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Europa: bolsas costumam cair em agosto, será diferente este ano?

Painéis no chão da Bolsa de Nova Iorque mostram notícias sobre o relatório de emprego dos EUA, sexta‑feira, 7 de agosto de 2026, em Nova Iorque
Ecrãs na bolsa de Nova Iorque mostram notícias sobre o relatório de emprego dos EUA, sexta-feira, 7 de agosto de 2026, em Nova Iorque. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Piero Cingari
Publicado a Últimas notícias
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As bolsas europeias costumam ter um desempenho fraco em agosto, mas a média esconde um dado crucial: poucas grandes crises explicam a maioria das perdas.

As ações europeias começaram agosto de 2026 quase de forma oposta ao que a sua reputação sazonal faria esperar.

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O EURO STOXX 50 e o DAX andam perto de máximos históricos, enquanto o CAC 40 permanece próximo do seu pico. Ainda assim, agosto tem sido historicamente um dos meses mais fracos na Europa.

Esta contradição levanta uma questão mais interessante do que saber se os investidores devem simplesmente “vender em agosto”.

Os dados sugerem que agosto não é de forma consistente um mau mês. A sua má reputação foi antes moldada por um número reduzido de choques de mercado extraordinários.

Europa desafia “maldição de agosto”

As ações europeias começaram agosto de 2026 quase de forma oposta ao que a sua reputação sazonal faria esperar.

O EURO STOXX 50 e o DAX andam perto de máximos históricos, enquanto o CAC 40 permanece próximo do seu pico. Ainda assim, agosto tem sido historicamente um dos meses mais fracos na Europa.

Esta contradição levanta uma questão mais interessante do que saber se os investidores devem simplesmente “vender em agosto”.

Os dados sugerem que agosto não é de forma consistente um mau mês. A sua má reputação foi antes moldada por um número reduzido de choques de mercado extraordinários.

O DAX alemão, que acompanha as 40 maiores empresas cotadas em Frankfurt, conta a mesma história desde 1970.

Em agosto, a perda média foi de 1,03%. Em setembro, a perda média foi de 1,64%.

O CAC 40 francês, que acompanha as 40 maiores empresas em Paris, tem dados desde 1988. Em agosto, a perda média foi de 1,22%. Em setembro, foi de 1,38%.

Três países diferentes, três períodos históricos distintos, e exatamente a mesma hierarquia: setembro é o pior mês, agosto o segundo pior.

Mas agosto de 2026 não se tem parecido nada com isso.

Em 11 de agosto, o EURO STOXX 50 encerrou em máximos históricos, acima dos 6 560 pontos, uma subida de cerca de 13% desde o início do ano. O DAX ultrapassou pela primeira vez os 26 450 pontos, enquanto o CAC 40 terminou perto dos 8 740 pontos.

Quem tem razão, o calendário ou o mercado?

A resposta rápida é que o calendário tem um argumento muito mais fraco do que parece.

A média de agosto não reflete o mês típico

Uma média só é útil quando os números à sua volta são relativamente semelhantes.

Imagine cinco pessoas a entrar numa sala. Quatro ganham 30 000 euros por ano, uma ganha 1 milhão. A média de rendimentos nessa sala passa de repente a parecer muito mais elevada do que aquilo que a maioria leva efetivamente para casa.

Os retornos das ações em agosto têm um problema semelhante. Um pequeno número de quedas extremas puxa a média de longo prazo acentuadamente para baixo.

É aí que a mediana se torna útil. É simplesmente a observação que fica no meio, depois de todos os retornos de agosto serem ordenados do pior para o melhor, de modo que metade dos anos fica abaixo e metade acima, o que faz dela um guia mais fiável para aquilo que costuma ser um agosto típico.

No EURO STOXX 50, a mediana dos retornos de agosto é de -0,19%, um quadro muito diferente da média de -1,42%. O agosto típico tem sido praticamente neutro.

Cinco meses de agosto explicam os estragos

A maior parte dos estragos resulta de cinco episódios extraordinários.

