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Estudo conclui que bebés não devem usar ecrãs nos primeiros dois anos de vida

Crianças com menos de dois anos não devem ter qualquer tempo de ecrã
Crianças com menos de dois anos não devem ter qualquer contacto com ecrãs. Direitos de autor  Cleared/Canva
Direitos de autor Cleared/Canva
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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Crianças com menos de dois anos devem evitar completamente os ecrãs, defende um novo estudo que associa a exposição precoce a riscos de desenvolvimento a longo prazo.

O uso de ecrãs nos primeiros dois anos de vida está associado a impactos a longo prazo na saúde e na qualidade de vida, conclui uma nova revisão sistemática.

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A análise identificou provas consistentes de que a utilização de dispositivos digitais, em particular televisão, telemóveis e tablets, está muito difundida entre crianças com menos de dois anos e poderá estar associada a potenciais efeitos negativos no seu desenvolvimento.

O tempo passado em frente aos ecrãs reduz as oportunidades de criar laços afetivos com os cuidadores ou de brincar com outras crianças, limita o desenvolvimento da linguagem e aumenta a sobrestimulação.

"Percebemos que o uso de ecrãs entre crianças com menos de dois anos é uma preocupação global que, em 2026, não está a ser devidamente enfrentada", afirmou Rafe Clayton, docente sénior da Universidade de Leeds.

Como os primeiros dois anos de vida são essenciais para estabelecer as bases da saúde física e mental de uma criança, o tempo de ecrã "tem implicações para toda uma geração e para a sua futura qualidade de vida", acrescentou.

Com base nestas conclusões, os investigadores de quatro universidades britânicas — Universidade de Leeds, Leeds Trinity University, Universidade de Aston e Universidade de Loughborough — recomendam que as crianças com menos de dois anos não tenham qualquer tempo de ecrã intencional e regular.

Os investigadores defendem ainda que seja revista qualquer orientação que recomende tempo de ecrã partilhado para crianças com menos de dois anos ou que sugira que a tecnologia de ecrã é adequada para "todas as idades".

"Esperamos que estes resultados ajudem os pais, os profissionais e os responsáveis políticos a promover um uso sustentável da tecnologia e a elaborar recomendações adequadas para crianças pequenas", afirmou Richard James, especialista em comportamentos aditivos na Universidade de Loughborough.

O especialista acrescentou que, devido à falta de orientações, os pais estão a ensinar inadvertidamente as crianças e os bebés a desenvolverem hábitos pouco saudáveis e relações problemáticas com dispositivos com ecrã.

Uso de ecrãs aumenta entre as crianças

Os investigadores referem que, aos dois anos, a utilização diária de ecrãs é quase universal e ultrapassa os limites recomendados.

Salientam que um dos principais fatores da exposição precoce aos ecrãs é a carga de trabalho dos pais, que leva muitos cuidadores a recorrer aos ecrãs para manter as crianças ocupadas.

"As famílias enfrentam este desafio sem a informação e o apoio de que necessitam. A responsabilidade não pode recair apenas sobre os seus ombros", afirmou Andrea Leadsom, fundadora da 1001 Critical Days Foundation, que encomendou a revisão.

Acrescentou ainda que as empresas de tecnologia devem reconhecer o seu papel e que os pais não devem ser confrontados com conteúdos classificados ou promovidos como adequados para bebés, quando a evidência científica aponta em sentido contrário.

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