As descobertas por sonar e mergulho no Lago de Garda causam sempre agitação. No passado, foram descobertas estruturas subaquáticas fascinantes e vestígios de naufrágios, sobretudo nas zonas norte e sul do lago.
Uma equipa de investigadores fez, aparentemente, uma nova e notável descoberta no Lago de Garda, em Itália: um objeto de grandes dimensões foi detetado a grandes profundidades por medição sonar. Os especialistas têm uma primeira hipótese sobre o que poderá ser: A anomalia detetada pelo sonar mostra uma estrutura alongada que se assemelha a um navio em termos de forma e tamanho.
Os investigadores suspeitam, por isso, que poderão ser os destroços de um navio de guerra.
No entanto, a confirmação oficial ainda está pendente. Os dados terão de ser analisados por peritos antes de ser tomada uma decisão sobre a documentação exata e um eventual estatuto de proteção.
A descoberta foi feita numa das zonas mais profundas do lago, longe da margem e das zonas balneares.
Este tipo de descobertas não é raro no Lago de Garda. A grandes profundidades, superiores a 300 metros e com reduzida visibilidade, ocorrem frequentemente ecos de sonar que podem ser interpretados como naufrágios. Além dos verdadeiros vestígios históricos, como pequenos navios a vapor, barcos de pesca ou veículos militares da Segunda Guerra Mundial, as formações rochosas, os troncos de árvores ou os depósitos de sedimentos também podem dar origem a interpretações erradas.
Destroços históricos foram encontrados no Lago de Garda
Durante décadas, os arqueólogos marinhos procuraram intensamente um veículo anfíbio DUKW, um camião de seis rodas, antes de ser finalmente descoberto em 2012. O veículo anfíbio foi desenvolvido pela General Motors durante a Segunda Guerra Mundial para transportar tropas e material tanto por terra como por água.
Durante 67 anos, o "Duck", como o veículo era coloquialmente conhecido, esteve escondido a uma profundidade de cerca de 180 metros no fundo do lago. Foi o local de enterro de pelo menos 24 soldados norte-americanos, tendo sobrevivido apenas um membro da tripulação.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a região esteve sob o controlo da RSI, apoiada pelos alemães. RSI significa "Repubblica Sociale Italiana", ou República Social Italiana.
Tratava-se de um Estado residual de Benito Mussolini, fundado após o seu derrube, em 1943, com o apoio da Alemanha nazi.
Depois de a Itália ter concluído um armistício com os Aliados, em setembro de 1943, a Alemanha ocupou grande parte do Norte de Itália. Mussolini, que tinha sido anteriormente deposto e preso, foi libertado pelas tropas alemãs e colocado à frente do RSI.
Os soldados norte-americanos conseguiram finalmente atravessar o Lago de Garda na noite de 29 para 30 de abril de 1945 e chegar à Villa Feltrinelli em Gargnano, que tinha sido a residência de Mussolini até pouco tempo antes. Gargnano era também a sede das instalações centrais da República Social Italiana. Mussolini já tinha sido fuzilado por partisans italianos em 28 de abril de 1945.
No entanto, nessa noite de tempestade, o veículo afundou-se em circunstâncias inexplicáveis.
Durante a operação de salvamento, descobriu-se que não havia restos humanos completos nos destroços. O Lago de Garda apresenta condições de preservação relativamente boas para os destroços, mas não necessariamente perfeitas para a preservação humana completa ao longo de quase 70 anos.
Galé do século XVI
Na parte sul do lago, em torno de Sirmione e Desenzano, predominam vestígios de embarcações mais antigas, incluindo fragmentos de origem veneziana e militar.
Neste local, está atualmente a ser reexaminada uma galé veneziana do início do século XVI. Encontra-se a uma profundidade de cerca de 24 a 27 metros, exatamente entre Lazise e Sirmione. Trata-se do naufrágio mais antigo conhecido no lago. Segundo os historiadores, o navio pertencia à frota da República de Veneza ("Sereníssima") e terá sido afundado ou queimado de forma deliberada em 1509, durante a Guerra da Liga de Cambrai, após o Senado veneziano ter ordenado uma retirada.
O naufrágio já tinha sido descoberto no final dos anos 50 e foi oficialmente documentado em 1962. No entanto, as atuais investigações são consideradas as medidas de proteção mais extensas das últimas décadas. Novas análises revelam que o casco se encontra surpreendentemente bem conservado. O navio mede atualmente cerca de 30 metros de comprimento e 3,5 metros de largura. As condições de frio, escuridão e baixo teor de oxigénio no leito marinho lamacento contribuíram significativamente para a sua preservação.
A campanha atual centra-se na documentação precisa dos destroços, na limpeza e nas medidas de conservação a longo prazo. Os investigadores deparam-se também com um novo problema: o naufrágio foi parcialmente colonizado por mexilhões-zebra invasores, originários da região do Mar Negro, que podem danificar a estrutura de madeira. Estão, portanto, previstas medidas de proteção adicionais, como a aplicação de coberturas geotêxteis e a realização de mais trabalhos de conservação.
Geologia fascinante
O Lago de Garda adquiriu a sua forma atual no final da última era glaciar, há cerca de 10 a 15 mil anos.
No entanto, geologicamente, é muito mais antigo, dado que o vale e a estrutura básica da bacia do lago foram formados ao longo de milhões de anos por processos tectónicos e de erosão. Durante os últimos períodos de frio intenso, enormes glaciares provenientes dos Alpes empurraram para sul e esculpiram a bacia do lago, tal como a conhecemos hoje.
Quando os glaciares recuaram, no final da era glaciar, a bacia encheu-se com água de degelo e dos rios, formando o lago.