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Cabaz alimentar atinge valor mais alto dos últimos 4 anos, mas não é só em Portugal que preços sobem

Cabaz alimentar atinge custo mais alto dos últimos quatro anos
Cabaz alimentar atinge custo mais alto dos últimos quatro anos Direitos de autor  AP Photo
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De Ema Gil Pires
Publicado a Últimas notícias
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Face a 5 de janeiro de 2022, o preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste, composto por 63 produtos, registou uma subida de 35,02%. Mas Portugal não é caso único: vários outros países europeus têm registado uma tendência semelhante em tempos recentes.

Uma análise da DECO PROteste, defesa do consumidor, divulgada na quinta-feira passada, revela que, nos últimos quatro anos, o cabaz alimentar das famílias “nunca tinha estado tão caro”, tendo subido quase 12 euros desde o início do ano.

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Na semana entre 4 e 11 de fevereiro, o preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste rondava os 253,43 euros, o que representa um aumento de 34 cêntimos (mais 0,13%) face à semana anterior. Um período em que, detalha a associação, este conjunto de produtos “já tinha atingido o preço mais elevado” desde que a avaliação é feita.

De facto, em comparação com 5 de janeiro de 2022 – há aproximadamente quatro anos –, data em que a entidade deu início a este acompanhamento, a subida foi de 65,73 euros. Ou seja, de 35,02%.

Já desde o início de 2026, houve uma subida de 4,8% (11,61 euros) no custo desta cesta para os consumidores portugueses, com a alimentação a passar a pesar mais no orçamento das famílias.

Para calcular a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, a DECO analisa, todas as quartas-feiras, "o custo total de um cabaz”, composto por 63 produtos – englobando carne, peixe, congelados, frutas e legumes, lacticínios e produtos de mercearia – “com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online”.

É depois calculado “o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível” e, finalmente, “somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia”.

Numa análise semanal, a curgete (mais 29%), o café torrado moído (mais 19%) e a massa em espirais (mais 16%) foram os produtos alimentares que registaram subidas percentuais mais significativas. E, em comparação com os valores identificados durante a primeira semana deste ano, a curgete (mais 96%), o peixe espada-preto (mais 23%) e a dourada (mais 21%) foram os bens cujos custos mais aumentaram.

Refira-se, no entanto, que, nos últimos quatro anos, foram a carne de novilho para cozer (mais 119%), os ovos (mais 86%) e o café torrado moído (mais 76%) que sofreram as alterações mais expressivas.

As razões por detrás dos aumentos

Mas o que explica, então, estas variações? “A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde era proveniente grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal), veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal”, explica a DECO PROteste na sua análise.

Perante uma “limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção”, com particular destaque para os fertilizantes e a energia, essenciais para a produção agroalimentar, acabou depois por verificar-se, como resultado, um “incremento dos preços nos mercados internacionais” e, finalmente, “nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal em 2022”.

Facto é que o Governo português acabaria por “adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos”, que, segundo a avaliação, “até ajudou a controlar a subida dos preços” num primeiro momento. Mas “poucos meses depois, o impacto deixou de se sentir na carteira dos consumidores” e, em 2024, o imposto acabou mesmo por ser reposto, com vários produtos a protagonizarem novos aumentos desde então. Foi esse o caso, em particular, dos ovos, do café torrado moído e do chocolate, em 2025.

Tendência de subida dos preços abrange (quase) toda a Europa

De facto, Portugal não é caso único no que diz respeito à subida do custo dos bens alimentares para os consumidores. Tal como reportado anteriormente pela Euronews, dados recentes do Eurostat mostram que os preços dos alimentos na União Europeia aumentaram, em média, 2,8% em 2025, face ao ano anterior. Em artigos específicos, inclusive, a inflação até superou os 10%, como é o caso do chocolate (17,9%), da fruta congelada (13%) e da carne de vaca e de vitela (10%).

Na Europa, a Turquia assumiu-se como o país em que o aumento do valor de venda dos produtos alimentares foi mais significativo (32,8%), seguido pelo Kosovo (7,6%). Entre os 27 Estados-membros da União Europeia, por sua vez, destacou-se a Roménia (6,7%), havendo uma situação semelhante na Estónia (6,2%) e na Bulgária (5,7%).

E na generalidade dos países do sul do continente, o cenário também foi de subida. Malta (3,1%), Itália (2,5%), Espanha (2,1%) e Grécia (2,0%): todos estes territórios assistiram, no ano passado, a um encarecimento dos bens desta tipologia em 2025.

Portugal, nesta análise, apresenta uma inflação alimentar de 2,8%, em linha com a média da União. A nível europeu, só a Suíça exibiu um decréscimo nos custos destes produtos para os consumidores (-1,1% face a 2024), ao passo que, em Chipre, não houve qualquer variação.

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