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Conselheiro de toxicodependência que deu cetamina a Matthew Perry apanha dois anos de prisão

Erik Fleming sai do tribunal federal em Los Angeles após ser condenado pela morte do ator Matthew Perry, provocada por overdose de cetamina
Erik Fleming abandona o tribunal federal em Los Angeles após ser condenado no caso da morte por overdose de cetamina do actor Matthew Perry. Direitos de autor  Credit: AP Photo
Direitos de autor Credit: AP Photo
De Theo Farrant & AP
Publicado a Últimas notícias
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O conselheiro admitiu ter apresentado o ator a uma traficante a que os procuradores chamavam "Rainha da Cetamina", colaborando depois com os investigadores após ser localizado meses depois da morte de Perry.

Um conselheiro especializado em dependências, devidamente credenciado, que entregou as doses de cetamina que mataram Matthew Perry foi condenado esta quarta-feira a dois anos de prisão.

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A juíza Sherilyn Peace Garnett aplicou a pena a Erik Fleming, de 56 anos, num tribunal federal em Los Angeles, pelo seu papel na trágica morte, em 2023, da estrela de "Friends".

"É verdadeiramente um pesadelo do qual não consigo acordar", disse Fleming, com voz grave e sombria, da tribuna, antes de ouvir a sentença. "Sou assombrado pelos erros que cometi".

Fleming colocou Perry em contacto com Jasveen Sangha, apelidada de "Rainha da Cetamina" pela acusação, levando drogas da casa dela para a de Perry e cobrando uma margem de lucro.

Sangha foi condenada no mês passado a 15 anos de prisão.

Erik Fleming, à direita, abandona o tribunal federal depois de ser condenado no caso da morte do ator Matthew Perry por overdose de cetamina
Erik Fleming, à direita, abandona o tribunal federal depois de ser condenado no caso da morte do ator Matthew Perry por overdose de cetamina Credit: AP Photo

O advogado de Fleming, Robert Dugdale, disse à juíza que tinha "entregado a Rainha da Cetamina em bandeja de prata".

"Eles não faziam ideia de quem ela era antes desse dia", afirmou Dugdale.

Fleming arriscava cerca de quatro anos de prisão não fosse a cooperação com as autoridades. A acusação disse que ele merecia crédito por ter feito o que era certo, mas argumentou que só o fez quando foi confrontado e encurralado pelas autoridades.

"O sr. Fleming não cooperou por ter um motivo benevolente ou por querer justiça para o sr. Perry", disse o procurador adjunto Ian Yanniello. "Quis salvar-se a si próprio".

A juíza sublinhou ainda que Fleming não se apresentou às autoridades nos meses que se seguiram à morte de Perry e que os investigadores poderiam ter obtido a mesma informação que ele forneceu apenas com a apreensão do seu telefone. Todos concordaram, porém, que a sua cooperação acelerou e facilitou a investigação.

Fleming tornou-se o primeiro acusado a declarar-se culpado, em agosto de 2024, admitindo a distribuição de cetamina com resultado mortal. Disse à juíza que se tratou de um ato de desespero "na pior fase da minha vida".

À saída do tribunal, afirmou que "o peito e o coração me doem todos os dias pela dor que causei não só à família dele, mas aos milhões de pessoas que o adoram".

Qual foi exatamente o papel de Fleming?

Perry estava a receber tratamentos legais com cetamina para a depressão e procurou obter doses adicionais através de um amigo, que o apresentou a Fleming, antigo produtor de cinema e televisão cuja carreira tinha sido destruída pela dependência antes de se tornar conselheiro.

Fleming disse que vivia uma recaída grave, provocada por dificuldades pessoais. Obteve cetamina de Sangha e levou-a à casa de Perry, onde a vendeu ao assistente pessoal residente do ator, Kenneth Iwamasa.

Entre as entregas contaram-se 25 frascos por 6.000 dólares, quatro dias antes da morte de Perry.

Iwamasa administrou a Perry uma injeção daquela remessa a 28 de outubro de 2023 e mais tarde encontrou-o morto. Um médico legista concluiu que Perry morreu devido aos efeitos agudos da cetamina, com afogamento como causa secundária.

A investigação e o processo judicial, que se prolongaram por dois anos e meio, deverão terminar dentro de duas semanas, com a leitura da sentença de Iwamasa.

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