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Kiev de olhos postos nas "capacidades industriais" dos países da UE para fomentar produção de drones

Oleksandr Kamyshin, ex-ministro das Indústrias Estratégicas da Ucrânia e atualmente conselheiro do presidente Volodymyr Zelenskyy
Oleksandr Kamyshin, ex-ministro das Indústrias Estratégicas da Ucrânia e atualmente conselheiro do presidente Volodymyr Zelenskyy Direitos de autor  AP Photo/Evgeniy Maloletka
Direitos de autor AP Photo/Evgeniy Maloletka
De Ema Gil Pires
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Com o início da invasão russa, Kiev teve de aprender a "combater os drones Shahed", de fabrico iraniano, recorrentemente utilizados por Moscovo. O conselheiro presidencial ucraniano, Oleksandr Kamyshin, salientou que o país "terá todo o gosto em partilhar as lições" retiradas do conflito.

Oleksandr Kamyshin, ex-ministro das Indústrias Estratégicas da Ucrânia e atualmente conselheiro do presidente Volodymyr Zelenskyy, disse à Euronews que Kiev tem "todo o gosto" em desenvolver parcerias estratégicas com empresas dos Estados-membros da União Europeia de modo a estimular a produção de armas, em particular de drones, que têm vindo a ser utilizados na linha da frente para combater a invasão russa.

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À margem da ASD Convention 2026, realizada recentemente em Cascais, Oleksandr Kamyshin recordou que, fruto do recurso, por parte de Moscovo, aos drones Shahed de fabrico iraniano contra várias cidades ucranianas, Kiev teve de aprender "a combater esta nova ameaça". E, consequentemente, a "produzir equipamentos eficazes" para fazer face à mesma. Com especial destaque para os famosos drones intercetores, peça-chave do complexo sistema de defesa aérea ucraniano.

Equipamentos que, detalhou ainda o conselheiro presidencial, poderão ser muito úteis "a outras nações" para lidar convenientemente com "drones de ataque de longo alcance provenientes da Rússia ou do Irão", ou eventualmente de "outros países", no caso de um novo conflito em qualquer outra parte do mundo.

Mas no contexto da guerra em curso no Médio Oriente, sublinhou, esse tipo de armamento será "provavelmente" um elemento importante para alguns países da região, de forma a conseguirem "combater os drones Shahed" que possam vir a ser lançados pelas forças iranianas.

É que, mesmo estando em vigor um cessar-fogo entre os Estados Unidos e Teerão, o facto é que ambas as partes têm vindo a visar-se mutuamente no Estreito de Ormuz, e também os Emirados Árabes Unidos têm reportado sucessivos ataques por parte do Irão, apesar da trégua anunciada. "E a Ucrânia, como nação que aprendeu a combatê-los [os drones Shahed], terá todo o gosto em partilhar as lições aprendidas".

E, ainda numa lógica negocial, Oleksandr Kamyshin referiu que, também por esse motivo, o país teria "todo o gosto em coproduzir", bem como "em exportar" o que, entretanto, se aprendeu "a produzir na Ucrânia", com os seus "países parceiros". Destacou também que "em todos os países europeus" existem "capacidades industriais adequadas e parceiros industriais adequados" para concretizá-lo.

As declarações de Kamyshin foram proferidas no dia em que o chefe de Estado ucraniano anunciou que Kiev tinha já ultimado "todos os detalhes", ao nível das instituições estatais do país, para tornar a exportação de armas ucranianas "uma realidade", por via de um "formato especial de cooperação" que apelidou de "Drone Deals" (Acordos de Drones, em português).

Em causa, afirmou Volodymyr Zelenskyy numa publicação no X, estão "acordos especiais relativos à produção e fornecimento" dos renomados drones ucranianos,mas também de "mísseis, munições e outros tipos de armamento, equipamento militar e software muito procurados" por outras nações. Estando previstas ainda a sua "integração com os sistemas de defesa" dos "parceiros" de Kiev e a "disponibilização" de "conhecimentos especializados" por parte do país, bem como a "troca de conhecimentos tecnológicos de que a Ucrânia necessita".

Mas apenas os "parceiros que apoiam a Ucrânia" poderão ter acesso, por esta via, aos "conhecimentos especializados em segurança e armamento" que têm vindo a ser aperfeiçoados ao longo dos últimos quatro anos no país, consequência direta da guerra iniciada pela Rússia, indicou Zelenskyy.

Ucrânia tem "alguma capacidade excedentária", diz Kamyshin

Já sobre o modo como a Ucrânia teve de adaptar a sua atividade produtiva de modo a conseguir sustentar o seu esforço de defesa contra a invasão russa, Oleksandr Kamyshin explicou à Euronews que a indústria de defesa ucraniana está, hoje em dia, mais robusta do que nunca.

"Aumentámos as nossas capacidades industriais a ponto de podermos produzir o triplo do que temos de fundos disponíveis a nível local. Por isso, temos alguma capacidade excedentária", disse o conselheiro ucraniano.

Apesar disso, as autoridades de Kiev estão a apostar igualmente além-fronteiras, de modo a potenciar o desenvolvimento de armamento, mas também a sua exportação. Tendo exemplificado, inclusive, com o caso de uma unidade de produção conjunta sediada na Alemanha, resultado de uma joint venture que está "a operar desde fevereiro" com vista a "produzir drones ucranianos" nesse país.

"Até ao final deste ano, teremos pelo menos 10 joint ventures na Europa, a produzir drones ucranianos" no continente, garantiu o ex-ministro das Indústrias Estratégicas da Ucrânia.

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