Loader
Encontra-nos
Publicidade

França reforça controlo sobre compra de empresas sensíveis por investidores estrangeiros

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, profere um discurso durante uma mensagem televisiva pré-gravada no Hôtel de Matignon, em Paris, a 10 de abril de 2026
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, discursa numa intervenção televisiva pré-gravada no Hôtel de Matignon, em Paris, na sexta-feira, 10 de abril de 2026 Direitos de autor  Ian Langsdon/Pool
Direitos de autor Ian Langsdon/Pool
De Nathan Joubioux
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Até agora, o Ministério da Economia intervinha quando uma empresa estrangeira comprava 25% ou mais de uma sociedade francesa; esse limite baixa agora para 10%

Matignon decidiu apertar as regras. Num decreto publicado este domingo, 2 de agosto (fonte em francês), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reforçou o controlo do Estado sobre as compras, por investidores estrangeiros, de empresas de setores sensíveis.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Até agora, o Ministério da Economia tinha direito de veto quando um investidor não europeu adquiria 25 % ou mais de uma empresa francesa cotada num mercado regulamentado fora da União Europeia. “A partir de agora, qualquer tomada de participação de, pelo menos, 10 % por um investidor não europeu numa empresa francesa cotada num mercado regulamentado fora da União Europeia terá de ser autorizada pelo Estado”, escreveu o primeiro-ministro, na rede social X.

“Proteger as nossas empresas estratégicas é proteger a nossa soberania. A nossa responsabilidade é dupla: promover o desenvolvimento das nossas empresas e, ao mesmo tempo, preservar os nossos interesses estratégicos”, garantiu Sébastien Lecornu.

O objetivo desta decisão é “prevenir tomadas de participação oportunistas de origem não europeia em empresas francesas cotadas fora da UE e suscetíveis de representar ameaças para a segurança nacional”, precisaram os serviços do primeiro-ministro, em comunicado.

“Para não prejudicar em excesso a capacidade das empresas de se financiarem nos mercados, este controlo reforçado será exercido segundo um procedimento acelerado”, lê-se igualmente no texto.

O investidor terá agora de notificar a operação à Direção-Geral do Tesouro. O ministro da Economia disporá depois de dez dias para determinar se ela necessita de um exame aprofundado.

“Proteger as nossas empresas não chega”

Este decreto acompanha várias recomendações formuladas num relatório parlamentar que defendia uma “mudança radical de postura” para reforçar a segurança económica do país. Redigido por Christophe Plassard (deputado Horizons da Charente-Maritime), Jean-Louis Thiériot (deputado Droite républicaine de Seine-et-Marne) e Charles Rodwell (deputado Ensemble pour la République dos Yvelines), o relatório sublinhava que o mecanismo francês devia ser reforçado numa altura em que os investimentos estrangeiros “ganham uma importância acrescida devido ao contexto geopolítico”.

“A França dispõe de um dos mecanismos de controlo do investimento estrangeiro mais robustos da Europa. Mas a nossa soberania joga-se também na nossa capacidade de financiar as nossas empresas estratégicas”, afirmou Jean-Louis Thiériot, na rede X (fonte em francês). “Proteger as nossas empresas não basta. É preciso também dar-lhes os meios para crescerem.”

Na relação de forças entre a França e os investidores, Christophe Plassard apela a “abandonar a nossa ingenuidade”. “Temos de ser defensivos se for-mos alvo de ataques ao nosso capital e às nossas empresas. Mas também devemos ser ofensivos e lúcidos quanto à nossa capacidade de preservar o nosso saber-fazer”, sublinhou o deputado, em declarações à France 24 (fonte em francês).

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Alemanha participa em exercício de dissuasão nuclear após conselho de ministros franco-alemão

França: milhares de milionários não pagam imposto sobre o rendimento, aponta relatório da Bercy

França reforça controlo sobre compra de empresas sensíveis por investidores estrangeiros