O discurso sobre o Estado da União, a 16 de setembro, pela presidente da Comissão Europeia, será fundamental para perceber se as prioridades dos eurodeputados se tornarão realidade.
Os eurodeputados preparam-se para a primeira sessão plenária do Parlamento Europeu após as férias de verão, na semana que vem, na qual será também feito o discurso sobre o Estado da União pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Entretanto, os membros do Parlamento organizam a agenda das suas prioridades políticas, que não pode deixar de ser marcada pela resposta à pandemia de Covid-19 e à recessão económica.
Um eurodeputado italiano de centro-esquerda, Brando Benifei, gostaria que a instituição visse os seus poderes legislativos reforçados para poder avançar mais rapidamente nas reformas.
“Atualmente, a União Europeia é muito lenta na reação ao que se passa. Foi bastante rápida na crise da Covid-19, mas com alguns limites. Acho que precisamos ser mais fortes se quisermos enfrentar os desafios futuros. Isso significa que precisamos de fortalecer o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia. É algo no qual trabalharemos com certeza", disse Benifei.
Já a eurodeputada portuguesa de centro-direita, Lídia Pereira, aponta as falhas na coordenação com as restantes instituições e os governos dos 27 Estados-membros como matéria a melhorar.
"Tem que haver diálogo, esta pandemia mostrou que é preciso maior coordenação nas respostas aos desafios que enfrentamos. Se atuarmos em conjunto, será completamente diferente. Na minha opinião, temos de garantir que há diálogo e que não cometamos os mesmos erros da primeira fase da pandemia, temos que coordenar os esforços de forma coletiva",explicou Pereira.
Crise climática e modelo de retoma económica
Uma eurodeputada búlgara de centro-direita, Eva Maydell, acredita que o enfoque deve estar nas medidas para travar a crise climática, investindo em tecnologias com baixa emissão de dióxido de carbono.
"Precisamos de garantir a competitividade económica e acho que a única maneira de o fazer é garantindo que as tecnologias com baixa emissão de dióxido de carbono estão cada vez mais acessíveis, financeiramente, para os cidadãos. Já existem algumas, tais como gás e energia nuclear, que deveriam estar mais acessíveis em termos de não terem um custo demasiado elevado", referiu Maydell.
Ao nível dos instrumentos financeiros, é preciso aprovar o orçamento para 2021-2027, com destaque para o novo Fundo de Recuperação, para apostar no tecido económico e social. Mas esse fundo pode ser, também, o catalisador para um novo paradigma de crescimento, segundo o eurodeputado italiano Brando Benifei.
“Penso que a Covid-19 nos dá agora a oportunidade de reconstruir este continente para que seja mais coeso, verde, interconectado e com maior justiça social. Penso que precisamos de ir nessa direção ou não haverá uma efetiva recuperação", acrescentou.
O discurso sobre o Estado da União, a 16 de setembro, será fundamental para perceber se estes desejos se tornarão realidade.