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Zona euro: subida dos juros do BCE concentra atenções com inflação alta nas quatro maiores

Presidente do BCE, Christine Lagarde, olha para os óculos durante conferência de imprensa após reunião do conselho de governadores em Frankfurt, Alemanha, 30 de abril de 2026
Christine Lagarde, presidente do BCE, olha para os óculos durante conferência de imprensa após reunião do conselho de governadores, em Frankfurt, Alemanha, 30 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Michael Probst
Direitos de autor AP Photo/Michael Probst
De Quirino Mealha
Publicado a
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Subiu a inflação nas maiores economias da UE em maio, impulsionada pela subida dos preços da energia, alimentando expectativas de que o BCE aumente as taxas de juro na reunião de junho

Os preços estão a subir mais depressa nas maiores economias da UE, segundo os primeiros dados de maio. Os números reforçam a expectativa crescente de que o Banco Central Europeu (BCE) vá subir as taxas de juro em junho.

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A taxa de inflação em França subiu para o nível mais alto em mais de um ano.

A taxa de inflação harmonizada da UE (IHPC), medida usada para comparar a inflação na zona euro, fixou-se em 2,8% em termos homólogos em maio, impulsionada pelo aumento dos preços da energia, em especial do gás natural, de acordo com os dados preliminares do instituto nacional de estatística, o INSEE.

Em cadeia, os preços aumentaram apenas 0,1% face a abril, o que reflete algum alívio dos custos energéticos ao longo do mês, embora se mantenham muito acima dos níveis de há um ano.

Ainda assim, é o valor mais elevado do IHPC desde fevereiro de 2024 e prolonga a forte aceleração face à taxa de 1,1% registada tão recentemente como em fevereiro.

Itália e Espanha: inflação acelera

Em Itália, a inflação também subiu de forma acentuada em maio, segundo os dados preliminares publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (ISTAT). A taxa harmonizada (IHPC) subiu para 3,3%, ligeiramente acima dos 3,2% esperados e dos 2,8% registados em abril.

Destaca-se a inflação dos bens, que acelerou para 3,5% face a 3,1%, enquanto a dos serviços subiu para 2,8% face a 2,4%. Em paralelo, a inflação subjacente, que exclui energia e alimentação, avançou para 1,8% face a 1,6%, sinal de que o encarecimento da energia começa a repercutir-se em categorias de preços mais amplas.

Em Espanha, a estimativa preliminar aponta para uma taxa harmonizada de 3,6% em termos homólogos em maio, em linha com as previsões e ligeiramente acima dos 3,5% de abril.

O instituto de estatística espanhol apontou o setor dos transportes como principal motor do índice geral de preços, refletindo custos dos combustíveis substancialmente acima dos de há um ano, num contexto de guerra no Irão em curso.

Alemanha: quadro misto

A Alemanha, pelo contrário, trouxe algum alívio.

A estimativa rápida coloca a taxa harmonizada em 2,6% em maio, abaixo dos 2,9% de abril e claramente aquém dos 2,8% esperados, fazendo dela a única das quatro maiores economias da zona euro onde a inflação geral abrandou este mês.

Já a inflação subjacente contou outra história, ao subir para 2,5% face a 2,3% em abril.

Para o BCE, o abrandamento da taxa geral na maior economia europeia dá pouco conforto enquanto a tendência subjacente continua a evoluir no sentido errado.

BCE enfrenta a questão de junho

Os dados que estão a ser divulgados esta semana chegam num momento crucial para o Banco Central Europeu, que realiza a próxima reunião de política monetária em 11 de junho.

O mercado dá praticamente como certa uma subida das taxas de juro e a ata da reunião de abril, divulgada na quinta-feira, mostrou que o Conselho do BCE está bem consciente do que está em causa.

No seu Relatório de Estabilidade Financeira semestral, o BCE afirmou que «um cenário de crescimento significativamente mais fraco, associado a um choque energético mais persistente, poderia desencadear uma reavaliação da sustentabilidade orçamental e uma reprecificação abrupta nos mercados de dívida soberana».

Os mercados de taxas de juro incorporam agora totalmente uma subida de 25 pontos base na reunião de junho, com duas subidas esperadas até setembro e uma probabilidade de 92% de uma terceira antes do final do ano.

A ata de abril revelou ainda um debate interno de tom claramente mais restritivo. Vários membros indicaram que a decisão de abril de manter as taxas foi renhida e que «não se teriam oposto a uma subida das taxas na própria reunião, se essa hipótese tivesse estado em cima da mesa».

Na sexta-feira, o governador do Banco de Itália e membro do Conselho do BCE, Fabio Panetta, voltou a assumir um tom restritivo, afirmando que a persistência da guerra no Irão e o risco de novas perturbações na oferta apontam para a necessidade de intervir.

O governador do Banco de Itália, Fabio Panetta, abandona a reunião do G20 em Washington, 16 de abril de 2026
O governador do Banco de Itália, Fabio Panetta, abandona a reunião do G20 em Washington, 16 de abril de 2026 AP Photo/Jose Luis Magana

«A evolução prospetiva parece exigir uma recalibração da orientação da política monetária para contrariar o risco de tensões inflacionistas persistentes», afirmou Panetta.

No entanto, o responsável do banco central frisou também que «continuar a não estar preso a um rumo pré-definido é essencial».

A ata salientou ainda que, embora as expectativas de inflação no curto prazo tenham subido de forma acentuada, a maioria dos indicadores de longo prazo continua em torno de 2%, o que dá alguma garantia de que o choque ainda não se enraizou.

O próprio inquérito do BCE aos consumidores mostrou que as expectativas de inflação a um ano dispararam para 4% em abril, face a 2,5% em março, enquanto as expectativas a cinco anos subiram apenas marginalmente, para 2,4% face a 2,3%.

É precisamente esse desfasamento entre as expectativas de curto e de longo prazo que uma subida de juros limitada e bem comunicada procura corrigir. Saber se um único movimento será suficiente dependerá dos dados que ainda vão chegar.

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