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Fotógrafo não entra: Concertos de Rosalía em Lisboa marcados por ausência de profissionais

Rosalía deu dois concertos em Lisboa
Rosalía deu dois concertos em Lisboa Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Ricardo Figueira
Publicado a Últimas notícias
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Foram duas noites que ficarão nas memórias dos muitos fãs que esgotaram a MEO Arena em dias consecutivos. Mas os concertos de Rosalía em Lisboa ficaram marcados também pela polémica ausência (forçada) dos fotógrafos profissionais.

Rosalía é a grande sensação da música dos últimos anos. Em Portugal, onde a cantora espanhola ganhou uma grande popularidade muito graças ao dueto com Carminho na canção Memória, do mais recente álbum Lux, apresentou-se com duas noites esgotadíssimas na maior sala fechada do país, a Meo Arena em Lisboa.

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Foram duas noites com grandes emoções e vários momentos em que a cantora chamou elementos do público ao palco. Na segunda noite, além de repetir a esperada presença de Carminho para cantar "Memória", Rosalía chamou ao palco a estrela da seleção feminina de futebol Kika Nazareth.

Mas os concertos de Rosalía em Lisboa não ficaram só marcados pelas presenças, como também pelas ausências. A mais falada foi a de fotógrafos profissionais, que foram impedidos pela equipa da artista de registar as habituais três primeiras canções dos concertos. Assim, todos os artigos de imprensa que pudemos ler sobre as duas noites de Rosalía em Lisboa foram ilustradas com fotografias de arquivo ou registadas por espetadores.

A fotojornalista Rita Carmo, do jornal Blitz, é uma referência nacional em termos de fotografia de concertos, com mais de 30 anos de experiência. Lamenta que esta situação seja cada vez mais comum, ironizando que "pelo menos ganhou uma noite em casa".

Diz que a situação tem-se repetido e parte, habitualmente, do próprio artista, embora possa acontecer por decisão da equipa de imagem: "Às vezes tem a ver com a dimensão do artista, mas nem sempre, porque muitas vezes temos artistas muito grandes que não o fazem e não colocam tantos impedimentos nem têm tanto controle sobre aquilo que fazemos. Basicamente, é uma questão de controlo", refere a fotógrafa à Euronews.

Muitas vezes, os fotógrafos dos órgãos de comunicação social são impedidos de entrar nos concertos porque é a equipa do artista, através das imagens feitas pelos fotógrafos oficiais, quem controla que imagens podem sair. No caso de Rosalía, só foram usados fotógrafos oficiais no primeiro concerto da tournée, em Lyon. Para Rita Carmo, há artistas que atingem uma dimensão tal que dispensam a imagem para a sua promoção: "Há determinados artistas que esgotam os bilhetes de uma arena em meia hora, ou seja, não precisam das imagens para os promover, porque já está tudo vendido e eles têm essa noção", diz. Além de os artistas começarem a ter a noção de que as redes sociais estão a ter mais alcance do que a própria imprensa, confiando mais nas imagens divulgadas pelos fãs do que nas fotos profissionais.

O dueto entre Rosalía e Carminho captado por um dos espetadores do concerto

Cria-se assim a contradição de os concertos poderem ser fotografados e filmados por qualquer fã munido de um telemóvel que esteja a assistir, mas não pelos profissionais. Rita Carmo diz que a diferença não está tanto na qualidade das imagens, mas na neutralidade do olhar do repórter: "Eu não vou certamente fotografar a Rosalía da maneira como um fã fotografa, nem no estado de nervos em que a pessoa provavelmente está". A fotógrafa diz que acaba por ser mais coerente a atitude de artistas como Madonna ou Prince, que em eventos passados não só proibiram a presença dos repórteres fotográficos como também proibiram o público de usar o telemóvel durante os concertos.

Tudo acaba por se resumir a uma questão de controlo e, em última análise, de vaidade: "Há uma vontade de controlar o que sai cá para fora, porque as pessoas não ficaram bem ou não ficaram bonitas. Acho isso fútil e não consigo entender que um músico que se devia dedicar a fazer a sua música se preocupe com se ficou bem numa fotografia em Portugal ou não", conclui Rita Carmo.

O que diz a lei?

O Sindicato dos Jornalistas emitiu um comunicado esta sexta-feira em que diz que o órgão "acompanha com elevada preocupação os impedimentos crescentes ao trabalho de fotojornalistas, de que é novo exemplo o bloqueio imposto nos concertos de Rosalía em Lisboa" e que "os fotojornalistas não podem ser substituídos pela fotografia promocional".

Mais do que uma questão deontológica, será legal, à luz da Lei da Imprensa, barrar o trabalho aos fotojornalistas em eventos como concertos? Assim podemos interpretar o artigo 22º da referida lei, referente aos direitos dos jornalistas, em que a alínea b) especifica que deve ser dada aos jornalistas a "liberdade de acesso às fontes de informação, incluindo o direito de acesso a locais públicos e respectiva proteção".

Reação dos artistas

Se muitos criticam a postura de Rosalía, também há quem critique a atitude da imprensa, que acusam de elitismo e de cobrir apenas os artistas mais mediáticos. Num post no Facebook, Ana Laíns escreve que "esta é a mesma imprensa que não vai fazer a cobertura de concertos ou festivais de artistas e produtoras que não fazem parte do lóbi, e que negligenciam o seu papel de informar a sociedade sobre tudo, de forma transversal, cumprindo a sua função e o seu código deontológico", acrescentando que "a cultura e as atividades culturais em Portugal vão muito além do mediatismo, e a falta de curiosidade cultural dos meios de comunicação chega a roçar a negligência e a hipocrisia".

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