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Transparência salarial: que países da UE estão preparados para as novas regras

Candidatos a emprego fazem fila para entrevistas numa feira de emprego do Departamento do Trabalho do Estado de Nova Iorque, em Brooklyn, em 8 de outubro de 2014
Candidatos a emprego alinham-se para entrevistas numa feira de emprego do Departamento do Trabalho de Nova Iorque, a 8 de outubro de 2014, em Brooklyn Direitos de autor  Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.
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De Servet Yanatma
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Milhões de europeus procuram empregos sem saber quanto vão ganhar. Novas regras da UE para aumentar a transparência e a igualdade salariais deviam aplicar-se até 7 de junho, mas a maioria dos estados-membros falhará o prazo.

Como saber se está a ser remunerado de forma justa? Em grande parte da Europa, os trabalhadores continuam a ter pouca informação sobre quanto pagam os empregos e como os seus salários se comparam com os de quem desempenha funções semelhantes.

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A Diretiva da UE sobre transparência salarial visa alterar esta realidade, obrigando os empregadores a serem mais transparentes sobre as remunerações e ajudando a reforçar o princípio de salário igual para trabalho igual.

A diretiva pretende contribuir para reduzir a diferença salarial de género na UE, que se situa nos 11%, o que significa que os ganhos horários brutos das mulheres são, em média, 11% inferiores aos dos homens, segundo o Eurostat.

Para muitas mulheres, não aplicar a diretiva pode ter um impacto direto no rendimento em cada ano.

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) estima que a falta de implementação da transparência salarial custará às mulheres pelo menos 4,8 mil milhões de euros por ano na UE, podendo subir para 7,2 mil milhões de euros, o equivalente a entre 465 e 700 euros por mulher anualmente.

Os países da UE têm de transpor as regras até 7 de junho de 2026, mas a maioria deverá falhar o prazo após um período de implementação de três anos.

Quais são, então, os países da UE que já transpuseram a Diretiva da Transparência Salarial? Qual é a situação mais recente dos que estão atrasados? E, no conjunto da Europa, que países apresentam as taxas mais elevadas de transparência salarial nos anúncios de emprego?

Seis países da UE ainda não avançaram

Segundo o acompanhamento da implementação realizado pela sociedade internacional de advogados Addleshaw Goddard, em maio de 2026 seis dos 27 países da UE ainda não tinham dado qualquer passo para transpor a diretiva. São eles Áustria, Bulgária, Croácia, Hungria, Luxemburgo e Portugal.

Em setembro de 2025, o número era de dez países.

A Suécia chegou a publicar uma proposta, mas o governo suspendeu-a por tempo indeterminado em março de 2026, alegando o pesado encargo administrativo que a diretiva representa para os empregadores.

Na Alemanha, prevê-se uma atualização da legislação em 2026. Na Chéquia, Finlândia, Grécia, Eslovénia e Espanha, esperam-se projetos de lei.

Dez países já publicaram projetos de lei

Dez países da UE já publicaram projetos de lei, embora em fases diferentes do processo. São Chipre, Dinamarca, Estónia, França, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Países Baixos e Roménia.

Três países, Bélgica, Malta e Polónia, transpuseram a diretiva apenas parcialmente.

Na Eslováquia, o Parlamento aprovou a Lei da Igualdade Salarial em 15 de abril de 2026, que entra em vigor em 7 de junho de 2026.

França enfrenta verdadeira incerteza

«Em França, é muito provável que o prazo de 7 de junho não seja cumprido. Isso cria uma verdadeira incerteza e, mesmo depois de a lei ser aprovada, elementos-chave terão ainda de ser definidos por decretos de aplicação separados, sem um calendário claro», afirmou Jérémie Paubel, sócio na área laboral em França na Addleshaw Goddard, à Euronews Business.

Sublinhou que a antecipação é decisiva: as empresas devem já mapear as categorias profissionais, auditar os seus sistemas e estruturas remuneratórias e detetar eventuais disparidades, mas, sobretudo, acompanhar de perto o processo legislativo.

Alemanha: o que vai acontecer

«O incumprimento dos prazos de transposição não cria uma pausa legal clara. Cria um período de transição em que as empresas podem ainda não dispor de regras internas precisas, mas em que tribunais, trabalhadores e conselhos de empresa já olham para a direção traçada pela Diretiva», afirmou Marijke Van der Most, sócia na área laboral na Alemanha na Addleshaw Goddard, à Euronews Business.

Realçou que a dificuldade para os empregadores não é apenas o facto de a lei alemã chegar tarde. É terem de tomar decisões salariais, responder a perguntas dos trabalhadores e preparar litígios numa fase em que a fasquia futura já é visível, mas o quadro jurídico interno ainda não está completo.

Transparência salarial nos anúncios de emprego

Segundo a plataforma global de recrutamento Indeed, a transparência salarial nos anúncios de emprego tem vindo a aumentar de forma constante em muitos países europeus.

Em março de 2026, o Reino Unido apresentava a taxa mais elevada, 56%, embora fosse de 65% em maio de 2025.

Países Baixos (48%) e França (43%) ultrapassam os 40%. Irlanda (39%) e Itália (36%) surgem logo a seguir, com a Itália a registar uma melhoria significativa face aos 23% de maio de 2025.

Já Espanha e Alemanha surgem no fundo da tabela, com informação salarial em apenas 17% e 12% dos anúncios de emprego, respetivamente.

Os dados da Indeed mostram também que a maioria dos países da UE deverá falhar o prazo de transparência salarial. A análise do Indeed Hiring Lab evidencia as consequências reais para os trabalhadores e para as economias, incluindo a persistência da diferença salarial entre homens e mulheres.

Trabalhadores candidatam-se às cegas

A Indeed sublinha que os atrasos deixam a maioria dos trabalhadores europeus a candidatar-se a empregos sem saber quanto pagam.

«A remuneração é o fator mais importante para explicar por que motivo as pessoas procuram um novo emprego. Ainda assim, em toda a Europa, é precisamente o elemento mais omitido nos anúncios. Os trabalhadores candidatam-se às cegas e a nossa investigação mostra que as consequências são mais profundas e variadas do que pensávamos», afirmou Lisa Feist, economista do mercado de trabalho da UE no Indeed Hiring Lab.

«Apesar destas implicações negativas, existe uma oportunidade para os empregadores que optem pela transparência. Quem agir desde já pode reforçar a confiança dos candidatos, melhorar a qualidade das candidaturas e preparar as suas estratégias de recrutamento para o futuro.»

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