O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, confirmou a morte de mais três pessoas na tempestade. Até ao momento, são cinco as vítimas mortais, três na região de Leiria, uma em Vila Franca de Xira e uma em Silves, no Algarve.
A depressão Kristin está a fustigar Portugal esta quarta-feira, com chuva, neve e ventos fortes. Até ao momento, foram contabilizadas cinco vítimas mortais na sequência da tempestade, mas as circunstâncias e o grau de relação com a intempérie não estão totalmente esclarecidos.
A Proteção Civil já tinha confirmado dois mortos: um em Vila Franca de Xira, na sequência da queda de uma árvore, e outro em Leiria, após a queda de uma estrutura. Posteriormente, o presidente da Câmara de Leiria deu nota do falecimento de mais duas pessoas no seu concelho, "duas deram entrada no hospital com paragens cardiorespiratórias e que, de alguma forma, poderão estar relacionadas com a tempestade", informou Gonçalo Lopes, em declarações à RTP.
Até às 15:00 horas de quarta-feira, a Proteção Civil confirmou a morte de 4 pessoas. Contudo, uma neerlandesa de 83 anos morreu em Silves, no Algarve, após ter sido dada como desaparecida.
A cidadã neerlandesa foi encontrada sem vida dentro do seu carro que caiu na Ribeira de Algoz.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) fala em mais de três mil ocorrências desde a meia-noite, sendo as regiões de Leiria, Coimbra, Lisboa, Península de Setúbal, Oeste, Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Aveiro as mais afetadas.
Zona centro do país está fortemente afetada
A região centro foi a mais afetada pelos efeitos da depressão, segundo informou o IPMA em declarações esta manhã à agência Lusa. A tempestade entrou no país pela zona de Leiria e daí progrediu para o interior do país.
Durante a noite, o IPMA registou rajadas de vento de 150 quilómetros por hora (km/h) no Cabo Carvoeiro. No aeródromo de Leiria foram registadas rajadas de 142 km/h e em Ansião 146 km/h.
Leiria, cujo autarca confirmou a existência de quatro vítimas mortais, ativou a Situação de Alerta na sequência dos efeitos da depressão.
A Figueira da Foz foi outro concelho fortemente afetado. O vento e chuva forte provocaram sérios danos nas infraestruturas localizadas na marginal, nomeadamente o parque urbano e a roda-gigante, tal como revelam as imagens partilhadas nas redes sociais.
Milhares de habitações sem energia elétrica e perturbações na circulação
O mau tempo afetou o fornecimento de energia elétrica em algumas zonas do país.
Pelas 13h00 havia ainda cerca de 529 mil clientes sem energia devido a danos na infraestrutura física de distribuição de eletricidade, provocados pela depressão, segundo informou a E-REDES no último balanço.
Os distritos mais afetados são Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal, com mais de mil operacionais no terreno a trabalhar na reposição da energia elétrica.
Cerca de um milhão de clientes chegaram a ser afetados durante o pico da tempestade.
Quanto à circulação ferroviária, esta foi severamente afetada pela Kristin, registando-se vários constrangimentos a nível da circulação urbana e de longo curso, com atrasos e suspensões.
Devido a problemas na ferrovia devido ao mau tempo, a CP anunciou que a circulação de comboios foi suspensa em alguns troços. A ligação de longo curso entre Porto e Lisboa foi uma das afetadas.
Houve ainda perturbações ao nível da circulação rodoviária, com a queda de árvores e outros constrangimentos, que obrigaram ao corte e à limpeza de estradas.
Esta quarta-feira, vários municípios tomaram também a decisão de encerrar as escolas devido aos efeitos provocados pela passagem da depressão Kristin.
"Situação rara"
O IPMA está a tratar a depressão Kristin como um fenómeno raro, equiparado apenas a tempestades que ocorreram em 2009 e 2018.
"Esta situação, nós por vezes designamos como uma pequena bomba meteorológica. Estes pequenos núcleos por vezes têm uma zona secundária associada de muita intensidade, que chamamos de um 'sting jet'. É um fenómeno raro, infelizmente, caiu numa zona que já tinha sido afetada pelo Leslie e com as consequências que se viu", referiu Nuno Lopes do IPMA, durante uma conferência de imprensa da Proteção Civil.
O mais difícil da situação meteorológica parece ter passado, mas o estado do tempo volta a piorar durante a tarde de quarta-feira, ainda que num nível diferente da última noite.
"Não temos avisos com o mesmo nível, a não ser agitação marítima (continuamos com aviso vermelho). A orla costeira é um local de perigo", afirmou.
*em atualização