A empresa mais valiosa do mundo superou previsões com receitas a crescer 85%, mas a concorrência e a diversificação além da tecnologia fizeram as ações cair no pós-fecho.
Resultados trimestrais da Nvidia, fabricante de chips de inteligência artificial, voltam a superar as expectativas de Wall Street, sustentados pela forte procura pelos seus chips de IA topo de gama.
A empresa informou esta quarta-feira que registou um lucro líquido de 58,32 mil milhões de dólares (53,7 mil milhões de euros), ou 2,39 dólares por ação, no período de fevereiro a abril, acima dos 18,78 mil milhões de dólares (17,3 mil milhões de euros), ou 76 cêntimos por ação, do mesmo período do ano anterior. Excluindo itens pontuais, a Nvidia ganhou 1,87 dólares por ação.
As receitas aumentaram 85%, para 81,62 mil milhões de dólares (75,1 mil milhões de euros), face a 44,01 mil milhões de dólares (40,5 mil milhões de euros).
Em média, os analistas esperavam lucros de 1,75 dólares por ação e receitas de 78,91 mil milhões de dólares (72,6 mil milhões de euros), segundo um inquérito da FactSet. Os resultados da Nvidia têm vindo a superar as projeções dos analistas desde que, há três anos, os seus chips de topo se tornaram componentes centrais dos sistemas de IA.
"A construção de fábricas de IA, a maior expansão de infraestruturas da história da humanidade, está a acelerar a um ritmo extraordinário", afirmou em comunicado o CEO, Jensen Huang.
Apesar do aumento dos lucros e das receitas, os custos operacionais da Nvidia também subiram 49%, para 7,75 mil milhões de dólares (7,1 mil milhões de euros).
A empresa procura ainda diversificar a sua base de clientes, tentando depender menos dos grandes operadores de centros de dados numa altura em que governos e outros setores se tornam uma fonte mais importante de procura por chips de IA, noticiou a Bloomberg.
Isto acontece numa altura em que a concorrência se intensifica e os principais clientes desenvolvem alternativas internas.
Para o trimestre em curso, a Nvidia prevê receitas de cerca de 91 mil milhões de dólares (83,7 mil milhões de euros), enquanto os analistas apontam para 87,29 mil milhões de dólares (80,3 mil milhões de euros).
Apesar dos resultados e das perspetivas sólidas, muitos investidores mantêm cautela perante a possibilidade de uma desaceleração após um boom de três anos, durante o qual o valor de mercado da Nvidia disparou de 400 mil milhões de dólares (368 mil milhões de euros) no final de 2022 para 5,4 biliões de dólares (5 biliões de euros) esta quarta-feira.
As ações da empresa sediada em Santa Clara, na Califórnia, recuaram ligeiramente nas negociações após o fecho, para 222,12 dólares, depois de terem encerrado a 223,47 dólares na sessão regular.
"Vez após vez, a Nvidia destrói as expectativas e o consenso; entregou exatamente o que o mercado queria, sobretudo no que toca a centros de dados", afirmou David Wagner, responsável de ações e gestor de carteiras na Aptus Capital Advisors.
"Mas o mercado nem sempre reage como seria de esperar após um relatório tão forte como este."
A empresa anunciou ainda planos para devolver capital aos acionistas, ao autorizar um programa de recompra de ações de 80 mil milhões de dólares (73,6 mil milhões de euros) e ao aumentar o dividendo trimestral de 1 para 25 cêntimos por ação.