As conversações mediadas pelos Estados Unidos para pôr fim ao pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial têm mostrado poucos progressos desde fevereiro, altura em que Washington mudou o foco para a sua guerra com o Irão.
O principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, vai manter conversações com as autoridades norte-americanas na Florida, na quinta-feira, sobre a forma de pôr fim à invasão russa em grande escala, disse Kiev na quinta-feira, num momento em que as negociações durante a guerra do Irão estão paradas.
"O secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia irá realizar uma série de reuniões hoje com enviados do presidente dos Estados Unidos", escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky numa publicação no X.
Zelenskyy disse que Kiev tinha "definido as tarefas principais", que incluem a discussão de uma potencial troca de prisioneiros com a Rússia e garantias de segurança para uma Ucrânia pós-guerra.
"Rustem e eu discutimos o trabalho com os nossos parceiros europeus sobre as operações com drones. Estamos a preparar os acordos alcançados ao mais alto nível, bem como novos passos no trabalho tecnológico conjunto", escreveu Zelenskyy.
As conversações mediadas pelos Estados Unidos para pôr fim ao pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial têm mostrado poucos progressos desde fevereiro, quando Washington mudou o foco para a sua guerra com o Irão.
Umerov reuniu-se pela última vez com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e com o genro do Presidente Donald Trump, Jared Kushner, na Florida, entre 21 e 22 de março.
Desde que regressou ao cargo, Trump tem pressionado Moscovo e Kiev a negociar, mas meses de conversações não conseguiram aproximar as partes beligerantes de um acordo para pôr termo aos combates, desencadeados pela invasão total da Rússia há quatro anos.
As conversações, já estagnadas, foram adiadas a partir do final de fevereiro, quando começou a campanha aérea israelita-americana contra o Irão.
Mesmo antes da guerra do Médio Oriente, a Rússia e a Ucrânia continuavam em desacordo sobre a questão fundamental do território.
A Ucrânia propôs o congelamento do conflito ao longo das atuais linhas da frente.
Mas a Rússia rejeitou essa proposta, afirmando que quer toda a região de Donetsk, apesar de esta ser parcialmente controlada pela Ucrânia, uma exigência que Kiev diz ser inaceitável.
Cessar-fogo do Kremlin
Entretanto, o Kremlin disse na quinta-feira que iria iniciar um cessar-fogo de dois dias com a Ucrânia, a partir da meia-noite, que se destina a cobrir o seu desfile patriótico de 9 de maio, depois de ter ignorado um cessar-fogo ucraniano no início desta semana.
Moscovo avisou os diplomatas estrangeiros em Kiev que atacaria a capital ucraniana se a Ucrânia visasse o seu desfile de vitória da Segunda Guerra Mundial.
"Sim, estamos a falar dos dias 8 e 9 de maio", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, quando questionado se o cessar-fogo entraria em vigor a partir da meia-noite.
Questionado sobre o cessar-fogo ucraniano de 6 de maio, uma contraoferta de Kiev que rejeitou a exigência de Moscovo de cessar os combates como "cinismo absoluto", Peskov disse: "Não houve qualquer reação russa a isso".
O Kremlin encomendou este ano uma versão mais reduzida das celebrações no centro de Moscovo, sem equipamento militar em exposição, por recear que pudesse ser alvo da Ucrânia.