Em agosto de 1998, o índice EURO STOXX caiu 14,44% quando a Rússia entrou em incumprimento na dívida interna e desvalorizou o rublo.

Em agosto de 1990, perdeu 13,82% após a invasão do Kuwait pelo Iraque. Agosto de 2011 trouxe uma queda de 13,79%, à medida que a crise da dívida na zona euro se intensificava em torno de Itália e Espanha. Em agosto de 1997, o índice recuou 9,99% com a propagação da crise financeira asiática pela região, e em agosto de 2015 caiu 9,19% quando a China desvalorizou o yuan.

Não foram correções normais. Foram choques globais que calharam em agosto.

Se retirarmos esses cinco anos, a média dos retornos de agosto no EURO STOXX 50 passa de -1,42% para +0,17%. Cinco anos em 39 transformam um mês aparentemente fraco num mês ligeiramente positivo.

Por que razão agosto pode amplificar um choque?

A explicação poderá ter menos a ver com o mês em si do que com o modo como os mercados funcionam no verão.

Em agosto, a Europa está, na prática, de férias. As equipas de negociação ficam reduzidas e há menos investidores a definir preços ativamente. Isso, por si só, não provoca uma correção, mas pode tornar os mercados mais sensíveis quando ela começa.

Há também menos decisões de política monetária agendadas. A última reunião do Banco Central Europeu foi em julho e a próxima decisão está marcada apenas para setembro.

A Reserva Federal dos Estados Unidos segue um intervalo semelhante no verão, deixando os mercados com menos grandes eventos de política para ancorar expectativas precisamente na altura em que a liquidez é mais escassa.

Depois há Jackson Hole. A conferência anual da Reserva Federal, no estado do Wyoming, realizada mais tarde em agosto, pode tornar-se por si só um grande evento de mercado, sobretudo quando os investidores procuram sinais sobre taxas de juro.

O encontro deste ano tem um peso adicional: é o primeiro discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole enquanto presidente da Fed.

Agosto combina, assim, três ingredientes potencialmente voláteis: menor liquidez, menos eventos de política agendados e a possibilidade de um sinal importante de um banco central chegar já no final do mês.

O que torna agosto de 2026 diferente?

O padrão histórico só é útil se os investidores perceberem o que mudou.

As ações europeias entraram em agosto em máximos históricos, ou perto disso, sustentadas por fortes expectativas de resultados. A Reuters noticiou que os analistas aumentaram as previsões de crescimento dos lucros do segundo trimestre no índice STOXX 600 para quase 21%, face aos 12,5% em maio, dando aos mercados um enquadramento fundamentalmente mais robusto do que a média histórica sugeriria.

Mas há outra face da moeda. O choque energético no Médio Oriente continua a ser um risco para a Europa: preços de energia mais elevados podem voltar a pressionar a inflação em alta, ao mesmo tempo que apertam os consumidores e as margens das empresas.

A inflação na zona euro abrandou para 2,8% em junho, face aos 3,2% em maio, embora um novo choque energético possa dificultar o regresso ao objetivo de 2% do Banco Central Europeu.

Isso gera uma configuração invulgar para o resto do mês.

Devem os investidores temer agosto?

O registo histórico não indica que as ações europeias tenham de cair este mês. Na realidade, o EURO STOXX 50 e o DAX terminaram agosto em alta em quase metade dos anos.

O que a história mostra é mais subtil: agosto não é necessariamente o mês das quedas sazonais na Europa. É um mês em que choques raros produziram historicamente perdas invulgarmente grandes. Essa distinção é relevante em 2026.

Os investidores não precisam de prever se agosto terminará em alta ou em baixa. A questão mais útil é saber se os mercados, depois de acabarem de atingir máximos históricos, estão suficientemente preparados para um choque inesperado que surja numa altura de liquidez reduzida.

É isso que o padrão de agosto verdadeiramente sinaliza: não um efeito de calendário, mas uma vulnerabilidade.

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