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Stellantis: quem é o gigante automóvel que está a recolher quase 1 milhão de carros?

ARQUIVO – Foto de 19 de janeiro de 2021 mostra o logótipo da Stellantis junto ao Centro de Tecnologia da Chrysler, em Auburn Hills, Michigan
FOTO DE ARQUIVO – Nesta foto de arquivo tirada em 19 de janeiro de 2021, o logótipo da Stellantis é visível junto ao Chrysler Technology Center, em Auburn Hills, Michigan. Direitos de autor  Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2021 The Associated Press. All rights reserved.
De Una Hajdari
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Quarta maior construtora automóvel mundial chama à oficina quase 1 milhão de veículos, na terceira grande campanha de segurança deste ano

A Stellantis, o construtor automóvel multinacional responsável pela Jeep, Fiat e Peugeot, vai chamar à oficina quase 955 000 veículos em todo o mundo, depois de uma falha de software ter impedido que as câmaras de marcha-atrás mostrassem imagem em alguns modelos.

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A recolha representa o mais recente revés para um dos maiores fabricantes automóveis do mundo, que começa agora a sair de um duro 2025, marcado por pesados prejuízos, mudanças na liderança e margens de lucro apertadas.

Chega também apenas alguns meses depois de outras duas grandes operações de recolha na empresa, levantando novas questões sobre a forma como a vasta rede de marcas do grupo está integrada nos bastidores.

Fusão de gigantes

A Stellantis nasceu em janeiro de 2021, da fusão entre a ítalo-norte-americana Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e o grupo francês PSA, proprietário da Peugeot e da Citroën.

O negócio, aprovado pela Comissão Europeia em dezembro do ano anterior, deu origem ao quarto maior construtor automóvel do mundo em vendas na altura.

A fusão esteve anos a ser preparada. O então presidente executivo da FCA, Sergio Marchionne, já falecido, procurava um parceiro desde 2015, defendendo que os construtores precisavam de ganhar escala para absorver os custos da eletrificação, da condução autónoma e de regras de emissões cada vez mais exigentes.

A Fiat Chrysler tentou primeiro uma aliança com a Renault, em 2019, mas o acordo caiu por terra devido a preocupações políticas do governo francês e à resistência da parceira de aliança da Renault, a Nissan.

Depois virou-se para a PSA e as duas empresas acordaram fundir-se em dezembro de 2019, apontando a poupanças anuais de custos na ordem dos 3,7 mil milhões de euros.

O grupo resultante juntou sob o mesmo teto alguns dos fabricantes europeus mais conhecidos, incluindo a Vauxhall, no Reino Unido, a Opel, na Alemanha, e a Peugeot e Citroën, em França, a par das marcas americanas e italianas da Fiat Chrysler.

O capital continua em grande medida nas mãos de famílias. A família Agnelli, que fundou a Fiat, e a família Peugeot mantêm participações de referência, a par do banco público de investimento francês.

A empresa tem sede nos Países Baixos, embora o presidente executivo, Antonio Filosa, conduza o dia a dia a partir de Auburn Hills, no Michigan.

A Stellantis controla 14 marcas, entre as quais Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, Fiat, Jeep, Maserati, Opel, Peugeot, Ram e Vauxhall.

Emprega cerca de 250 000 pessoas em mais de 30 países e vendeu 5,4 milhões de veículos em 2024, gerando receitas de aproximadamente 156,9 mil milhões de euros. Mantém-se entre os maiores construtores automóveis europeus em quota de mercado e entre os principais empregadores industriais do continente.

Falha na câmara resulta do software, não do hardware

A mais recente recolha tem origem no software de rádio e não nas próprias câmaras. A Stellantis detetou uma falha no sistema de infoentretenimento que pode impedir a imagem da câmara de marcha-atrás de surgir no ecrã central quando a viatura é colocada em marcha-atrás.

Do total, 848 511 veículos são afetados nos Estados Unidos, abrangendo os anos de modelo de 2026 e 2027.

A recolha inclui os Chrysler Pacifica, Pacifica Plug-in Hybrid e Voyager, o Dodge Charger, vários modelos Jeep, incluindo Cherokee, Compass, Gladiator, Grand Cherokee e Wrangler, e as gamas 1500, 2500 e ProMaster da Ram.

Outros 82 869 veículos são afetados no Canadá, cerca de 7 969 no México e 15 736 noutros mercados, embora ainda não seja claro se algum destes se situa na Europa.

A Stellantis afirma não ter recebido relatos de acidentes ou feridos associados a esta falha.

A empresa tenciona resolver o problema através de uma atualização de software remota e gratuita, o que significa que a maioria dos proprietários não terá de se deslocar a um concessionário.

Um aviso surgirá no ecrã do veículo quando a atualização estiver pronta e prevê-se que as cartas de notificação da recolha comecem a chegar por correio a partir de setembro.

Parte de um problema mais vasto

Esta é a terceira grande operação de recolha da Stellantis nos Estados Unidos em 2026. Em junho, a empresa chamou à oficina mais de 1 milhão de Jeep Wrangler e Gladiator devido a um defeito na cablagem da direção assistida, associado a risco de incêndio.

Em julho, recolheu um lote mais pequeno de SUV Grand Wagoneer e Wagoneer L por causa de um software de travagem com defeito que podia desativar o controlo eletrónico de estabilidade.

As câmaras de marcha-atrás tornaram-se também um problema recorrente para a indústria automóvel em geral.

Desde que os Estados Unidos tornaram este equipamento de segurança obrigatório em todos os novos veículos de passageiros até 4 500 kg, em 2018, falhas relacionadas com câmaras levaram à recolha de cerca de 21 milhões de veículos no país, segundo uma análise da Bloomberg.

A Stellantis já rastreou, nos últimos anos, pelo menos três falhas distintas em câmaras de marcha-atrás até ao software de rádio, e não às próprias câmaras, o que aponta para problemas mais profundos na forma como o grupo integra os sistemas de infoentretenimento entre marcas.

Para já, a Stellantis aconselha os condutores afetados a confiarem nos espelhos laterais e no espelho traseiro ao fazer marcha-atrás, até que a correção de software chegue ao seu veículo.

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