Bruxelas pede a Portugal menos dívida e maior produtividade
Portugal tem sido um bom aluno nos esforços para corrigir os desequilíbrios macroeconómicos, mas ainda continua a pertencer ao clube dos dez países sob um grau moderado de vigilância por parte da Comissão Europeia.
No âmbito do chamado Semestre Europeu, em que a Comissão avaliou o progresso na execução das prioridades económicas, quarta-feira, em Bruxelas, Portugal foi convidado a ir mais longe em duas áreas.
Uma delas é um maior controlo da dívida externa, pública e privada, incluindo no crédito mal parado nos bancos, apesar de os riscos estarem a diminuir.
Na sua apreciação a Portugal, Bruxelas sublinha que "os elevados 'stocks' de passivo externo líquido, dívida pública e privada e um elevado nível de crédito malparado constituem vulnerabilidades num contexto de baixo crescimento da produtividade".
A Comissão Europeia reconhece que a dívida pública começou a baixar em 2017, "embora permaneça elevada", e que "os riscos no setor bancário diminuíram, também à luz de recapitalizações de grandes bancos, em 2017, e uma recente melhoria na lucratividade".
Por outro lado, para aumentar o crescimento económico e manter uma baixa taxa de desemprego, o comissário europeu para os Assuntos Economicos, Pierre Moscovici, deixou uma receita.
"Os desequilíbrios no mercado laboral estão a ser corrigidos e o maior risco está agora associado às competências e à produtividade. A baixa produtividade laboral continua a ser um desafio. É necessário investir mais na investigação e inovação, melhorar a eficiência dos recursos e as infraestruturas de transportes", disse Pierre Moscovici.
"É por isso que dizemos que houve um progresso considerável, mas que ainda há algum trabalho que deve ser feito e esperamos que assim continue", acrescentou.
O governo de António Costa deverá adotar medidas neste sentido no Programa de Estabilidade e no Plano Nacional de Reformas que vai apresentar em abril.
Um ano depois de ter retirado Portugal do grupo mais crítico de países com "desequilíbrios macroeconómicos excessivos" - do qual agora fazem parte apenas Chipre, Grécia e Itália -, o executivo comunitário mantém Portugal numa segunda categoria, menos grave, reconhecendo progressos em diversas áreas, mas também várias fragilidades.