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Estados Unidos: parasita que devora carne detetado no sul do Texas, primeiro caso desde 1966

Mosca carnívora detetada em gado nos EUA, décadas após ter sido erradicada
Detetam mosca carnívora em gado nos EUA, décadas após erradicação Direitos de autor  AP Photo/Fernando Llano
Direitos de autor AP Photo/Fernando Llano
De Marta Iraola Iribarren
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Detectada no gado do sul do Texas uma mosca parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo, anos após ter sido dada como erradicada no país.

A mosca da bicheira do Novo Mundo (NWS, na sigla em inglês) foi detetada no sul do Texas, o maior estado produtor de gado dos Estados Unidos, confirmou na quarta-feira o Departamento de Agricultura do país.

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A bicheira do Novo Mundo é uma espécie de mosca parasita que completa parte do seu ciclo de vida alimentando-se de tecido e carne de animais e humanos de sangue quente.

A mosca fêmea põe os ovos em feridas abertas ou em membranas mucosas, onde estes eclodem em larvas que consomem a carne à sua volta.

O caso foi detetado num vitelo de três semanas em La Pryor, no Texas, a cerca de 80 quilómetros da fronteira dos EUA com o México, confirmou a secretária da Agricultura, Brooke Rollins. É o primeiro caso na região desde 1966.

Rollins disse que não foram registadas outras deteções da mosca no país e as autoridades sublinharam que, embora as larvas representem uma ameaça para o gado, não contaminam os alimentos. Com tratamento adequado, até o vitelo infestado deverá recuperar.

«Não há razão para acreditar que esta incursão vá levar ao estabelecimento definitivo da praga no nosso país», afirmou Rollins.

O veterinário-chefe do Texas, Bud Dinges, estabeleceu uma zona de quarentena de 20 quilómetros, proibindo a deslocação de qualquer animal de sangue quente — incluindo animais de companhia — para fora dessa zona sem inspeção.

Há outros casos de mosca da bicheira do Novo Mundo?

A praga foi um problema recorrente para a indústria pecuária norte-americana durante décadas, com a Flórida e o Texas identificados como pontos críticos, até os Estados Unidos a terem praticamente erradicado nas décadas de 1960 e 1970.

Embora as infestações sejam raras nos EUA, têm sido registados casos em viajantes que regressam de zonas afetadas.

Em agosto de 2025, as autoridades de saúde dos EUA confirmaram um caso num residente de Maryland que tinha viajado para El Salvador. O doente recuperou e as autoridades não encontraram indícios de transmissão adicional do parasita.

Antes disso, o último surto tinha ocorrido nas Florida Keys, um arquipélago tropical a sul de Miami, entre o oceano Atlântico e o golfo do México, em setembro de 2016, sobretudo entre veados selvagens. Foi contido no início do ano seguinte, sem se espalhar mais.

Como conter a mosca?

A mosca da bicheira foi erradicada com sucesso da América do Norte e Central durante muitos anos, mas é atualmente endémica na América do Sul e em partes das Caraíbas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Nos últimos cinco anos, o parasita voltou a instalar-se na América Central e no México, recuperando grande parte da sua área de distribuição original.

O principal instrumento de erradicação é a técnica do inseto estéril (SIT), que recorre à radiação para produzir moscas machos estéreis sem utilizar pesticidas.

A FAO nota que, para ser eficaz, a SIT tem de ser combinada com tratamento adequado das feridas, vigilância próxima e sistemas de monitorização robustos. Os EUA têm usado recentemente este método para tentar impedir a entrada da mosca no país.

As moscas fêmeas acasalam apenas uma vez durante a sua vida, que pode durar vários meses; se o fizerem com um macho estéril, os ovos não eclodem e a população acaba por diminuir ao longo do tempo.

Esta técnica está também a ser usada para travar outros insetos transmissores de doenças, como o mosquito-tigre asiático e o mosquito-do-Egipto, principais vetores de doenças como Zika, dengue e febre-amarela.

Rollins afirmou que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos está suficientemente confiante nos seus preparativos e considera que «não existe ameaça de uma infestação em massa».

Quais são os riscos e sintomas para as pessoas?

As larvas não se transmitem de pessoa para pessoa e apresentam um risco global muito reduzido para o público.

Segundo as autoridades de saúde norte-americanas, as pessoas podem estar em risco se viajarem para zonas onde a mosca está presente e passarem longos períodos ao ar livre durante o dia, sobretudo a dormir.

Quem vive, trabalha ou passa muito tempo perto de gado ou de outros animais de sangue quente em áreas afetadas também enfrenta um risco mais elevado.

Os sintomas de infeção podem incluir feridas ou úlceras dolorosas e sem causa aparente que não cicatrizam, um cheiro fétido ou hemorragia no local da infestação, bem como a presença de larvas ou sensação de movimento em feridas abertas ou nas narinas, boca, olhos, ouvidos ou genitais.

Mosca da bicheira do Novo Mundo está estabelecida na Europa?

A mosca não está estabelecida na Europa e não foram registados surtos.

No entanto, o aumento das temperaturas está a expandir progressivamente o habitat dos insetos e não se podem excluir casos esporádicos ligados a viagens internacionais.

Outras fontes • AP

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