Na segunda-feira, a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) informou que foram identificados três casos de sarampo e “quase 500 contactos de risco” no concelho de Beja.
Desde o início de abril, foram identificados no concelho de Beja três casos confirmados de sarampo em adultos “entre os 30 e os 55 anos” e “quase 500” contactos de risco, confirmou a Unidade Local de Saúde à agência Lusa na segunda-feira.
Bruno Pinto Rebelo, médico especialista em Saúde Pública da Unidade, avançou que duas das pessoas não estavam vacinadas e a terceira tinha a vacina segundo o esquema vacinal recomendado no Programa Nacional de Vacinação (PNV) da Direção-Geral de Saúde.
O médico esclareceu que o facto de uma pessoa não vacinada ter contraído a doença "não é, necessariamente, causa para apreensão".
"Os estudos mais recentes indicam uma taxa de eficácia muito elevada de proteção contra o sarampo em pessoas com duas doses da vacina combinada", disse.
Os casos registados têm “ligação epidemiológica” entre si, confirmou Bruno Pinto Rebelo, o que significa que estiveram expostos à mesma fonte de infeção.
Dos quase 500 contactos de risco, “mais de 120 foram vacinados, de acordo com a norma da DGS, por só terem uma ou nenhuma dose da vacina no momento da exposição aos casos confirmados", adiantou o especialista.
A manifestação súbita de vários casos de uma doença, numa determinada região e em pouco tempo, é considerado um surto e, segundo Bruno Pinto Rebelo confirmou à agência Lusa, “o aparecimento destes casos considera-se, efetivamente, que estamos perante um surto”, mas não antecipou uma evolução da doença na região.
O sarampo é uma doença infecciosa e muito contagiosas que se transmite, principalmente, por via aérea. Os sintomas mais comuns são a febre, tosse e erupção cutânea. Embora seja, na maioria dos casos, uma doença considerada benigna, em algumas pessoas pode ser grave ou mesmo fatal.
A Organização Mundial da Saúde já anunciou que os números de 2025 foram mais elevados do que na maioria dos anos desde 2000 e, por isso, a doença está longe de ser “do passado”.
Inclusive, vários países europeus perderam o "estatuto de livres de sarampo" como foi o caso da Áustria, Espanha ou Reino Unido que voltaram a registar transmissão endémica com base no número de casos em 2024.
A tendência também foi elevada em Portugal com 20 casos registados de sarampo desde o início de 2025, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS) no final do ano.
Um ocorreu na região Centro e 19 na região de Lisboa e Vale do Tejo “todos importados ou associados a casos importados”, indicou a entidade de saúde.
A vacinação é a principal medida de prevenção e em Portugal é gratuita com a recomendação de duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 5 anos de idade.