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Detetar desinformação climática em 2026: armadilhas emocionais e falsos especialistas

Manifestante segura cartaz onde se lê "Não acredito que estejamos a marchar pelos factos"
Manifestante segura cartaz onde se lê "Não acredito que estamos a marchar em defesa dos factos". Direitos de autor  Mika Baumeister via Unsplash.
Direitos de autor Mika Baumeister via Unsplash.
De Liam Gilliver
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À medida que a ameaça das alterações climáticas se agrava, a UE reforçou o compromisso de combater a desinformação

A União Europeia apoiou uma declaração histórica para combater a desinformação climática numa altura de epidemia de fake news e de conteúdos de má qualidade gerados por IA.

Lançada durante a cimeira COP30, em Belém, no ano passado, a Declaração sobre Integridade da Informação em Matéria de Alterações Climáticas demonstra um “compromisso firme” com o debate factual, a ciência do clima e políticas públicas baseadas em evidência.

Antes do apoio da UE em 20 de janeiro de 2026, a declaração tinha sido apoiada individualmente por 15 Estados-membros, incluindo Bélgica, Alemanha e Espanha.

Surge numa altura em que é cada vez mais difícil orientar-se na informação ambiental online. Segundo o Eurobarómetro de 2025 sobre as alterações climáticas, 52% dos europeus afirmam que os media tradicionais não fornecem informação clara sobre o tema, enquanto 49% referem dificuldades em identificar conteúdos fiáveis nas redes sociais.

Desinformação climática: o que é?

Define-se desinformação climática como a difusão intencional de informação falsa ou enganosa sobre as alterações climáticas e a ação climática, incluindo a negação completa e teorias da conspiração.

É diferente de informação incorreta sobre o clima, que consiste em dados falsos ou fora de contexto apresentados como factos.

“Vivemos num mundo em que a ameaça das alterações climáticas se torna cada vez mais urgente e, ao mesmo tempo, onde abundam verdades alternativas, confrontação e desinformação”, afirma Wopke Hoekstra, comissário para o clima, neutralidade carbónica e crescimento limpo.

“Isto é motivo de preocupação. Debates públicos informados, em que se escuta e se olha para a ciência, são essenciais para que a humanidade possa enfrentar eficazmente a crise climática.”

Como detetar desinformação climática em 2026

No âmbito dos esforços para abordar o problema, a Direção-Geral da Ação Climática da Comissão Europeia lançou uma nova campanha, #ClimateFactsMatter. Visa “capacitar as pessoas” para ver além da desinformação climática e expõe as principais técnicas usadas para enganar o público.

Veja o quadro completo

A desinformação climática recorre frequentemente a dados escolhidos a dedo para baralhar as águas. Verifique sempre várias fontes fiáveis para ter o quadro completo. O EuroClimateCheck publica regularmente os mais recentes artigos sobre desinformação climática, curados por algumas das principais organizações europeias de verificação de factos.

Falsos especialistas

Qualquer pessoa pode afirmar ser ‘especialista’ na internet, seja no clima ou noutras áreas. Uma investigação da Press Gazette revelou recentemente 1.000 artigos na imprensa britânica atribuídos a especialistas falsos, inexistentes e “melhorados” por IA. Compare sempre as afirmações de um ‘especialista’ com fontes fiáveis.

‘Armadilhas emocionais’

A desinformação climática recorre muitas vezes a linguagem carregada. Se vir uma publicação que o deixa imediatamente zangado ou assustado, pare um instante para verificar as alegações.

‘Solução rápida’ para as alterações climáticas

Combater as alterações climáticas é um processo exigente que requer mudanças sistémicas globais e uma transição para longe dos combustíveis fósseis. Se encontrar uma notícia ou publicação que apresenta uma solução ‘fácil’ para as alterações climáticas, desconfie. Se soa demasiado bom para ser verdade, provavelmente é.

Falsificações geradas por IA

A explosão da inteligência artificial (IA) tornou as imagens falsas omnipresentes na internet. Se algo lhe parece estranho, aproxime para ver os detalhes ou faça uma pesquisa inversa de imagem. Mais uma vez, recorra a fontes fiáveis ou aos verificadores de factos.

A Euronews tem uma equipa dedicada de jornalistas a desmentir algumas das maiores histórias e rumores que visam a Europa. Pode visitar a nossa página Euroverify aqui.

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