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EUA vão rastrear o ébola nos aeroportos, com médicos europeus a deslocarem-se para a região

Um funcionário da saúde usa um termómetro para fazer um rastreio às pessoas em frente ao Hospital Muçulmano de Kibuli, em Kampala, 16 de maio de 2026
Um funcionário da saúde usa um termómetro para fazer um rastreio às pessoas em frente ao Hospital Muçulmano de Kibuli, em Kampala, 16 de maio de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Evelyn Ann-Marie Dom
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O último desenvolvimento levantou questões sobre a decisão da administração Trump de cortar a USAID e retirar-se da OMS.

Os Estados Unidos estão a intensificar as suas medidas para evitar a propagação do Ébola, assegurando ao mesmo tempo que o risco para os americanos continua a ser baixo.

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As medidas anunciadas pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) incluem o rastreio dos passageiros aéreos provenientes de regiões afetadas pelo surto.

Os titulares de passaportes não americanos que tenham viajado para o Uganda, para a República Democrática do Congo (RDC), ou para o Sudão do Sul, nos últimos 21 dias também serão sujeitos a restrições de entrada.

A Embaixada dos EUA em Kampala, capital do Uganda, declarou que tinha suspendido temporariamente todos os serviços de emissão de vistos.

"Neste momento, o CDC avalia o risco imediato para o público em geral dos EUA como baixo, mas continuaremos a avaliar a evolução da situação e podemos ajustar as medidas de saúde pública à medida que informações adicionais se tornam disponíveis", disse a agência de saúde num comunicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar "preocupado" com o surto, mas acredita que "neste momento está confinado a África."

A decisão surge depois de um cidadão americano ter testado positivo para o vírus na RDC, na sequência de uma exposição relacionada com o seu trabalho no país.

"A pessoa desenvolveu sintomas durante o fim de semana e testou positivo no final de domingo", disse Satish Pillai, gestor de incidentes de resposta ao Ébola da Organização Mundial de Saúde (OMS). O indivíduo será transferido para a Alemanha para tratamento.

Os Estados Unidos da América estão a trabalhar na retirada de mais seis pessoas para monitorização da saúde, acrescentou Pillai.

Material médico empilhado no interior de um armazém da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Nairobi, 18 de maio de 2026
Material médico empilhado no interior de um armazém da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Nairobi, 18 de maio de 2026 AP Photo

Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que tinha ativado um plano de resposta e que estava a trabalhar em conjunto com o CDC e as forças armadas dos EUA sobre o potencial repatriamento de americanos afetados pelo surto.

"No espaço de 48 horas, o Departamento ativou um plano de resposta e mobilizou um montante inicial de 13 milhões de dólares em assistência externa para esforços de resposta imediata", refere o comunicado.

"Este financiamento reforça a resposta de cada país, apoiando a vigilância, a capacidade laboratorial, a comunicação de riscos, os enterros seguros, o rastreio de entradas e saídas e a gestão de casos clínicos."

Portugal reforça medidas de deteção precoce

A Direção-Geral da Saúde considerou muito baixo o risco de infeção na Europa, contudo decidiu reforçar as medidas de deteção precoce de casos de Ébola.

“Portugal, como a maioria dos países não diretamente afetados, reforça a deteção precoce de casos potencialmente importados”, adiantou a Direção-Geral da Saúde (DGS) à agência Lusa.

O plano passa por atualizar as medidas de preparação e respostas já existentes para potenciais casos importados, "com base nas orientações DGS para o Ébola e em alinhamento com as recomendações do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), relativamente a viajantes e regressados dos países afetados", esclarece a entidade de saúde.

Também será reforçada a capacidade laboratorial para rastreio de possíveis infeções, referiu ainda a DGS à Agência Lusa.

Cortes na ajuda dos EUA e retirada da OMS

As autoridades norte-americanas evitaram questões sobre a forma como os cortes efetuados pela administração à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) tiveram impacto nos esforços para monitorizar e conter a propagação do vírus.

A USAID era responsável pela administração da ajuda humanitária estrangeira e da assistência ao desenvolvimento a nível mundial.

A agência tinha sido um dos principais alvos do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) de Elon Musk, que procurava eliminar o "desperdício" de despesas públicas.

Os Estados Unidos também se retiraram formalmente da OMS este ano.

As remessas de tendas com destino ao Congo são vistas num armazém da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Nairobi, Quénia, segunda-feira, 18 de maio de 2026.
Remessas de tendas destinadas ao Congo são vistas num armazém da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Nairobi, Quénia, segunda-feira, 18 de maio de 2026. AP Photo/Jackson Njehia

No domingo, a OMS declarou o surto de Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma emergência sanitária mundial.

Foram registadas pelo menos 100 mortes, com cerca de 400 casos suspeitos até segunda-feira. A maioria das pessoas afetadas tem entre 20 e 39 anos e mais de 60% são mulheres.

Entretanto, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças anunciou o envio de peritos para África para apoiar a resposta ao surto de Ébola.

A agência afirmou que a sua equipa seria "imediatamente enviada" para a sede do CDC em África, em Adis Abeba, capital da Etiópia.

"O ECDC está em conversações com as Operações Europeias de Proteção Civil e Ajuda Humanitária e com a Rede Mundial de Alerta e Resposta a Surtos no que se refere ao possível destacamento de mais peritos à medida que a situação evolui, por exemplo, em matéria de prevenção de infecções, epidemiologia, vigilância e comunicação de riscos", declarou(fonte em inglês) o ECDC em comunicado(fonte em inglês).

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