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Qual o impacto do confinamento sobre o clima?

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Qual o impacto do confinamento sobre o clima?
Direitos de autor  Wilks, Jeremy/
De  Jeremy Wilks
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Em 2020, a poluição do ar aumentou e diminuiu ao ritmo dos confinamentos. Mas será que essas variações tiveram um impacto no clima da Terra?

"Os níveis de CO2 na atmosfera, assim como os níveis de outros gases importantes para o efeito de estufa, como o metano e o protóxido de azoto, estão a aumentar. Não vemos qualquer diminuição nessas concentrações. A curva sobe e continua a subir em 2019 e 2020 não é exceção. Continuam a aumentar", disse Oksana Tatasova cientista especializada no estudo das emissões de CO2, da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O CO2 provoca o chamado efeito estufa. Diz-se 'efeito de estufa' porque o gás retém o calor na atmosfera da Terra, tal como o vidro retém o calor numa estufa.

“Há um efeito de estufa natural, que existia antes de os humanos começarem a fazer qualquer atividade. E há o efeito de estufa provocado pelo homem, que está relacionado com as nossas emissões. Quando emitimos ainda mais CO2, metano ou protóxido de azoto na atmosfera, todas as moléculas que adicionamos funcionam como pequenas máquinas de aquecimento", acrescentou a cientista da OMM.

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Oksana Tatasova, cientista da Organização Meteorológica Mundialeuronews

Temperatura deverá subir nas próximas décadas

A temperatura deverá subir mais um grau e meio nas próximas décadas. Além disso, os cientistas sublinham que é preciso ter em conta que o sistema climático reage muito lentamente.

"Demora décadas para que o sistema climático seja afetado pelo que está na atmosfera hoje. O padrão de temperatura que vemos hoje globalmente e que está neste mapa é o produto das concentrações de gases de efeito estufa que tínhamos na atmosfera há 30 anos. No futuro, serão precisos mais 30 anos para que o clima se aproxime de um equilíbrio com base nas concentrações de gases de efeito estufa que temos hoje na atmosfera", explicou Maxx Dilley, diretor do Departamento de Serviços Climáticos da OMM.

Devido às atividades humanas, os níveis de dióxido de carbono representam agora mais de 410 partes por milhão. A média pré-industrial era de 280 partes por milhão.

"A última vez que houve na atmosfera terrestre essa quantidade de CO2 foi há três ou cinco milhões de anos. E nesse tempo a temperatura era dois a três graus mais elevada e o nível do mar era dez a vinte metros superior ao de hoje. Mas não havia humanos", sublinhou Oksana Tatasova. No entanto, "a pandemia demonstrou que há esperança. Se precisarmos de agir, seremos capazes de fazer ações massivas”, acrescentou a cientista da OMM.

Os dados do Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copernicus

2020 foi o ano mais quente de que há registo. As temperaturas situaram-se 0,6 graus acima da média do periodo 1981-2010, de acordo com os dados do Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copernicus.

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2020 foi o ano mais quente de que há registoeuronews

A década mais quente de que há registo

2020 concluiu a década mais quente de que há registo. Segundo os cálculos realizados por diferentes instituições científicas desde 1851, o aquecimento da terra nos últimos 40 anos é um facto que não suscita dúvidas.

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Temperaturas desde a era pré-industrialeuronews

Pandemia provocou melhorias pontuais da qualidade do ar

A pandemia implicou confinamentos em toda a Europa. As ruas ficaram vazias e o ar ficou mais limpo. Os níveis de poluição por dióxido de nitrogénio dos veículos caíram 50% em certos pontos. Mas as melhorias não duraram muito.

"Se as emissões diminuem, as concentrações de gases diminuem. Se as emissões voltam a aumentar, as concentrações voltam a aumentar. Porque esses poluentes têm uma vida útil curta na atmosfera. E voltam à superfície da Terra através da chuva, por exemplo, ou reagem com outros gases na atmosfera. Têm uma vida útil limitada", explicou Richard Engelen, cientista do Serviço Europeu de Alterações Climáticas Copernicus.