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Refugiados congoleses alegam discriminação em tempo de guerra

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De  Méabh Mc Mahon
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Refugiados congoleses alegam discriminação em tempo de guerra
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Vários cidadãos de países terceiros que estavam a viver na Ucrânia e que fugiram da guerra queixam-se de desigualdade de tratamento e alegam discriminação quando chegam à União Europeia. À Euronews esteve à conversa com um grupo de congoleses que rumou a Bruxelas.

Há um mês, Axel, por exemplo, era um jovem estudante de informática em Kiev, mas do dia para a noite tudo mudou, para pior. Teve de fugir da guerra na Ucrânia e agora está na Bélgica.

Aos olhos de muitos seria um refugiado, mas em Bruxelas, o jovem oriundo da República Democrática do Congo, vive na incerteza em relação ao futuro porque não é cidadão ucraniano. Não é caso único.

Antes de chegar à Bélgica atravessou fronteiras, mas diz que sofreu pelo caminho, por causa da cor da pele.

"Quando nos pediam para esperar, falavam-nos de forma brutal, agressiva e com gestos. Também somos seres humanos. As nossas vidas também contam", contou Axel, em entrevista à Euronews.

A alegada discriminação contra cidadãos de países terceiros que fogem da Ucrânia deve acabar, de acordo com o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM). António Vitorino pediu aos Estados para investigar situações deste tipo.

Na União Europeia, os ucranianos beneficiam de um estatuto próprio ao abrigo da uma lei europeia de proteção temporária, tecnicamente conhecida como Diretiva de Proteção Temporária. Muitos dizem que a lei tem dois pesos e duas medidas.

"Os ucranianos são privilegiados, apesar de termos vindo todos da Ucrânia. Queremos beneficiar dos mesmos direitos. Fugímos todos da guerra. Estávamos todos na Ucrânia. Também queremos terminar os nossos estudos como poderão fazer os ucranianos", disse Ruth, estudante congolesa de medicina que saiu da Ucrânia e se encontra na Bélgica.

A Ruth e a outros jovens tem-lhes valido o apoio da associação afro-belga "Change", que lhes estendeu a mão quando se encontravam na fronteira polaca e lhes dá, por estes dias, comida, alojamento e até cursos de línguas, a par de apoio moral e aconselhamento.

Também dão aconselhamento.

"Quando estes jovens mostram a sua situação, fico muito triste e digo a mim mesmo:ok. Isso também me motiva a continuar esta batalha que estamos a travar, que cria pontes e conexões entre os seres humanos", sublinhou Dido Lakama, da associação "Change".

Para já, pelo menos, a batalha passa por conseguir que os jovens sejam aceites em universidades belgas. O que não se adivinha fácil, porque não estão abrangidos pelo mesmo estatuto de cidadãos ucranianos.