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PISA: alunos portugueses apresentam retrocesso de décadas

PISA: alunos portugueses apresentam retrocesso de décadas
PISA: alunos portugueses apresentam retrocesso de décadas Direitos de autor  AP Photo/Francisco Seco
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De Diana Rosa Rodrigues
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Apesar de, em 2025, os alunos portugueses apresentarem resultados próximos da média da OCDE, uma análise mais profunda revela um recuo acentuado em diferentes disciplinas, anulando os ganhos obtidos desde 2006.

Os alunos portugueses estão piores a nível de competências do que estavam há 20 anos. É o que revela o relatório PISA, relativo a 2025, divulgado esta terça-feira.

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De acordo com o documento, os alunos de 15 anos em Portugal obtiveram pontuações próximas da média da OCDE em matemática, leitura e ciências, mas é o comparativo com anos anteriores que preocupa. O PISA indica que, em ciências, os resultados do ano passado ficaram "significativamente abaixo dos observados em 2015".

O mesmo acontece com leitura e matemática, onde "as recentes perdas vieram agravar as perdas anteriores observadas entre 2015 e 2022".

"Consequentemente, os resultados mais recentes voltaram asituar-se perto do nível observado em 2006 nas três disciplinas, revertendo completamente os ganhos anteriores", é possível ler nas conclusões apresentadas.

Além disso, em comparação com 2015, a proporção de alunos com baixo desempenho (com pontuação inferior ao Nível de Proficiência 2) aumentou 11 pontos percentuais em matemática, 11 pontos percentuais em leitura e 7 pontos percentuais em ciências.

No âmbito geral, Portugal ficou em 27º lugar entre 91 países, somando um total de 482 pontos ao nível da performance dos estudantes. Em primeiro lugar, encontra-se a China, seguida de Singapura e Macau. O primeiro país europeu é a Estónia, que somou um total de 527 pontos.

Em Portugal, foram avaliados 6945 alunos em 225 escolas portuguesas. No total, o PISA avaliou 760 mil alunos de 15/16 anos em todo o mundo.

O cenário parece mau, mas não é assim tão distante da realidade presente nos outros países da OCDE, com os resultados estagnarem em vários países ou a diminuir em tantos outros.

"Os resultados revelam um quadro desigual. Na sequência da queda sem precedentes no desempenho registada no PISA 2022, os resultados de aprendizagem estagnaram em grande parte ou continuaram a diminuir em muitos países", lê-se no prefácio do estudo.

Desigualdades sociais continuam a influenciar desempenho escolar

Um dos aspetos avaliados pelo relatório está relacionado com as desigualdades sociais e como é que estas podem ter efeitos no desempenho escolar dos alunos.

Segundo o PISA, "39% dos alunos (a maior percentagem) situavam-se no quartil superior da escala socioeconómica internacional, o que significa que se encontravam entre os alunos mais favorecidos que realizaram o teste". De acordo com os números apresentados, a média em ciências apresentada pelos alunos neste escalão foi de 524 pontos, abaixo de locais como Singapura e Macau, que apresentavam contexto socioeconómico semelhante.

O relatório indica que em Portugal, "os alunos em situação socioeconómica favorecida (os 25% com melhor estatuto socioeconómico) obtiveram um desempenho superior ao dos alunos em situação socioeconómica desfavorecida (os 25% com pior estatuto socioeconómico) em 92 pontos na disciplina de ciências".

"Este valor é semelhante à diferença média entre os dois grupos (85 pontos) nos países da OCDE", lê-se nas conclusões.

Olhando para a evolução dos números, percebe-se que, entre 2015 e 2025, esta diferença manteve-se estável em Portugal, ainda que a diferença média nos países da OCDE tenha diminuído.

"O estatuto socioeconómico foi um fator preditivo do desempenho em ciências em todos os países e economias participantes no PISA."

O relatório reforça que, "cerca de 11% dos alunos desfavorecidos em Portugal conseguiram obter resultados no quartil superior do desempenho em ciências".

"Estes alunos podem ser considerados academicamente resilientes porque, apesar da sua desvantagem socioeconómica, alcançaram excelência educativa em comparação com os alunos do seu próprio país".

Governo rejeita responsabilidades políticas

O Governo lamentou os resultados, rejeitando, no entanto, responsabilidades políticas. “Estamos a falar de resultados que são históricos, mas no sentido negativo”, disse o secretário de Estado Adjunto da Educação, Ciência e Inovação, em declarações à agência Lusa.

Alexandre Homem de Cristo reconheceu o declínio nas disciplinas avaliadas, reforçando que o executivo está preocupado e atento.

“Já tínhamos sinais de que havia esta necessidade, naturalmente, não deixa de ser impactante consultar os resultados da OCDE”, reconheceu o secretário de Estado, indicando, no entanto, que as conclusões do PISA não estão ligadas com o período de ação do atual Governo.

“Estes resultados, do ponto de vista da política pública, não estão diretamente ligados ao período deste Governo. Isto não significa que o Governo não se sinta responsável por encontrar soluções”, defendeu Alexandre Homem Cristo.

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