As ações da companhia low-cost subiram mais de 12% depois de a Castlelake ponderar uma oferta. Antes, os títulos da easyJet tinham caído cerca de 23% no último ano, devido à subida dos custos de combustível e à incerteza ligada às tensões no Médio Oriente
A companhia aérea britânica de baixo custo easyJet informou ter recebido manifestações de possível interesse numa oferta pública de aquisição por parte da gestora de investimento privado sediada nos Estados Unidos Castlelake, segundo um comunicado divulgado esta segunda-feira. As ações da companhia dispararam mais de 12% nas primeiras negociações após a notícia.
A Castlelake confirmou os rumores na sexta-feira, ao afirmar que se encontra "numa fase inicial de avaliação de uma eventual oferta" e sublinhar que ainda não abordou o conselho de administração da easyJet. "Não há qualquer certeza de que venha a ser apresentada uma oferta, nem sobre os termos de uma eventual proposta."
Num comunicado, a companhia aérea britânica referiu que "o Conselho tem claro o dever de procurar maximizar o valor para os acionistas e analisará qualquer proposta que venha a ser apresentada". No entanto, acrescentou que, "em qualquer avaliação, o Conselho será particularmente atento à valorização e exequibilidade da operação".
"Os maiores acionistas da easyJet dificilmente aceitarão uma oferta de compra a menos que o preço seja verdadeiramente irrecusável", afirmou Dan Coatsworth, responsável de mercados na AJ Bell.
Coatsworth considerou que a companhia atravessa o período mais desafiante desde a pandemia de COVID-19, sobretudo devido à subida do preço do combustível de aviação associada ao encerramento do estreito de Ormuz, na sequência do conflito que envolve o Irão.
O comunicado da companhia acrescenta: "O Conselho assinala o momento altamente oportunista, numa altura em que o preço das ações da easyJet está temporariamente penalizado pela atual situação no Médio Oriente e pelo impacto na confiança dos clientes e nos preços do combustível de aviação."
As ações da easyJet avançavam 12% para 445,80 pence em Londres, na manhã de segunda-feira. Nos últimos 12 meses, perderam 23% do seu valor, pressionadas pela subida dos custos com combustível e pelas perturbações nas viagens causadas pelos conflitos no Médio Oriente.
A easyJet acrescentou que continua "numa posição de força, suportada por um balanço com notação de investimento e uma posição líquida de caixa, bem como por elevados níveis de satisfação dos clientes e de envolvimento dos colaboradores", sublinhando estar muito confiante na sua estratégia e na capacidade de "gerar valor atrativo a longo prazo para os acionistas".
"O Conselho assinala os consideráveis desafios regulamentares, financeiros e de execução associados a uma eventual aquisição da easyJet."
"Há lógica no interesse da Castlelake no negócio, tendo em conta o seu histórico de investimentos ligados ao sector da aviação", comentou Coatsworth. "A grande incógnita é saber se pretende gerir a easyJet tal como está ou simplesmente vendê-la quando as condições de mercado melhorarem."
Ao abrigo das regras britânicas sobre ofertas públicas de aquisição, a Castlelake tem até 26 de junho para apresentar uma proposta formal pela easyJet ou anunciar que não pretende avançar.