Construtor alemão de automóveis de luxo reviu em baixa a previsão de lucros para 2026, com a quebra das vendas na China e a guerra no Médio Oriente a pressionarem a energia e a confiança dos consumidores.
O construtor automóvel BMW AG, sediado em Munique, prevê uma redução significativa do lucro antes de impostos este ano, sobretudo devido ao abrandamento da procura na China e ao impacto da crise no Médio Oriente.
A BMW, que detém as marcas BMW, MINI, Rolls-Royce e BMW Motorrad, apontou a deterioração das condições de mercado e os custos das medidas de reestruturação numa advertência sobre lucros emitida na terça-feira.
O anúncio levou as ações da empresa a caírem mais de 7% na Europa na manhã de quarta-feira.
«As ações da BMW travaram a fundo depois de a empresa apontar para uma forte quebra dos lucros», afirmou Russ Mould, diretor de investimentos na AJ Bell.
«A guerra no Irão teve um impacto negativo no sentimento dos consumidores, o que refreou a procura pelos seus veículos», acrescentou Mould.
A construtora afirmou que a procura na China enfraqueceu ainda mais, intensificando a concorrência em toda a região.
Acrescentou que a guerra no Irão teve um impacto superior ao esperado, mantendo os custos da energia elevados e pressionando a procura dos consumidores. Segundo a BMW, as vendas na Europa e nos Estados Unidos melhoraram, mas não o suficiente para compensar a desaceleração na China.
A empresa espera agora uma ligeira redução nas entregas de veículos face ao ano passado, em vez de uma evolução estável.
Como resultado, a BMW prevê agora uma queda significativa do lucro antes de impostos em relação aos 10,2 mil milhões de euros registados no ano passado. Anteriormente, a empresa apontava para uma descida moderada em 2026.
A BMW reduziu igualmente as metas de rentabilidade, ao prever uma margem EBIT da divisão automóvel entre 1% e 3%, abaixo da orientação anterior de 4% a 6%, e uma rentabilidade do capital empregado (ROCE) entre 1% e 5%, face à anterior de 6% a 10%.
A construtora delineou ainda planos para intensificar e acelerar os esforços de redução de custos em curso, através de novas medidas estruturais e de eficiência. Espera-se que estas tenham um impacto negativo pontual nos resultados na segunda metade de 2026.
Milan Nedeljković, presidente do conselho de administração da BMW AG, afirmou: «Vamos adaptar as estruturas e processos atuais à forte deterioração das condições de mercado. É, por isso, nossa responsabilidade empresarial intensificar e acelerar de forma significativa as medidas em curso. Tudo se resume à velocidade e à eficiência.»
O anúncio reflete, segundo analistas, pressões mais amplas sobre os construtores automóveis europeus.
Mould afirmou: «A reação natural passa por procurar formas de cortar custos na empresa, mas a mensagem que chega do setor automóvel em geral sugere que a BMW se junta simplesmente a uma fila cada vez maior de construtores presos na faixa lenta durante o futuro previsível.»
O grupo BMW continua a esperar um fluxo de caixa livre da divisão automóvel superior a 2,5 mil milhões de euros. Mantêm-se inalteradas a taxa de distribuição de dividendos entre 30% e 40% do resultado líquido atribuível aos acionistas da BMW AG, bem como o programa de recompra de ações em curso.
Os resultados do primeiro semestre serão publicados na data prevista, em 30 de julho de 2026.