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Zelenskyy prevê encontro com Trump em setembro. Kiev pede defesa aérea e novas negociações

Bombeiros tentam apagar um incêndio após um ataque com mísseis russos em Kiev, 8 de setembro de 2026
Bombeiros tentam apagar um incêndio após um ataque russo com mísseis em Kiev, 8 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Sasha Vakulina
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Presidente ucraniano prevê reunir-se com Donald Trump ainda este mês, enquanto Kiev pede mísseis Patriot a Washington e avança para um novo formato de negociações trilaterais.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou esta terça-feira esperar reunir-se com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, até ao final de setembro, numa altura em que Washington intensifica os esforços para relançar as negociações destinadas a pôr fim à invasão russa em grande escala.

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Zelenskyy afirmou que garantir mais mísseis de defesa aérea dos EUA será um dos temas centrais do encontro, com Kiev a procurar um “pacote de inverno” de mísseis intercetores antibalísticos, considerado urgente.

Falando com jornalistas no grupo de WhatsApp da presidência, Zelenskyy afirmou que discutiu a falta de sistemas avançados de defesa aérea da Ucrânia com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, durante a visita destes a Kiev no fim de semana.

“Conto com uma reunião... com o Presidente Trump, para levantar esta questão e, se Deus quiser, haverá resultado”, disse Zelenskyy.

O presidente ucraniano afirmou que Kiev explicou em detalhe a Witkoff e Kushner aquilo de que necessita de um “pacote de inverno” dos Estados Unidos e em que momento essas armas seriam necessárias.

“Falámos com Witkoff e Kushner sobre a falta que temos, que sentimos em relação ao pacote de inverno, um pacote de mísseis antibalísticos”, afirmou.

“Até termos este resultado, precisamos de pacotes de mísseis balísticos dos americanos. Ouviram em detalhe o que precisamos e quando precisamos.”

Presidente dos EUA, Donald Trump, reúne-se com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, à margem da cimeira da NATO em Ancara, 8 de julho de 2026
Presidente dos EUA, Donald Trump, reúne-se com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, à margem da cimeira da NATO em Ancara, 8 de julho de 2026 AP Photo

Zelenskyy afirmou ainda que a Ucrânia caminha para um novo formato de negociações trilaterais com os Estados Unidos e a Rússia, embora tenha recusado divulgar detalhes sobre os preparativos.

“Estamos também a caminhar, na minha opinião, para um formato trilateral”, disse. “Aqui não posso revelar todos os detalhes. Acordámos com a parte americana que primeiro prepararemos tudo entre nós e, só depois, o comunicaremos ao público.”

Os Emirados Árabes Unidos, a Suíça e a Turquia estão entre os possíveis locais para uma reunião deste tipo, adiantou Zelenskyy, acrescentando que vários países se ofereceram para acolher as conversações.

Referiu que a infraestrutura energética e as exportações de cereais poderão fazer parte de futuras conversações com a Rússia, a par de questões humanitárias, em particular as trocas de prisioneiros de guerra.

“Precisamos não só de discutir estas questões, mas de obter um resultado concreto”, afirmou Zelenskyy.

Europa participa nas futuras negociações

Zelenskyy procurou também deixar claro que a reativação da diplomacia liderada pelos Estados Unidos não excluirá os aliados europeus de Kiev das negociações.

Indicou que os diplomatas europeus mantêm os seus próprios contactos com a Rússia, sublinhando que Washington não é o único canal de comunicação com Moscovo.

“Sejamos honestos: estão a pensar na segurança de toda a Europa”, afirmou Zelenskyy, referindo-se aos governos europeus.

“Por isso, é claro que têm de estar à mesa em qualquer formato de negociações.”

Apontou ainda a futura adesão da Ucrânia à UE, a reconstrução pós-guerra e as futuras garantias de segurança como áreas em que a participação europeia continuará a ser essencial.

Representantes europeus já participaram nas mais recentes conversações em Kiev, ao lado da delegação norte-americana, acrescentou, sublinhando que a Europa estará envolvida em todos os formatos de negociação no futuro.

Volodymyr Zelenskyy durante uma reunião com os enviados norte-americanos Steve Witkoff, Jared Kushner e representantes europeus em Kiev, 6 de setembro de 2026
Volodymyr Zelenskyy durante uma reunião com os enviados norte-americanos Steve Witkoff, Jared Kushner e representantes europeus em Kiev, 6 de setembro de 2026 AP Photo

Licenças Patriot e escassez no inverno

Paralelamente à via diplomática, Zelenskyy afirmou que Kiev mantém negociações diretas com Trump sobre licenças para a produção de mísseis Patriot, numa tentativa de encontrar uma solução de longo prazo para a dependência de fornecimentos dos Estados Unidos.

Disse que as conversações decorrem tanto entre as equipas ucranianas e norte-americanas como entre os fabricantes, e que Trump respondeu de forma positiva, embora Kiev procure acelerar o processo.

Para já, porém, a principal preocupação da Ucrânia é garantir mísseis intercetores suficientes para proteger o país no próximo inverno.

Zelenskyy afirmou ter dito aos parceiros da Ucrânia que um pacote de defesa aérea para o inverno é agora a prioridade de Kiev.

Reino Unido anunciou esta terça-feira uma contribuição de 116 milhões de euros para o pacote de defesa aérea de inverno da Ucrânia, incluindo apoio para mísseis Patriot, bem como outros mísseis de defesa aérea, munições de artilharia e drones. O equipamento deverá ser entregue antes do inverno através do programa Prioritised Ukraine Requirements List da NATO.

Zelenskyy falava enquanto a Rússia lançava mais um ataque contra Kiev, com um drone a atingir uma estação de televisão enquanto os jornalistas estavam em direto.

O edifício ficou parcialmente destruído e, segundo Zelenskyy, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas. Equipas de emergência extinguiram um incêndio no local, enquanto as autoridades alertaram que o número de vítimas pode aumentar.

“Os ‘Shaheds’ contra os meios de comunicação marcam um novo capítulo da degradação da Rússia e a Europa e o mundo têm certamente de responder a isto”, afirmou Zelenskyy.

“Nenhum ataque contra a Ucrânia e os ucranianos, contra a própria vida, pode ficar impune. A Rússia tem de ser travada, e isso só é possível através de esforços conjuntos.”

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