Mostafa Nili, advogado de Jafar Panahi, anunciou domingo que a 26.ª secção do Tribunal Revolucionário de Teerão, presidida pelo juiz Iman Afshari, rejeitou a impugnação e confirmou integralmente a sentença à revelia contra o cineasta iraniano.
Numa entrevista ao meio de comunicação iraniano «Emtedad», o advogado Nili revelou a decisão e acrescentou: «Segundo a sentença inicial, Panahi foi condenado a um ano de prisão efetiva pelo crime de atividade de propaganda contra o sistema da República Islâmica do Irão. Foram ainda fixados dois anos de proibição de saída do país e de filiação em grupos e formações políticas e sociais para ele.»
O advogado deste cineasta de renome, galardoado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes, explicou que a realização de um filme «clandestino e problemático contra o poder», o apoio a presos políticos e de segurança, o apoio aos protestos populares contra o governo, o apoio ao slogan «mulher, vida, liberdade», a assinatura e divulgação de um comunicado sobre a greve dos camionistas, a alegada tentativa de «denegrir» a situação do país e a republicação de um videoclipe de interpretação coletiva do hino «Ey Iran» como protesto contra a emissão e aplicação de penas de morte foram apresentados como fundamentos da decisão.
Segundo o mesmo, a sentença pode ser impugnada no Tribunal de Recurso da província de Teerão no prazo de vinte dias após a notificação.
A decisão inicial do tribunal contra Panahi foi proferida numa altura em que o realizador se encontrava no estrangeiro para participar na campanha de promoção do filme «Um acidente simples»; a obra, depois de conquistar a Palma de Ouro em Cannes, foi escolhida para representar a França nos Óscares na categoria de melhor filme internacional.
Este conceituado realizador iraniano, apesar da condenação proferida à revelia, regressou ao Irão a 30 de março, após ter estado presente na cerimónia dos Óscares. Um regresso que coincidiu com a continuação da guerra entre, por um lado, os Estados Unidos e Israel e, por outro, o governo iraniano.
Entre 2022 e 2023, Panahi passou 86 dias na prisão de Evin, acusado de «atividade propagandística contra o sistema». Acabou por ser libertado após uma greve de fome e a aceitação do seu pedido de recurso, o que levou à anulação das acusações iniciais.