos seus serviços de cloud, enquanto a Meta superou as previsões mas aumentou os planos de investimento, o que deixou os investidores inquietos. A Microsoft também apresentou resultados melhores do que o esperado.
Em conjunto, os números evidenciam tanto os benefícios como o aumento dos custos da corrida da indústria tecnológica para liderar na IA.
Alphabet vê lucros do primeiro trimestre disparar com apostas em IA da Google a levarem ações a novos máximos
A aposta da Google na inteligência artificial continua a dar frutos para a sua empresa-mãe, a Alphabet Inc., que registou mais um trimestre de forte crescimento, ajudando a mais do que duplicar o já elevado valor de mercado no último ano.
A Alphabet registou lucros de 62,6 mil milhões de dólares (57,6 mil milhões de euros), o equivalente a 5,11 dólares por ação, no período de janeiro a março, uma subida de 81% face ao ano anterior. As receitas aumentaram 22%, para 109,9 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros). Ambos os valores ficaram muito acima das previsões dos analistas.
Como é habitual, a publicidade digital, impulsionada pelo motor de busca dominante da Google, liderou o crescimento. As receitas publicitárias subiram 16% face ao ano anterior, o quarto trimestre consecutivo com aumentos superiores a 10%.
A divisão que mais cresce continua a ser a área Cloud da Google, impulsionada pela procura ligada à IA. As receitas nessa unidade aumentaram 63%, para 20 mil milhões de dólares (18,4 mil milhões de euros), apoiadas em contratos com clientes empresariais e organismos públicos, incluindo os militares dos Estados Unidos.
Este crescimento sugere que o forte investimento da Alphabet em IA está, para já, a compensar, embora os investidores continuem preocupados com a possibilidade de a empresa e os seus rivais estarem a gastar demasiado numa tecnologia ainda emergente.
O preço das ações da Alphabet subiu mais de 7% nas transações após o fecho, colocando o título a caminho de um novo máximo na sessão de quinta-feira. O valor de mercado da empresa ronda atualmente os 4,2 biliões de dólares (3,86 biliões de euros), acima dos 1,9 biliões de dólares (1,75 biliões de euros) registados há um ano. Se a tendência continuar, poderá aproximar-se dos 4,5 biliões de dólares (4,14 biliões de euros), acrescentando mais de 250 mil milhões de dólares (230 mil milhões de euros) em valor para os acionistas num só dia.
Estes ganhos não estão a ser acompanhados por alguns dos outros grandes investidores em IA. A Microsoft e a Meta Platforms viram ambas as suas ações recuar nas transações após o fecho, com a Meta a cair cerca de 7% depois de apresentar uma estratégia de investimento que suscitou dúvidas entre os investidores. As ações da Microsoft também recuaram temporariamente, apesar de os resultados terem superado as previsões.
Meta supera previsões de receitas e revê em alta gastos
A Meta Platforms apresentou resultados do primeiro trimestre acima do esperado, com forte crescimento dos lucros e das receitas, mas aumentou igualmente os planos de despesa.
A empresa registou lucros de 26,8 mil milhões de dólares (24,6 mil milhões de euros), ou 10,44 dólares por ação, uma subida de 61% face aos 16,64 mil milhões de dólares (15,3 mil milhões de euros) de há um ano. As receitas aumentaram 33%, para 56,31 mil milhões de dólares (51,8 mil milhões de euros).
“Tivemos um trimestre marcante, com um forte dinamismo em todas as nossas aplicações e o lançamento do nosso primeiro modelo do Meta Superintelligence Labs”, afirmou o presidente executivo, Mark Zuckerberg. “Estamos no bom caminho para levar uma superinteligência pessoal a milhares de milhões de pessoas.”
A Meta indicou que 3,56 mil milhões de pessoas utilizaram pelo menos uma das suas aplicações diariamente em março, ligeiramente abaixo de dezembro, em parte devido a interrupções da internet no Irão e a restrições na Rússia.
A empresa antecipa receitas entre 58 e 61 mil milhões de dólares (53,4 a 56,1 mil milhões de euros) no segundo trimestre, face à estimativa dos analistas de 59,48 mil milhões de dólares (54,7 mil milhões de euros).
A empresa elevou a previsão de investimento em capital para este ano para um intervalo entre 125 e 145 mil milhões de dólares (115 a 133 mil milhões de euros), acima dos 115 a 135 mil milhões anunciados anteriormente.
A Meta afirmou que está a reduzir cerca de 10% da força de trabalho, o que corresponde a aproximadamente 8 000 postos de trabalho, enquanto aumenta o investimento em infraestruturas e talento na área da IA.
Microsoft regista subida constante dos lucros
A Microsoft também divulgou resultados trimestrais melhores do que o esperado, com o lucro líquido a subir 23%, para 31,8 mil milhões de dólares (29,2 mil milhões de euros), impulsionado pela procura contínua pelos seus serviços de cloud e de IA.
As receitas aumentaram 18%, para 82,9 mil milhões de dólares (76,3 mil milhões de euros), com o crescimento da Microsoft Cloud e do Azure a compensar a fraqueza no hardware e nos videojogos.
A empresa indicou aos investidores que o investimento em capital deste ano deverá atingir 190 mil milhões de dólares (163 mil milhões de euros), um aumento superior a 60% face à despesa do ano passado.
A Microsoft espera que o crescimento continue no próximo trimestre, apoiado na forte procura por serviços de cloud e de IA, em particular na plataforma Azure e no conjunto mais amplo de negócios Microsoft Cloud.
Lucros e vendas da Amazon no primeiro trimestre sobem com procura de serviços na cloud
A Amazon registou um forte aumento dos lucros e das vendas no primeiro trimestre, apoiado na crescente procura pelos seus serviços de computação na cloud.
As vendas na unidade de cloud aumentaram 28% entre janeiro e março, o ritmo mais rápido em 15 trimestres. Isto depois de crescimentos de 24% no trimestre anterior e de 20% no período imediatamente antes.
A empresa sediada em Seattle apresentou ainda uma perspetiva sólida para o trimestre em curso, acima das expectativas dos analistas. As ações caíram inicialmente quase 2% nas negociações após o fecho, antes de subirem cerca de 3%.
Os investidores acompanham se o investimento de 200 mil milhões de dólares (184 mil milhões de euros) da Amazon em IA, robótica, semicondutores e satélites começa a dar retorno. A despesa prevista é 60% superior aos 128 mil milhões de dólares (118 mil milhões de euros) do ano passado e tinha inicialmente deixado os investidores apreensivos.
O diretor executivo, Andy Jassy, tem defendido estes gastos, afirmando que visam retornos a longo prazo.
Os resultados mais recentes sugerem que a procura pelos serviços da Amazon continua robusta.
A posição da Amazon foi também reforçada por acordos recentes com a OpenAI, a Anthropic e a Meta.
A Amazon comunicou lucros de 30,3 mil milhões de dólares (27,9 mil milhões de euros), ou 2,78 dólares por ação, face aos 17,1 mil milhões de dólares (15,7 mil milhões de euros) registados há um ano.
As vendas líquidas aumentaram 17%, para 181,5 mil milhões de dólares (167 mil milhões de euros), acima do esperado.
A Amazon Web Services gerou 37,58 mil milhões de dólares (34,6 mil milhões de euros) em receitas, também acima das previsões.
Para o trimestre atual, a Amazon prevê vendas entre 194 e 199 mil milhões de dólares (178 a 183 mil milhões de euros), ligeiramente acima das projeções.