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Israel: Nobel JM Coetzee recusa ir a festival literário de Jerusalém por ações em Gaza

Escritor sul-africano J.M. Coetzee (ao centro) no Festival de Cinema de Morelia, em Morelia, México, em 2019
Escritor sul-africano J.M. Coetzee (ao centro) no Festival de Cinema de Morelia, em Morelia, México – 2019 Direitos de autor  AP Photo/Berenice Bautista
Direitos de autor AP Photo/Berenice Bautista
De Indrabati Lahiri
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Coetzee é a mais recente figura literária a denunciar as ações de Israel em Gaza, juntando-se a atores e escritores que, nos últimos anos, recusaram colaborar com instituições israelitas.

Nobel da Literatura e conceituado escritor JM Coetzee recusou participar no Festival Internacional de Escritores de Jerusalém, que decorre de 25 a 28 de maio, invocando como principal motivo a «campanha genocida» de Israel em Gaza.

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Em edições anteriores, o festival já recebeu autores como Salman Rushdie, Margaret Atwood e Joyce Carol Oates.

Coetzee comunicou a sua decisão numa carta enviada à diretora artística do festival israelita, Julia Fermentto-Tzaisler.

«Nos últimos dois anos, o Estado de Israel tem vindo a levar a cabo uma campanha genocida em Gaza, profundamente desproporcionada face à provocação assassina de 7 de outubro de 2023», escreveu Coetzee na carta, citado pelo The Guardian.

Acrescentou: «Esta campanha, conduzida pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), parece ter o apoio entusiástico da grande maioria da população israelita. Por esse motivo, nenhum setor significativo da sociedade israelita, incluindo a comunidade intelectual e artística, pode afirmar que não partilha a responsabilidade pelas atrocidades em Gaza.»

O escritor, de 86 anos, sublinhou ainda que Israel levará vários anos a limpar o seu nome pelos atos em Gaza e a voltar a afirmar-se no palco internacional.

Nascido na África do Sul do apartheid, Coetzee vive atualmente na Austrália. Foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, em 2003; entre as suas obras mais emblemáticas contam-se «Desgraça» e «À espera dos bárbaros».

Coetzee denuncia «campanha de aniquilação» de Israel

Coetzee recordou que já foi apoiante de Israel, sobretudo numa altura em que o país contava com forte apoio ocidental. Chegou mesmo a visitar Jerusalém, em 1987, para receber o Prémio Jerusalém, atribuído a escritores que celebram a liberdade individual na sociedade.

No entanto, frisou que a atual «campanha de aniquilação em Gaza» levada a cabo por Israel alterou a sua posição.

«Dizia-me repetidamente que havia de chegar o dia em que o povo israelita mudaria de atitude e faria alguma forma de justiça ao povo palestiniano, cuja terra ocupou», assinalou.

«Apoiantes de longa data de Israel têm-se afastado, horrorizados, com as ações das forças armadas israelitas.»

Fermentto-Tzaisler, diretora artística do festival de escritores, disse ao meio de comunicação israelita Ynet que ficou chocada com a dureza da resposta de Coetzee.

«Como escritora sul-africana que combateu o apartheid, esperaria – ou talvez sonhasse – que me estendesse a mão, que me dissesse: “Luta, minha filha. Não deixes de lutar.”... Deixou-me desesperada», escreveu numa carta de resposta, segundo a Ynet.

Aumenta contestação a eventos israelitas de cinema e literatura

Vários autores têm cancelado a participação em eventos de cinema e literatura organizados por Israel ou por instituições associadas, nos últimos anos.

Sally Rooney recusou vender à Modan, editora sediada em Israel, os direitos de tradução para hebraico do seu terceiro romance, «Beautiful World, Where Are You», em 2021. O gesto foi interpretado como um apoio ao movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), liderado por palestinianos.

A escritora canadiana Naomi Klein também desistiu de participar no PEN World Voices Festival de 2024, em março de 2024, em protesto contra aquilo que descreveu como resposta «insuficiente» da PEN America à guerra entre Israel e Gaza.

De forma semelhante, várias grandes estrelas e cineastas, como Olivia Colman, Ken Loach e Tilda Swinton, assinaram um compromisso intitulado «Film Workers for Palestine», comprometendo-se a recusar trabalho com instituições cinematográficas israelitas. A iniciativa abrange também festivais como o Docaviv e o Festival de Cinema de Jerusalém, que consideram «cúmplices de genocídio».

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