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França: museus aumentam preços para não-europeus

Pessoas aguardam a abertura do Museu do Louvre enquanto funcionários do museu votam para prolongar a greve, quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, em Paris
Pessoas aguardam a abertura do Museu do Louvre enquanto funcionários do museu votam para prolongar a greve, quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, em Paris Direitos de autor  Thibault Camus/Copyright 2025 The AP. All rights reserved.
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De Serge Duchêne
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No Louvre, o bilhete para visitantes individuais que residem fora da Europa passa a custar 32 euros. A medida visa angariar fundos para a reconstrução do emblemático museu parisiense.

França instaurou, esta quarta-feira, uma tarifa de entrada no Museu do Louvre que aumenta 45% para visitantes não-europeus, uma medida controversa destinada a financiar a renovação deste ícone parisiense.

Esta é uma das decisões mais arrojadas na Europa sobre a "dupla tarifa" aplicada a museus, que consiste em cobrar preços diferentes consoante a origem dos visitantes.

Prática comum em muitos países em desenvolvimento, a "dupla tarifa" esteve, até agora, largamente ausente na Europa e tem sido criticada pelo caráter discriminatório, limitando o acesso ao Louvre a alguns visitantes estrangeiros de baixos rendimentos.

O Museu do Louvre indicou que o aumento, de 22 euros para 32 euros, integra uma política nacional anunciada no início do ano passado, que está a entrar em vigor nas principais atrações culturais, incluindo no Palácio de Versalhes, na Ópera de Paris e na Sainte-Chapelle.

Turistas ouvidos pela AFP, esta quarta-feira, tiveram reações mistas. Kevin Flynn, um australiano com cerca de 60 anos, que está de visita a Paris, disse que a nova tarifa para não europeus é "aceitável". Já Joohwan Tak, da Coreia do Sul, considera-a "injusta".

"Somos todos seres humanos. Há uma grande diferença", referiu Tak.

"Se for à Índia, os indianos pagam menos do que os estrangeiros: é normal porque têm menos dinheiro", disse Marcia Branco, cidadã brasileira que está de visita a Paris, acrescentando "Mas, estando em Paris, num país supostamente rico, acho isso injusto".

Quem paga a tarifa mais alta?

Esta mudança abrange visitantes da maioria dos países fora da União Europeia (UE), incluindo os Estados Unidos, que costumam representar a maior parte dos turistas estrangeiros do Louvre.

Segundo a nova estrutura tarifária, quem não for cidadão nem residente da UE, da Islândia, do Liechtenstein ou da Noruega pagará a tarifa mais alta, explicou o Louvre.

O preço de 32 euros aplica-se a visitantes individuais não europeus; grupos com guia pagarão 28 euros, com um máximo de 20 pessoas, para manter a qualidade da visita. Algumas categorias mantêm a entrada gratuita, nomeadamente menores de 18 anos.

A última subida de preços remonta a janeiro de 2024, quando o preço de entrada padrão passou de 17 euros para 22 euros.

O sindicato CGT Culture condenou a política, argumentando que transforma o acesso à cultura num "produto comercial" e cria desigualdade no acesso ao património nacional.

França: Versalhes, Chambord e Palais Garnier também aderem à medida

A medida estende-se a outras atrações culturais do Estado, nomeadamente ao Palácio de Versalhes, ao Castelo de Chambord no Vale do Loire e à Ópera Nacional de Paris.

Em Versalhes, o bilhete "Passport" custará 35 euros na época alta para visitantes de países fora da União Europeia, Islândia, Liechtenstein e Noruega, contra 32 euros para cidadãos ou residentes desses países. Na Sainte-Chapelle, o bilhete passa para 22 euros para visitantes provenientes de fora desse grupo, contra 16 euros para os respetivos cidadãos, segundo responsáveis do património.

Segundo o Louvre, a nova tarifa ajudará a financiar investimentos no âmbito do projeto de modernização "Louvre – Nouvelle Renaissance", e poderá render entre 15 e 20 milhões de euros (16 a 22 milhões de dólares) adicionais por ano.

Os sindicatos do Louvre consideram a política "chocante nos planos filosófico, social e humano" e apontam-na entre os motivos das recentes greves. Afirmam, ainda, que a vasta coleção do museu, com cerca de 500 000 obras, muitas oriundas do Egito, do Médio Oriente e de África, tem valor universal.

Rejeitando por princípio qualquer tarifação discriminatória, os sindicatos do Louvre manifestam também preocupações práticas, já que o pessoal terá agora de verificar a identidade dos visitantes.

Os funcionários do Louvre voltaram a fazer greve na segunda-feira, no âmbito do mais recente protesto sobre salários e condições de trabalho.

Roubo de joias e uma instituição sob escrutínio

Os museus franceses já ponderavam aumentar as tarifas para não europeus antes do roubo, a 19 de outubro, das joias da coroa francesa no Louvre, avaliadas pelos investigadores em cerca de 88 milhões de euros (102 milhões de dólares).

Mas esse roubo, cometido em plena luz do dia e em poucos minutos, foi tão rápido e audaz que intensificou o escrutínio sobre a forma como França protege os seus tesouros culturais mais preciosos.

Também alimentou o debate sobre como os grandes locais turísticos devem financiar as suas renovações e se os visitantes devem suportar uma parte maior dos custos.

Noutros pontos da Europa, a entrada padrão no Coliseu de Roma, bem como no Fórum e no Palatino, custa 18 euros e o bilhete de adulto para a Acrópole de Atenas custa 30 euros.

França primeiro ou exceção cultural?

O investigador francês Patrick Poncet comparou a nova medida francesa com a política "America First" do presidente norte-americano Donald Trump, cuja administração aumentou em 100 dólares o preço de entrada para turistas estrangeiros nos parques nacionais dos EUA a partir de 1 de janeiro.

"É sintomática do regresso, como noutros pontos do mundo, de um nacionalismo desenfreado", escreveu Poncet no jornal Le Monde, no mês passado, sobre a política francesa.

Resta saber se a rutura com a tradição europeia pelo país mais visitado do continente levará outros destinos culturais a seguir o exemplo.

As reduções de preço por idade são comuns na Europa; a entrada é gratuita para menores de 18 anos em locais como a Acrópole de Atenas, o Prado, em Madrid, ou o Coliseu, em Roma, para os incentivar a visitar.

Outras fontes • AFP, AP

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