Europa enfrenta onda de calor recorde; OMS alerta que os próximos verões serão ainda mais quentes.
Junho foi um dos meses mais quentes de que há registo na Europa, com temperaturas a atingirem máximos sem precedentes em vários países e a provocarem um aumento das mortes relacionadas com o calor.
E isto é apenas o início. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que os próximos verões serão mais difíceis.
“Esta onda de calor é um ensaio geral”, afirmou Hans Henri Kluge, diretor regional da OMS para a Europa.
A Europa está a aquecer a mais do dobro da média global e as ondas de calor deixaram de ser fenómenos isolados e excecionais. Transformaram-se em crises recorrentes, mais frequentes, intensas e prolongadas, acrescentou Kluge.
No último mês, a França registou mais de 1 000 mortes desde 24 de junho, a maioria entre pessoas com 65 ou mais anos, e as chamadas para os serviços de emergência aumentaram até 50 % em algumas cidades.
O sistema espanhol de monitorização da mortalidade já estima 892 mortes em excesso associadas ao calor em junho.
Kluge advertiu que cada verão para o qual não nos preparamos é um verão que pagamos em vidas humanas por falta de preparação.
Ainda assim, para a OMS nem tudo são más notícias, já que a organização sublinha que a prevenção resulta.
Segundo o responsável europeu da OMS, as estimativas mostram que, em 2023, as mortes relacionadas com o calor na Europa teriam sido cerca de 80 % superiores sem as medidas de adaptação já em vigor. No grupo com 80 ou mais anos, as mortes poderiam ter sido o dobro.
“Planos de ação para o calor e a saúde, alertas precoces, espaços de arrefecimento, trabalho de proximidade com pessoas vulneráveis, isto não são exercícios burocráticos. Estão a salvar vidas neste momento e precisamos de mais iniciativas deste tipo em toda a Região Europeia”, acrescentou Kluge.
Prevê-se agora que a onda de calor se estenda a grande parte da Europa Ocidental, Central e Meridional e aos Balcãs até 30 de junho, segundo a Organização Meteorológica Mundial.