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Bancos centrais enfrentam novo teste de credibilidade com cortes nas taxas de juro

Diálogo sobre política monetária em Tashkent, foto de família
Diálogo sobre política monetária em Tashkent, foto de família Direitos de autor  Central Bank of Uzbekistan
Direitos de autor Central Bank of Uzbekistan
De Ruxshona Raxmatullayeva
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Economistas no Diálogo de Tashkent alertam que cortes prematuros de taxas podem manter a inflação acima da meta; no Uzbequistão, inflação e dolarização em queda mostram como a credibilidade orienta a política.

Bancos centrais arriscam manter a inflação acima da meta se baixarem as taxas de juro demasiado depressa, alertam economistas, numa altura em que os responsáveis pela política monetária enfrentam uma fase mais difícil após anos de preços elevados e sucessivos choques económicos.

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O alerta foi lançado durante o primeiro Diálogo de Política Monetária, em Tashkent, onde representantes do Fundo Monetário Internacional, de bancos centrais e do meio académico discutiram como a política monetária deve responder à incerteza, às pressões inflacionistas e à mudança das condições financeiras.

Athanasios Orphanides, professor no Massachusetts Institute of Technology e antigo governador do Banco Central de Chipre, afirmou que o período pós-pandemia expôs o custo de uma leitura errada da inflação.

“Se olharmos para a experiência do pós-pandemia, muitos bancos centrais em todo o mundo não calibraram corretamente a política e acabaram com uma inflação significativamente acima das definições de estabilidade de preços que tinham como objetivo”, disse Orphanides à Euronews.

“O risco, receio, é que, para muitos bancos centrais, a flexibilização da política monetária seja ponderada demasiado cedo.”

Professor Athanasios Orphanides
Professor Athanasios Orphanides Central Bank of Uzbekistan

Choques repetidos dificultam decisões de política monetária

A questão não é apenas o momento de reduzir as taxas de juro. Para os bancos centrais, o desafio mais amplo passa por manter a credibilidade quando os choques nos preços, nas cadeias de abastecimento e na procura se tornam mais difíceis de prever.

Koba Gvenetadze, representante residente do FMI no Uzbequistão, afirmou que os responsáveis pela política económica precisam de comparar o que funcionou e o que falhou durante as crises dos últimos anos.

“Nos últimos cinco anos houve choques sucessivos e é por isso que as lições retiradas desses choques e a partilha de experiências são absolutamente fundamentais”, disse à Euronews.

A pandemia, acrescentou Gvenetadze, mostrou porque é que os bancos centrais não podem tratar sempre as perturbações na oferta como fenómenos passageiros.

“A experiência da COVID ensinou-nos, por exemplo, que mesmo quando há choques de oferta que não parecem afetar logo a inflação, esses choques podem começar a ter impacto mais tarde”, afirmou.

Meta de inflação e credibilidade

Na opinião de Orphanides, o regime de metas de inflação continua a ser um dos enquadramentos mais eficazes para orientar a política monetária quando as condições económicas se tornam mais difíceis de interpretar.

“Na minha perspetiva, um enquadramento que funciona muito bem – e que também foi adotado nos últimos anos no Uzbequistão – é precisamente o regime de metas de inflação”, afirmou.

“Ao concentrar-se em estabilizar a inflação e em manter a estabilidade de preços, o banco central fornece simplesmente a base para todos os outros ajustamentos que têm de ocorrer quando surgem choques na economia.”

O Uzbequistão tem vindo a aproximar-se de um regime pleno de metas de inflação, no quadro de reformas de mercado mais amplas.

Dados apresentados pelo banco central mostram que a inflação caiu de quase 20% em 2018 para 5,5% em maio de 2026. As expectativas de inflação de famílias e empresas também desceram, de uma média de 20% para cerca de 10%.

Estes números são importantes para a transição para o regime de metas de inflação, que depende não só de uma inflação efetiva mais baixa, mas também de as empresas e as famílias acreditarem que a subida dos preços permanecerá sob controlo.

Dolarização recua com avanço das reformas

O banco central apontou ainda a queda da dolarização como sinal de maior confiança na estabilidade macroeconómica.

Segundo a instituição, os depósitos em moeda estrangeira representam agora cerca de 20% do total de depósitos bancários, contra quase 50% anteriormente, enquanto o crédito dolarizado se situa nos 37%, abaixo dos 54%.

Para investidores e empresas, uma menor dolarização pode sinalizar maior confiança na moeda nacional e tornar a política monetária mais eficaz através dos mercados financeiros locais.

Samigjon Inogamov, diretor do Departamento de Política Monetária do Banco Central do Uzbequistão, afirmou que os responsáveis estão a avançar com uma sequência de reformas, incluindo o aprofundamento dos mercados financeiros internos, a liberalização da conta financeira e o desenvolvimento de um mercado de capitais mais robusto.

Inogamov indicou que o banco central manterá condições monetárias restritivas para atingir a meta de inflação e reforçar a credibilidade da política monetária.

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