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Gronelândia: cientistas receiam novo derretimento da cúpula de gelo de Prudhoe

Membros da equipa GreenDrill no Prudhoe Dome, calote glaciar essencial do manto de gelo da Gronelândia
Membros da equipa GreenDrill no Prudhoe Dome, parte-chave do manto de gelo da Gronelândia Direitos de autor  Jason Briner/University at Buffalo
Direitos de autor Jason Briner/University at Buffalo
De Liam Gilliver
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Cúpula de gelo do tamanho do Luxemburgo derreteu há cerca de 7.000 anos; pode a história repetir-se?

Cientistas alertam que é “apenas uma questão de tempo” até que a Cúpula de Prudhoe, na Gronelândia, comece a derreter, enquanto as emissões que retêm calor continuam a aquecer o planeta.

A enorme camada de gelo, com 500 metros de espessura, tem uma dimensão semelhante à do Luxemburgo, cobrindo cerca de 2.500 quilómetros quadrados. O seu desaparecimento desencadaria consequências catastróficas no mundo, podendo elevar o nível do mar até 73 centímetros.

Para contextualizar, o Copernicus indica que, por cada centímetro de subida do nível do mar, cerca de seis milhões de pessoas ficam expostas a inundações costeiras.

Gronelândia: Cúpula de Prudhoe já derreteu

O alerta surge na sequência de um projeto de 2023, liderado pela GreenDrill e pela Universidade de Buffalo, para recolher rochas e sedimentos enterrados sob o manto de gelo da Gronelândia. As conclusões foram publicadas na Nature Geoscience.

Os investigadores recolheram amostras a 508 metros de profundidade e usaram uma técnica chamada datação por luminescência. Quando um sedimento é enterrado, os eletrões podem ficar presos no interior até voltar a ser exposto à luz, permitindo aos cientistas estimar a última vez em que esteve à luz do dia.

Concluíram que a cúpula de gelo derreteu pela última vez há cerca de 7.000 anos, no início do Holoceno. É muito mais recente do que se pensava e sugere que a cúpula é “altamente sensível a temperaturas moderadas”.

O período Holoceno abrange os últimos 11.700 anos, começando após a última grande era glacial. Caracteriza-se por um clima relativamente quente, com temperaturas cerca de 3 a 5 ºC superiores às atuais.

Alterações climáticas de origem humana

Algumas projeções alertam que, sem cortes profundos nas emissões, o mundo poderá atingir esses níveis de aquecimento até 2100. A equipa de investigação espera voltar a perfurar o manto de gelo para ajudar a prever a velocidade do degelo e estimar exatamente quanta subida de temperatura no passado levou ao derretimento do gelo.

“É uma época conhecida pela estabilidade climática, quando os humanos começaram a desenvolver práticas agrícolas e a dar passos rumo à civilização”, diz Jason Briner, professor e vice-diretor do Departamento de Ciências da Terra, que co-liderou o estudo.

“Se alterações climáticas naturais e moderadas dessa era foram suficientes para derreter a Cúpula de Prudhoe e mantê-la recuada durante potencialmente milhares de anos, poderá ser apenas uma questão de tempo até voltar a recuar devido às alterações climáticas de origem humana atuais.”

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