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Arqueólogos espanhóis encontram múmia com um fragmento da "Ilíada" no interior, no Egito

Uma série de múmias policromadas em exposição num museu
Uma série de múmias policromadas em exposição num museu Direitos de autor  AP Photo
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De Cristian Caraballo
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Uma missão hispano-egípcia em Oxyrhynchus descobriu um complexo funerário romano com papiros, múmias decoradas e placas de ouro, incluindo um texto do poema épico de Homero.

Os trabalhos arqueológicos levados a cabo pela Universidade de Barcelona e pelo Instituto do Próximo Oriente Antigo em Al Bahnasa, na antiga Oxirrinquia, a cerca de 190 quilómetros a sul do Cairo, revelaram um achado excecional: uma múmia que contém um fragmento de papiro com versos do segundo canto da "Ilíada", o poema épico atribuído a Homero.

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A descoberta teve lugar no chamado túmulo 65, um hipogeu que, apesar de ter sido saqueado na Antiguidade, conservava uma notável coleção de materiais funerários.

As diretoras da missão, Maite Mascort e Esther Pons Mellado, documentaram várias múmias com ligaduras decoradas com motivos geométricos e cores ainda vivas, bem como sarcófagos de madeira policromada e um pequeno lote de objectos metálicos: três folhas finas de ouro e uma peça de cobre. Todas estas peças faziam parte do enxoval ritual típico dos enterramentos greco-romanos, destinado a guiar o defunto na sua viagem para o além.

Um texto homérico nas entranhas de uma múmia

A descoberta assume uma dimensão literária e histórica única graças ao papiro encontrado no interior de um dos corpos. O texto preserva uma passagem do Livro II da Ilíada, conhecido como o Catálogo dos Navios, uma extensa enumeração poética dos contingentes gregos que partiram para Troia.

O ministro do Turismo e das Antiguidades do Egito, Sherif Fathy, salientou que a peça enriquece o já prolífico registo arqueológico da província de Al Menia. Hesham Al Leizy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, sublinhou que o sítio está a fornecer novas pistas sobre os rituais funerários de Al Bahnasa no período greco-romano.

O Professor Hassan Amer, da Universidade do Cairo e chefe da equipa de escavação egípcia, afirmou que o túmulo 65, apesar da sua deterioração estrutural e das pilhagens de que foi alvo, permitiu reconstruir o fascinante processo de fusão entre as tradições funerárias egípcias e as influências do Mediterrâneo helenístico e romano.

A descoberta confirma, uma vez mais, o papel de Oxyrhynchus como um dos locais documentais e arqueológicos mais importantes dos períodos ptolemaico e imperial.

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