Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Onde esperam mais os europeus por novos medicamentos?

Onde esperam mais os europeus para aceder a novos medicamentos
Onde esperam mais tempo os europeus para aceder a novos medicamentos? Direitos de autor  © European Union 2023 - Source : EP
Direitos de autor © European Union 2023 - Source : EP
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

O acesso a novos medicamentos continua a variar muito na Europa, com esperas de alguns meses a mais de três anos, segundo a Federação Europeia da Indústria Farmacêutica.

Surgem novos medicamentos e terapias inovadoras e são descobertos novos tratamentos, mas muitos continuam a não estar disponíveis de forma equitativa em toda a Europa.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Um novo relatório da Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (EFPIA) analisou o tempo que os medicamentos demoram a chegar aos doentes na União Europeia e as diferenças entre países.

Os medicamentos estão cada vez menos disponíveis na Europa. Em 2025, apenas 28% dos medicamentos estavam totalmente abrangidos pelo reembolso público, contra 42% em 2019.

As diferenças entre países são também muito marcadas.

Segundo o relatório, os doentes em alguns países europeus podem esperar cerca de sete vezes mais do que noutros para terem acesso ao mesmo medicamento, variando entre cinco meses e 37 meses.

Países onde os doentes esperam mais

De acordo com a EFPIA, o tempo mediano até à disponibilidade é de 532 dias, entre a autorização de introdução no mercado de um determinado medicamento e a data em que passa a estar acessível nos países europeus.

O tempo de espera varia bastante entre países. Enquanto os doentes na Alemanha têm medicamentos disponíveis no mercado 56 dias após a autorização, os da Roménia têm de esperar 1.201 dias.

Depois da Alemanha, Suíça, Sérvia, Áustria e Dinamarca surgem como os países mais rápidos, apesar de o número de medicamentos disponíveis diferir entre eles.

Os medicamentos demoram mais tempo a ficar disponíveis na Roménia, Portugal, Lituânia e Croácia.

“Regra geral, os doentes no Norte e Oeste da Europa obtêm acesso a novos tratamentos entre 100 e 500 dias após a autorização de mercado, enquanto os doentes no Sul e Leste da Europa esperam entre 500 e 900 dias”, conclui o relatório.

Países com mais medicamentos disponíveis

Longos períodos de espera e entradas tardias no mercado não são os únicos obstáculos com que os doentes se deparam quando querem aceder a medicamentos na Europa. O número de produtos disponíveis varia também de forma significativa.

Nem todos os países oferecem os mesmos medicamentos, sobretudo no caso das terapias inovadoras e dos medicamentos órfãos, desenvolvidos para tratar doenças raras.

Em 2019, a taxa de disponibilidade plena era de 42%, ao passo que, em 2025, desceu para 28% em toda a Europa. A proporção de medicamentos totalmente disponíveis com reembolso público diminuiu de forma acentuada e quase um quinto dos medicamentos passou a estar acessível apenas sob condições restritas.

O relatório da EFPIA acompanhou 168 medicamentos inovadores autorizados pela Agência Europeia de Medicamentos entre 2021 e 2024.

No mesmo período, a Alemanha tinha 156 desses produtos no mercado, enquanto Malta contava 22.

Áustria (143), Itália (133) e Espanha (116) registaram os números mais elevados na União Europeia.

Letónia (25), Roménia (28) e Hungria (35) surgem na extremidade oposta da tabela.

Europa: como se compara com outras regiões

A EFPIA alerta também que o processo regulatório europeu é mais lento do que alguns processos internacionais, em particular o dos Estados Unidos, o que leva a que a região fique para trás.

Com recurso a dados da IQVIA, empresa global de dados de saúde, análises e investigação clínica, a EFPIA publicou ainda um indicador trimestral que analisa em que medida os novos medicamentos aprovados nos EUA foram, ou serão, aprovados por outras agências reguladoras mundiais, incluindo a Agência Europeia de Medicamentos e a Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA).

Entre 2021 e 2025, a Agência Europeia de Medicamentos aprovou 231 novas substâncias ativas, enquanto a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou 253. A China aprovou 296.

Apenas uma fração dos medicamentos é aprovada em todas as regiões. O relatório assinala que a China e os Estados Unidos têm muitos produtos que não são aprovados noutros mercados, e novos dados mostram que está a aumentar o número de medicamentos aprovados nos EUA que não chegam à Europa.

Entre 526 medicamentos aprovados pela FDA norte-americana entre 2016 e 2025, 193 (37%) não obtiveram aprovação da Agência Europeia de Medicamentos.

“Mesmo com as propostas da Comissão Europeia para simplificar os procedimentos regulamentares da UE, os dados sugerem que a Europa está a ficar para trás em termos de rapidez de aprovação regulatória e que dificilmente recuperará terreno num futuro próximo”, avisou a EFPIA.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Alemanha: médico norte-americano infetado com Ébola chega a Berlim

Futebolistas exigem mais segurança perante alertas de calor no Mundial

Europa perante novo surto de Ébola: rastreios em aeroportos ou cancelamento de voos?