A Casa Branca atacou George Clooney por criticar as ameaças de Donald Trump ao Irão, dizendo que só ele “comete crimes de guerra” pelos “filmes horríveis”. O ator respondeu, chamando aos comentários “insultos infantis”.
“Esta é uma altura para um debate vigoroso ao mais alto nível. Não para insultos infantis”.
Antes do frágil cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irão, Donald Trump foi alvo de fortes críticas por ter ameaçado arrasar por completo o Irão em mensagens chocantes nas redes sociais.
“Uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais voltar”, declarou Trump na sua plataforma Truth Social, horas antes do prazo que tinha fixado para o Irão reabrir o estreito de Ormuz.
Uma das figuras públicas que se pronunciou contra a linguagem e as ações de Trump é o consagrado ator George Clooney, que condenou a ameaça de Trump durante uma intervenção perante alunos do ensino secundário num evento em Cuneo, em Itália.
“Alguns dizem que com Donald Trump está tudo bem. Mas, se alguém diz que quer pôr fim a uma civilização, isso é um crime de guerra”, afirmou Clooney.
E acrescentou: “Pode continuar a defender uma perspetiva conservadora, mas tem de haver um limite de decência, que não podemos ultrapassar”.
O comentário motivou uma resposta sarcástica do diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, que disse ao jornal britânico online The Independent: “A única pessoa a cometer crimes de guerra é o George Clooney, pelos seus filmes horríveis e péssima capacidade de representação”.
A reação não agradou a Clooney, que respondeu dizendo à publicação Deadline: “Famílias estão a perder entes queridos. Crianças foram incineradas. A economia mundial está por um fio. Esta é uma altura para um debate vigoroso ao mais alto nível. Não para insultos infantis”.
E prosseguiu: “Começo eu. Fala‑se em crime de guerra ‘quando há intenção de destruir fisicamente uma nação’, como definido pela Convenção do Genocídio e pelo Estatuto de Roma. Qual é a defesa da Administração? (Para além de me chamar ator falhado, com o que concordo alegremente depois de ter protagonizado Batman and Robin ?).”
Não é a primeira vez que há trocas de acusações entre Clooney e a administração Trump.
Trump já tinha descrito o ator, duas vezes galardoado com o Óscar e três com o Globo de Ouro, como uma estrela de cinema falhada, escrevendo na Truth Social: “Clooney teve mais publicidade por causa da política do que pelos seus pouquíssimos filmes, totalmente medíocres. (...) Não era nenhuma estrela de cinema, era apenas um tipo banal que se queixava, constantemente, do bom senso na política”.
Trump também criticou o facto de Clooney e a mulher, Amal Clooney, se terem tornado recentemente cidadãos franceses.
Clooney poderá em breve ser acompanhado pelo cineasta norte-americano galardoado Jim Jarmusch, que manifestou o desejo de se tornar cidadão francês. Em entrevista à rádio France Inter, o realizador de 73 anos, que no ano passado venceu o Leão de Ouro em Veneza com a sua obra mais recente, Mãe Pai Irmã Irmão, revelou que está a iniciar o processo para obter a nacionalidade francesa, a fim de “fugir dos Estados Unidos”.
“Seria uma grande honra ter um passaporte francês”, acrescentou.